24 de agosto de 2007

Férias - 30º dia :////////

Ponto final.
Terminaram as férias que quase não chegaram a ser. Para suavizar esta dor, o Chico Anysio...
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23 de agosto de 2007

Terra quanta avistes...

Estou cada vez mais rural. Já passo dois terços do meu tempo a ver crescer as árvores, a relva, as hortas. Sem nenhuma poesia. Nem a febre telúrica de Torga, para quem a terra tinha sempre a vontade indómita e o sofrimento genuíno de homens, nem o olhar contemplativo e comodamente inebriado dos bucólicos. Só terra, e a ruralidade que não exige mais nada de mim: nem inteligência, nem cultura, nem sabedoria, nem engenho, nem arte, nem competências, nem depressões. Sou da terra, todo dela, mas epidérmico. Temo nela o abismo da víscera. Acobardo-me diante dos seus fragores tectónicos. Mas à superfície dela, alongado sobre a sua pele, gostaria de permanecer para sempre, desfrutando da sua penugem ondulante sob as brisas das tardes mornas, sob a minha mão de campónio compassivo, multiplicando bosques e jardins.
Mais que isto em relação à terra é ser doentiamente ganancioso.
Menos que isto é ser distraído.

22 de agosto de 2007

Férias - 28º dia :((((((((((((((((((((((((((((((((((((((

Foi um tal vê-los correr. Esvaeceram-se os dias de férias, como a água dessa fonte...

[No próximo ano vou ver se me dão as férias em Junho, que os dias são maiores. E mais quentes. Já há uns dias que muito boa gente treme o queixo neste mês de Agosto, assim transformado em motivo de chacota por todos os humoristas portugueses: "o Verão que veio do frio", "a bandeira verde que foi de férias", "à janela a gente congela", "o tempo não aquece, o deficit esmorece" etc.
Enfim, o tempo escorreu, o tempo era meu, e apenas queria haver de volta cada minuto que passou sem mim.
Regressar ao trabalho? Como se faz isso, sem ficar atordoado?
Bom, para o ano há mais tempo (que voa)].

18 de agosto de 2007

No psiquiatra:
- Muito bem, o senhor tem um sério problema com a auto-estima.

- Eu sei, doutor. Foi lá que comprei o carrito e não estou a conseguir pagá-lo...

9 de agosto de 2007

Férias - 15º dia :(((((((((

Hoje passei, obsessivamente, a manhã deste dia do meio das férias a ouvir Jacques Brel. E obsessivamente me quedei em "Les Vieux", que não resisti a enviar aos amigos da minha lista de correio, incluindo os jovens...
Proponho que se vá até aqui e se veja e ouça com atenção (mas sem obsessão, por favor), o poema, gravado em 1964, que transcrevo a seguir:
(Brel nasceu em 8 de Abril de 1929 e deixou-se surpreender pela ceifeira negra faz hoje 28 anos e 10 meses.)


Les vieux - 1964

Les vieux ne parlent plus

ou alors seulement parfois
du bout des yeux
Même riches ils sont pauvres,
ils n'ont plus d'illusions
et n'ont qu'un cœur pour deux

Chez eux ça sent le thym,
le propre, la lavande
et le verbe d'antan
Que l'on vive à Paris
on vit tous en province
quand on vit trop longtemps

Est-ce d'avoir trop ri
que leur voix se lézarde
quand ils parlent d'hier
Et d'avoir trop pleuré
que des larmes encore
leur perlent aux paupières

Et s'ils tremblent un peu
est-ce de voir vieillir
la pendule d'argent
Qui ronronne au salon,
qui dit oui qui dit non,
qui dit : je vous attends

Les vieux ne rêvent plus,
leurs livres s'ensommeillent,
leurs pianos sont fermés
Le petit chat est mort,
le muscat du dimanche
ne les fait plus chanter

Les vieux ne bougent plus
leurs gestes ont trop de rides
leur monde est trop petit
Du lit à la fenêtre,
puis du lit au fauteuil
et puis du lit au lit

Et s'ils sortent encore
bras dessus bras dessous
tout habillés de raide
C'est pour suivre au soleil
l'enterrement d'un plus vieux,
l'enterrement d'une plus laide

Et le temps d'un sanglot,
oublier toute une heure
la pendule d'argent
Qui ronronne au salon,
qui dit oui qui dit non,
et puis qui les attend

Les vieux ne meurent pas,
ils s'endorment un jour
et dorment trop longtemps
Ils se tiennent la main,
ils ont peur de se perdre
et se perdent pourtant

Et l'autre reste là,
le meilleur ou le pire,
le doux ou le sévère
Cela n'importe pas,
celui des deux qui reste
se retrouve en enfer

Vous le verrez peut-être,
vous la verrez parfois
en pluie et en chagrin
Traverser le présent
en s'excusant déjà
de n'être pas plus loin

Et fuir devant vous
une dernière fois
la pendule d'argent
Qui ronronne au salon,
qui dit oui qui dit non,
qui leur dit : je t'attends
Qui ronronne au salon,
qui dit oui qui dit non
et puis qui nous attend.

Poema retirado daqui:

3 de agosto de 2007

Férias - 9º Dia :(

Um país civilizado...

Um país civilizado é de Verão que se vê.

Não é o modo como cultiva o povo, como educa os jovens, como trata dos doentes, como acolhe os velhos, como baixa o deficit, como constrói pontes, como combate o desemprego ou o terrorismo que dá a um país um lugar ao sol no ranking dos mais evoluídos. O que dá a um país um lugar cativo no primeiro mundo é o modo como combate as moscas.

Países terceiro-mundistas possuem um rácio superior a cinquenta moscas por habitante humano, ao passo que, nos países verdadeiramente civilizados, há apenas uma mosca para cada 30 habitantes humanos, chegando mesmo a ser objecto de admiração e caloroso acolhimento um espécime que eventualmente surja no meio de um almoço.

Hoje almocei num bom restaurante, acompanhado de mais de trinta moscas. Como se define um país desses? E como se chama a um indivíduo que consegue viver num país desses, come num restaurante com trinta moscas, a todas trata calorosamente e ainda por cima deixa uma gorjeta à empregada? Masoquista? Generoso? Asceta? Santo? Burro?

1 de agosto de 2007

Férias - 7º dia :(

Praia de Mira - O palheiro de Deus

Sétimo Dia!
Tal como Ele fez, descansei. Contemplei o que fiz e vi que não era bom. E fez-se tarde e manhã…