“Bom, já que tenho que me apresentar, aí vai. Chamo-me Fausto Lindoso e sou, obviamente, natural do Concelho de Biana do Castelo. Sou professor de Trabalhos Manuais na Escola B2/3 da Mamarrosa do Botão. Tudo corria pacatamente, ensinava origami às terças e quintas e bordados regionais às segundas, quartas e sextas. Quis o destino que fosse fazer uma acção de formação, para tentar mudar de escalão. Como de costume, inscrevi-me sem ver de que acção se tratava. Quando me apresentei no dia e hora combinados para a primeira sessão, verifiquei que se tratava de Educação Sexual em Meio Escolar. Mas, enfim, já lá estava dentro e um homem nunca recua.
Lembrei-me de ter ouvido falar dessas acções. Pessoas equilibradas que incautamente as frequentaram tiveram que fazer de Júlio Machado Vaz para o resto das suas vidas académicas. Na verdade, sempre achara essas histórias um tanto exageradas. Na minha mente, uma simples acção de formação não pode ter repercussões tão nefastas na vida de um cidadão, ainda que se trate de uma acção inconcebivelmente ousada e perturbadora. Foi exactamente por partir do pressuposto da sua sã inoquidade que me derramei na cadeira de fórmica e abandonei definitivamente a ideia de me ir embora, como tantas vezes fizera já, sobretudo naquelas acções sobre autonomia e aprender a aprender que foram moda nos anos 90 e que agora já não têm praticamente nenhuma saída.
Fiquei. Fizemos logo um teste de múltipla escolha para diagnosticar o nosso estado de conhecinmentos e, enfim, despistar eventuais taras dos formandos. Eu, depois de pensar um pouco, achei que deveria errar duas ou três questões para justificar a minha permanência na acção e também para elevar um pouco a auto-estima da formadora, a Dra Isolina Meneses, 62 anos, casada, divorciada, casada outra vez e de novo divorciada e, ao mesmo tempo, convencê-la em definitivo da importância e premência da acção de formação que desencadeara, sabe-se lá porquê. No último teste acertaria todas as perguntas, facto que daria à formadora a sensação da enorme utilidade das suas aulas e lhe inflamaria o ego, se este, obviamente, possuísse algo de combustível.
Não possuía, na verdade, antes se tratava de um ego adormecido e aquoso, residindo a explicação do facto na sua avançada idade bem como na avançada idade de todos os formandos desta enternecedora classe de jarretas.
Porém, das verdadeiras repercussões que esta acção tomaria no futuro vos darei conta em tempo oportuno, isto é, num momento em que não venha nada a propósito e em que as duas pessoas que leram isto já tenham, eventualmente, emigrado.”
(Continua…)
Post 845 (Imagem daqui)
Não, não estou a fazer piadinha de mau gosto. Quatro euros à hora pode significar um salário mensal praticamente soberbo, pelo menos na minha opinião, que sou um pobretanas. A confusão é simples de explicar e reside numa das muitas mistificações de que toda a sociedade portuguese enferma. Ora, um mês tem, como se sabe, 720 horas. Se estas horas forem contabilizadas como horas de trabalho, apesar de nelas estarem incluídas os lazeres (repare-se que o lazer é parte essencial do trabalho, pois é no lazer que o trabalho se prepara e planifica), uma pessoa que ganhe quatro euros por hora receberá no fim do mês um salário líquido de 2.880 euros. Nada mau.
Dentro de dois meses deve começar mais um ano lectivo. Digo “deve” no sentido de probabilidade e não de obrigação. Na verdade, tudo se inclina para que o próximo ano lectivo seja mais um ano, sem dúvida, com trezentos e tal dias de penúria, como o seu antecessor, mas muito pouco lectivo, talvez ainda menos do que este foi.
Quando éramos schoolburros* do quinto ano, actual nono ano, éramos bons alunos e estudávamos um bocado. Não porque gostássemos de estudar (éramos garotos normais, que diabo), mas simplesmente porque todos ansiávamos ver reduzido o número de varadas que, de ordinário, nos caía pelas orelhas abaixo, especialmente nas aulas de Física.
Dois dos meus alunos do 10º ano pegaram-se ontem numa interessante cena de pancadaria.
um compadre ou de um vizinho do aluno em causa. Além de tudo, num momento em que o tempo é absolutamente precioso, como é o caso dos exames, o sistema apresenta uma rapidez de processos absolutamente estonteante. É tudo simples e intuitivo. Os scanners estão instalados nos assentos das cadeiras. O candidato a exame senta-se e fica automaticamente identificado, seja qual for o tipo de cuecas que use, ou mesmo que tenha optado por calças ou saias decentes, em vez das tradicionais calças descidas ou de mini-saias transparentes…