8 de agosto de 2010
5 de agosto de 2010
4 de agosto de 2010
obsessões do meu ipod (17)
Regresso hoje a Elis Regina. Na verdade, não se regressa a Elis, porque, de certa maneira, nunca se sai dela completamente. Aqui são as Folhas Secas, de Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito.
(Imagem daqui)
a palavra dos outros
Socorro-me, mais uma vez, daquele que é, quanto a mim, o blogue onde melhor se escreve, para vos mostrar este pequeno texto:
“Neste país à beira-mar desplantado, o latrocínio infestador e cavalgante subdivide-se em dois ramos concorrentes: aquele que a polícia reprime e aquele que a polícia garante. Sendo compostos por operadores - regra geral - diferentes, partilham, todavia, duma mesmíssima entidade hospedeira: as vítimas.”
(No Dragoscópio, claro)
(Imagem daqui)
3 de agosto de 2010
2 de agosto de 2010
Parlamentário
Ha um mez inteiro que os srs. deputados, sob o pretexto de accordarem na collocação de um adverbio ou no significado de um adjectivo para a confecção de um periodo banal, se discutem a si proprios; chamam-se reciprocamente desordeiros, calumniadores e ineptos; e documentam e provam entre uns e outros, de partido para partido, que são effectivamente desordeiros, conspiradores, calumniadores e ineptos.
As Farpas Janeiro de 1873
Os portugueses ainda votam. E elegem. E adoram ter um parlamento, simplesmente para ouvir falar os deputados. Todo o labrego é sensível a um discurso de pompa e circunstância. A expressão popular “aquele fulano fala muito bem” significa que o som que saiu da sua boca é agradável, bem articulado e erudito qb, isto é, é tão bom o seu discurso que está muito para além do entendimento do laparda que sou eu. Se é demasiado inteligível, é apenas vulgar. Se não entendi nada, é sublime. É a palavra pela palavra. A palavra na sua essência mais pura que é a pura destituição da sua essência.
O único senão é que o parlamento actual não nos brinda com a qualidade discursiva do parlamento do tempo de Eça e Ramalho. Se se assemelha àquele na inépcia e na calúnia, já dele se afasta um pouco nas componentes cultista e conceptista que tanto seduzem o ouvido popular. Apesar de tudo, o parlamento de hoje ainda é dos poucos lugares onde se arremedam discursos virtuosos, se experimentam prosódias, se ostentam formalíssimas retóricas, na boa e esmerada tradição basbaque. Claro, a coisa raramente sai bem. E quanto maior pretende ser o voo da eloquência, maior é o tombo da oratória.
Mesmo assim, eu compro. Quero dois parlamentos pelo preço de um.
dia de todas as angústias
Hoje foi o dia de visitar os velhos parentes. Uns, doentes de Alzheimer, jazem nos seus leitos pobres, olhos parados no canto superior direito dos acanhados postigos; outros, com as suas colunas em decomposição, já nem nas cadeiras de rodas conseguem locomover-se; outros ainda desencarnam roídos pelas metástases. Todos me olharam do fundo das memórias, perscrutando em mim os pobres e desfocados indícios de um tempo bom que se esfumou...
(Imagem daqui)