6 de março de 2009

caiu-me um niilista na sopa…

gorda Hoje fui almoçar com aquele teu amigo niilista. Então o que é que vai? Qualquer coisa, é-me absolutamente indiferente. E se fôssemos num bacalhau com todos? Pode ser, ou então frango de churrasco com salada de rúcula. Mas tu sabes o que é rúcula? Não sei, mas também não sei que coisas são bacalhau ou frango ou amizade. Nunca acreditei que a rúcula fosse comestível, como nunca acreditei que o amor me possa um dia entrar pela casa dentro. Se o amor me entrasse pela casa dentro saía a minha mulher. E a minha mulher é a única coisa que realmente existe e está lá dentro de casa e esteve lá ontem e vai estar lá amanhã. A minha mulher é perene como a relva. Meu Deus, como é estável e sólida aquela criatura. Bem, criatura é um modo de dizer porque ela não foi criada. Apareceu já feita na minha vida, eterna, vigorosa, demiúrgica. Vamos numa coisa mais levezinha, meu caro. E que não exista tanto…

(Imagem daqui)

4 comentários:

Anónimo disse...

A mulher do teu amigo é uma guardiã de quase todas as horas.Ela guarda o seu passaroquinho por trás das grades. Apaparica-o. Apaparoca-o.Quando ela abre a porta da gaiola, lá vai ele de asa alvoroçada atrás do amor, do etéreo, do fugaz, porque perenidade já tem ele na jaula, desculpa, em casa.
Mas que ela lhe dá jeito, dá!
Norteia-lhe a vida. Quanto ao sul, João, nem sempre se descortina!
OF

Tony disse...

Para mal dos meus pecados, não sou niilista. Mas também não sou totalitarista, se é que isto é o contrário daquilo...
Cá para mim, algo que não seja tão perene como a relva e a mulher de alguém, só o fumo; ou então, em termos pantagruélicos, um sonho...

joao de miranda m. disse...

ahahahahahah, boa.

joao de miranda m. disse...

Meu deus, OF, e eu que não tinha ainda lido esse teu comentário sempre imprescindível. Desculpa. Um grande abraço.