21 de dezembro de 2012

Acompanhando o fim do mundo (mas de longe)

Não sei se vamos ter fim do mundo, mas pelo menos o fim de semana já aí está. E onde há fumo, há fogo. Hoje, o meu fim do mundo começou como o meu fim-de-semana – a tomar o pequeno-almoço na cama. Não pensem que costumo tomar o pequeno-almoço na cama. Na verdade, nem costumo tomar pequeno-almoço. Esse luxo estava a levar-me a uma descapitalização sem retorno. Não, as nossas mulheres servem-nos o pequeno-almoço na cama apenas quando suspeitam que poderá ser o último, sobretudo por nossa parte. Foi o caso. E sabem que mais? Acho que isso é o fim do mundo. Não precisamos de outro para o escândalo ficar completo.

De facto, as nossas mulheres deveriam trazer-nos o pequeno-almoço mais vezes, mesmo nos dias em que o mundo não acaba. Lembram-se do que elas disseram quando nos casámos? Isso mesmo, “amar e respeitar o marido com pequeno almoço na cama, na saúde e na doença, até que a morte nos separe”. Suspeito fortemente de que deve ter sido esta última frase que inspirou a minha companheira a trazer-me hoje, e terminantemente hoje, o pequeno-almoço à cama.

A minha saborosa vingança sobre o fim do mundo é que tomei o pequeno-almoço na cama e o dito ainda não acabou. Mesmo que ainda acabe, pois ainda são só 13 horas, já me terá dado tempo de fazer a digestão. E dei comigo a pensar que a felicidade é isto: tapearmos os processos degenerativos. Eles estão aí, certamente vencer-nos-ão no final, pelo cansaço, mas serão sempre contrariados com adiamentos inoportunos. Sabemos que o fim virá. O nosso gozo é sabermos que ele quer acontecer hoje e que a nossa esperteza e criatividade o adiam sistematicamente para amanhã, depois do fim do mundo…

Descobriram peritos cá de casa que o calendário Maia pode ter sido erroneamente interpretado. Por uma qualquer desatenção ou ignorância matemática o dia do juízo vai ser em vinte e dois do dois de dois mil duzentos e vinte e dois. Ou, melhor ainda, será no dia vinte e dois de vinte e dois de dois mil duzentos e vinte e dois, na medida em que, por essa altura, o calendário Maia, e também o Gregoriano, terão 24 meses por ano. Isto, apesar de nós, os portugueses, continuarmos a receber apenas doze. Os que continuarem, está claro.

      Post 82            (Imagem daqui)

4 comentários:

Anónimo disse...

Adorei! Tão hilariante!
O fim do mundo pode chegar: já estou na pátria e morrerei em solo luso! João, boas festas com esta boa disposição imbatível! beijos Marla

Anónimo disse...

Um natal feliz e óptima estada em Portugal. Beijinho.
joao de miranda m.

Faty Laouini disse...

;) Fabuloso, se o fim do mundo te inspira assim venham muitos mais:) Bjs e bom ano

Anónimo disse...

Obrigado Faty. Um grande ano de 2013.
joao de miranda m.