7 de julho de 2012

Exultai! Vem aí um novo ano lectivo!

Dentro de dois meses deve começar mais um ano lectivo. Digo “deve” no sentido de probabilidade e não de obrigação. Na verdade, tudo se inclina para que o próximo ano lectivo seja mais um ano, sem dúvida, com trezentos e tal dias de penúria, como o seu antecessor, mas muito pouco lectivo, talvez ainda menos do que este foi.

E, se por um acaso, o for ainda menos, este ano que ai vem arrisca-se a produzir uma lectividade abaixo de zero, já que a anterior se quedou pela nulidade absoluta. Se não, vejamos: vão sair do sistema algumas centenas de bons professores. Enquanto isso, entrarão nele alguns milhares de maus alunos. Basta esta previsível ocorrência para augurarmos o cenário que acabo de traçar, ou, presumivelmente, um pouco pior ainda, se as elites do sistema persistirem em confundir ensino com ATL, e trabalho/estudo com actividades ao ar livre e festinhas publicitárias para promover as escolas, tornadas agora empresas de produção de chouriços diplomados e restante charcutaria bolonhesa ou afim.

Poderemos ainda, com alguma facilidade, conceber uma alteração substancial do sistema educativo, mudando-o de absolutamente inútil (posição que mantém agora) para eventualmente adverso, posição que atingirá brevemente, estabelecidas que sejam as condições ideais. Este desiderato de passar de academicamente imprestável para socialmente prejudicial será alcançado se os professores que ficarem no sistema forem os que obtiverem as melhores classificações na avaliação de desempenho, ou seja, os mais industriosos, os mais ardilosos, os mais mesquinhos, os mais arrogantes, os mais convencidos, os mais legalistas, os mais burocratas, os mais desonestos. Numa palavra, tudo o que não faz falta nenhuma ao ensino em Portugal.

    Post  843       (Imagem daqui)

3 comentários:

Fátima Laouini disse...

Excelente. As escolas estão a tornar-se irritantes empresas de eventos e só quem trabalha para isso - para a fotografia - se safa. Safa...

Anónimo disse...

Pior do que já está é difícil, mas não impossível. E, infelizmente, este é o rumo que a educação em Portugal está a tomar... Cá por fora, o cruel sistema de avaliação de desempenho docente também tem "feito das suas", premiando apenas os amigos... Marla

Anónimo disse...

Eis aí duas boas inferências: a escola como empresa de eventos (excelente) e e a avaliação do desempenho que só premeia os amigalhaços (tb muito bem visto).
Obrigado pelos comentários, Marla e Fatima.
joao de miranda m.