19 de março de 2012

Hoje lembrei…

A Praia de Mira era um rendilhado de rios, lagos e lagoas que atormentaram a minha meninice…

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Quando eu era criança, minha mãe fazia-me atravessar uma infinidade de cursos de água, alguns deles rudes e violentos demais para a minha compleição de menino frágil. Ela me segurava então pelo cachaço, enquanto caminhávamos lentos, eu à frente e ela atrás, sobre estreitas e oscilantes comportas de madeira que tentavam reter alguma água para a direccionar aos moinhos da Canhota. Eu, tonto de medo, olhava para baixo, lá onde a água, contrariada pela barragem, se debatia com estrepitoso fragor.

clip_image004Naquele tempo a praia de Mira era demasiado húmida para o meu gosto de garoto de terra seca, criado sobre batatais a perder de vista, ou perdido entre milharais sombrios, cheirando a guano e pó.

Meus avós maternos eram da praia e viviam num palheiro encantado, de madeira listrada verticalmente em castanho e branco. Um dia, morreram. Não tive escola nesse dia, e nunca mais fui obrigado a atravessar os rios borbulhantes do meu pavor…

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17 de março de 2012

obsessões do meu ipod (32)

marisa Monte
Ainda Bem não nos traz, de facto, nada de novo. Mas para quê a novidade? Uma canção é apenas uma canção, não um catálogo de gadgets. E esta é, como muitas outras canções, mais uma que passa despercebida pelo facto de ser apenas… perfeita.  E é tudo.
Marisa Monte é uma voz absolutamente excepcional, de uma delicadeza ímpar.
Mostro-lhes duas versões de Ainda Bem, uma delas melhor que a outra, em minha modesta opinião. (Podemos entreter-nos a discutir qual a melhor versão e porquê.)
Um abraço, ao som de Marisa.

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14 de março de 2012

Desta vez é o décimo primeiro ano…

jeováTenho um aluno no décimo primeiro ano que é Testemunha do Jeová. (Sou testemunha disso, posso garantir-vos). Esforço-me por lhe ensinar uma língua profana, leiga, quase obscena, que se chama Inglês. Ele esforça-se por me ensinar um código ascético, inumerável, divino, flatulento que se chama Tetragrama YHVH, ou seja, o tal Jeová.

Tendo-me certamente sinalizado como uma criatura em iminente risco de se perder nas profundezas do Inferno, chamou a si a generosa e ciclópica tarefa de me reorientar o estafado percurso, enfileirando-me no rebanho dos escolhidos para as delícias do paraíso. Paulatinamente, pedagogicamente, tem vindo a fornecer-me materiais indispensáveis para a minha progressão segura a caminho da manada dos bem-aventurados.

Todas as semanas me presenteia com livrinhos escritos de modo simples e directo, construção frásica primária, adequada ao meu nível cognitivo, profusamente ilustrados com desenhos meticulosos, Cristos de cabelo curto e barba preta aparada ao gosto dos baladeiros de 60, paisagens idílicas de rios passando serenos por debaixo de pontes curvas de madeira e profetas de gravata laminada e fatos de merino, famílias felicíssimas em volta de uma mesa de toalha aos quadradinhos, jovenzinhas assexuadas e raios de luz azul vindos de uma nuvem (?) onde se inscreve a palavra Jeová.

A minha intenção para com este meu aluno é muito menos luminosa. Adoraria que ele se dedicasse aos pronomes pessoais formas de complemento e ao passado do verbo to be. E inundo-o de fichas de gramática, nem eu mesmo sei já se com isso pretendo ensiná-lo ou se se trata de uma pequena vingança como represália aos materiais didácticos com que ele me inunda semanalmente.

E é neste pé que temos estado, até que ele fez ontem o teste final do módulo 3. E tirou 10. Quanto a mim, ainda não fiz o teste final da doutrina de Jeová. Sei que ele não me dispensará dele, até porque Jeová que se preze é muito mais chato que qualquer professor de Inglês. E tremo só de pensar que poderei confundir Armageddon com manjedoura ou Sentinela Alerta com Serenella Andrade. (Ele também confundiu him com his e witch com watch…)

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3 de março de 2012

A palavra dos outros

raposaO Estúdio Raposa

Há vários anos que venho seguindo este blogue, o Estúdio Raposa, de Luís Gaspar, o mais profissional, o mais sério e o mais artístico espaço de literatura em suporte áudio que tive a ventura de conhecer. Egoistamente, reservei-o para mim, embora o tivesse colocado, desde o exacto momento em que o descobri, na minha lista de blogues, na banda lateral. Como sei que as nossas listas de blogues nem sempre conseguem suficiente divulgação daquilo que merece ser divulgado, é meu privilégio apresentar aqui um dos mais consequentes trabalhos da blogosfera na área da literatura em língua portuguesa.

Veja-o aqui e navegue-o calmamente. Tem muito por onde e vale certamente a pena. A qualidade de som é absolutamente envolvente.

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29 de fevereiro de 2012

Nem mesmo a revolução é demasiado séria…

Dicionário-Aurelio-para-iPhoneA razão pela qual os portugueses (e os europeus) ainda não fizeram a revolução socialista é que não sabem exactamente em que gaveta está o livro de instruções. Marx tinha um, Bakunine também. A minha mulher-a-dias é quem melhor sabe o que deve ser feito para inverter o percurso negativo da balança de pagamentos. Qual definição shakespeariana de “génio”, ela tem em si todas as regras para a construção de um mundo melhor, sem ter necessidade de ir beber a fontes menos recomendáveis. O meu cão todos os dias me dá lições sobre com quantas patas se constrói a verdadeira felicidade e o próprio primeiro ministro de Portugal também tem um manual de fazer revoluções, embora não saiba como lhe chamar, já que é velho (o livro, claro, e não o ministro) e perdeu a capa. Proponho, para substituir a capa extraviada e, portanto, como nome da revolução de Passos, “revolução neoliberalenguista” ou “a revolução neossocioesclavagista lusitana”.

No entanto, e na impossibilidade de alguém ainda se lembrar, de facto, como se faz uma revolução, acredito que a revolução de que a Europa precisa é uma revolução lexicológica. que é, simultaneamente, uma revolução bakuninista, na medida em que sugere a transformação social a partir de um conjunto de conceitos abstractos e não de um grupo de proletários subalimentados e malcheirosos. Trata-se, portanto, de uma revolução limpa, asséptica, apenas substituindo um império de palavras por um império de outras palavras, e não a esquálida e suarenta revolução marxista, que mais não terá trazido à humanidade que um aumento exponencial na produção de deo colognes.

As revoluções lexicais são eficazes e praticamente gratuitas. Os seus resultados medem-se por descritores e parâmetros que vão do muito bom ao excessivamente excelente, protegendo simultaneamente a alegria no trabalho e a felicidade conjugal. A revolução lexicológica não é mais que uma estratégia de substituição. É só destronar umas palavras e eleger outras em seu lugar. Em vez de dívida externa, elejamos dádiva interna; em vez de coelhos, elejamos beija-flores, em vez de tróica, truca-truca. Substituamos trabalho por tremoços e cansaço por cerveja. Em vez de caderno de encargos, elejamos cabrito com espargos e em vez de fome, escrevamos sempre força. Para austeridade prefiramos mariscadas.

Toparam o sumo da revolução lexicológica? Aposto que amanhã tudo será mais azul (com bolinhas da mesma cor).

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26 de fevereiro de 2012

Dez perguntas de um refinadíssimo ignorante

O Pensador - José Roberto ArrudaVá lá, respondam a um desgraçado que não entende nada de política nem de finanças!

1. Os partidos políticos já foram privatizados, são empresas públicas, clubes ou cooperativas? 

2. Quando os candidatos perdem, quem paga aos fornecedores da sua campanha eleitoral? O povão, o partido, o próprio candidato ou ninguém?

3. Porque é que eu nunca acertei no candidato certo? É falta de sorte ou, na verdade, nunca há candidatos certos?

4. Porque a minha conta bancária não aumenta quando o governo injecta dinheiro no meu banco? E se nenhuma conta cresce, para onde vai o dinheiro injectado nos bancos?

5. Porque é que é nas piores democracias que se forjam as melhores ditaduras?

6. Porque é que todos aqueles que tinham boas soluções já morreram?

7. Porque estamos procurando respostas para perguntas que ainda ninguém fez e ninguém sabe responder a nenhuma das muitas perguntas que já temos?

8. Quando a crise acabar, quem nos ensinará a gastar dinheiro de novo?

9. Porque é que fazer passar uma boa proposta fica sempre tão caro?

10. Porque precisamos sempre de cartazes e de powerpoints e de suportes concretos, lúdicos e mediáticos, para nos fazermos entender? Estamos a falar para burros ou deixámos de saber falar?

(Nota: já obtive uma resposta à pergunta número 4. O dinheiro que é injectado nos bancos é para que eles fiquem com o dinheiro que diziam ter (mas, de facto, não tinham) antes de receber a injecção de dinheiro. Espero obter mais respostas, a fim de iluminar um espírito nadando em trevas, em dúvidas e em dívidas)

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25 de fevereiro de 2012

Outra vez o 7ºA.

alunos-

Tratava-se de uma aula de substituição de Formação Cívica, seja lá o que isso possa ser. A Directora da Turma (que, pelos vistos, lecciona essa matéria) estava a faltar e tinha deixado uma tarefa que consistia em pôr a pequenada a discorrer sobre as alterações de natureza física e psicológica que a puberdade introduz nos corpos e nas mentes dos rapazes e das raparigas. Ao longo dos 45 minutos do total desalinho em que a turma se movimentou, fui recebendo os “trabalhos”, verdadeiras teses de doutoramento com duas ou mesmo três linhas de texto absolutamente original: os rapazes ficam mais musculados – diziam uns; as raparigas têm mais períodos – diziam outras; a voz dos rapazes começa a desafinar – acrescentavam uns; as raparigas ficam mais putas, - acrescentavam outr… Quê? Olhei de novo. Era isso mesmo que lá estava! Incrédulo, voltei a olhar. E era, era mesmo, sem sombra de dúvida.

Larguei a folha rispidamente, como se me queimasse os dedos, não fosse aquilo pegar-se a mim como alforreca. Depois, quase a tremer, levantei-me dali, peguei no molho dos papéis sujos e amarrotados e livrei-me deles na Direcção, tal como estava prescrito no enunciado da DT. Só mais tarde chegou o momento em que pude respirar fundo, pensando como eu era feliz por não ter que decidir o que fazer com aquela eloquente abordagem à questão da puberdade…

Como parece óbvio, não consegui contar este caso a ninguém, para evitar envolver-me nele ou servir de testemunha…

(Só estou a contá-lo aqui, porque tenho a certeza de que nenhum de vocês me acreditará. Afinal de contas, vocês não sabem quem é o 7ºA…)

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12 de fevereiro de 2012

Ouvido aqui e ali

São citações avulsas, algumas das quais nunca foram citadas por ninguém citaçoesalém de mim….

. Não tenhamos dúvidas: quanto mais abundante for a refeição dos ricos, melhor se alimentam os pobres que vivem das migalhas daqueles. Por isso, temos que concluir que precisamos de ricos como de pão para a boca…

. (Corolário de Ary dos Santos: “Só salvamos a pele se formos cães de ricos”)

. Estou a pensar em como as pessoas são, em média, muitíssimo estúpidas. E o pior é que cinquenta por cento dessas pessoas são necessariamente ainda mais estúpidas que a média delas, como é óbvio.

     (Corolário de joao de miranda m.: Estatisticamente, cada um de nós é a média. Não precisamos, pois,  vangloriar por sermos dos menos estúpidos, nem atormentar por sermos dos mais estúpidos.)

. A gratidão é que faz com que o pouco que temos seja mais que suficiente…

     (Corolário de jmm.: a gratidão é o melhor dos alucinogénios legais)

. Todas as pessoas são geniais. Mas se julgarmos um peixe pela sua habilidade de subir às árvores, ele passará toda a vida convencido de que é mesmo estúpido.

. Há duas coisas que são infinitas: o universo e a estupidez humana. Porém, no que respeita ao universo, ainda não tenho a certeza absoluta disso…

. O impossível demora um pouco mais a acontecer.    

     (Corolário de jmm: …independentemente da velocidade com que o possível acontece.)

. A vida pode não ser a festa que sempre desejámos. Mas, já que estamos aqui, que tal aproveitarmos para dançar?

     (Corolário de jmm.: Não sei dançar. Será que dá antes para uns amassos?)

. Se caíres, cá estarei para te amparar. (Autor: O chão).

     (Corolário de jmm.: Há chão e chão, há cair e trambolhão)

. Quando nasceste eras original. Não queiras morrer como cópia.

     (Corolário de jmm.: … a menos que seja Copicanola.)

. Eu acredito piamente nas pessoas boas. O problema é que elas quase não dizem nada.

     (Corolário de jmm.:  Se falam, deixam logo de ser boas.)

.Todos os problemas se resolvem pela lógica. Mas não os podemos resolver com a mesma lógica com que os criámos.

. Liberdade é o direito de estar errado, não o direito de fazer errado.

. Sê tu próprio. Quem mais pode fazer isso melhor do que tu?

     (Corolário de jmm.: o teu clone faz isso melhor e queixa-se muito menos)

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11 de fevereiro de 2012

A grande polémica da lamechice de Passos

egas
Se pesquisarmos pela palavra “piegas” encontraremos, no mínimo, 8 páginas, todas remetendo para comentários mais ou menos boçais, mais ou menos azedos

O fait-divers da pieguice, tal como todos os outros faits-divers dos nossos políticos, voltou a ser aproveitado no mau e no bom sentido. Foi aproveitado no mau sentido quando o povo, por pura pieguice, deixou de dormir naquela noite, revoltado contra o insultuosíssimo vitupério proferido pelo nosso atrapalhado primeiro-ministro. Foi aproveitado no bom sentido, quando o mesmo povo se aplicou à produção de piadas mais ou menos cretinas, mas piadas, enfim, e uma piada é sempre muito bem vinda, mesmo quando pobre e subalimentada. Entre estas está a introdução da palavra Piegas como nome do meio (Francisco Piegas da Silva Lopes), ou o facto de muitos dos que ostentavam desde o baptismo o nome de Viegas passarem a escrever Piegas nas redes sociais. Primárias? Sim, claro, primárias, mas simpáticas na sua ingenuidade. A cereja das larachas chegou-nos, enfim, com o cartoon do Becas e do Egas que se sentia muito 3,1416…

E pronto. Seria suposto terminar a polémica 24 horas depois. Mas não. Se pesquisarmos pela palavra piegas encontraremos, no mínimo, 8 páginas, todas remetendo para comentários mais ou menos boçais, mais ou menos azedos, todas empolgando o insultuoso epíteto aplicado pelo primeiro-ministro ao seu sentimentalóide povo.

Mas eu não. Eu jamais chamaria piegas ao povo. Eu chamo ao povo é BESTA de carga, isto para ser politicamente correcto. Besta de tiro, mas com orelha assombrosamente sensível à mosca e à

palavra “piegas”.

Quando será que o cretinismo militante deste povo lhe permitirá fazer as perguntas certas, ouvir as pessoas certas, ler os livros certos, seguir os raciocínios certos, para tentar descobrir de vez se há, de facto, ou não, uma solução plausível para o país, para além da pieguice de Coelho ou da miséria financeira do Senhor Presidente da República?

Afinal, há solução para nós, povo burro, ou não? Quem tem uma? É boa? É viável? Se há, se é, deitemos abaixo Passos e Merkel e restantes chibos anacreônticos. Se não há, agradeçamos a Passos Piegas Coelho pelo facto de, pelo menos, ter uma.

E, com pieguice ou sem pieguice, com presidentes sem dinheiro para alfinetes ou um país sem dinheiro para os alfinetes do presidente, ou alfinetadas tolas no governo ou no presidente, ou piadas de péssimo gosto a acentuar mais e mais a burrice deste povo cronicamente estúpido, que nada vê do que acontece e jamais entende o que acontece, mesmo quando o vê, façamos todos, vá lá, um pequeno esforço de inteligência para compreender que tempos e que modos serão estes.

Entender não passa por perder tempo com pieguices e faits-divers. Entender exige trabalho, esforço mental, estudo, perspicácia e análise profunda de todos os indícios disponíveis. (E estes são, de facto, muitos, escondidos atrás das cascas de banana com que nos vão atravancando o caminho…)

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6 de fevereiro de 2012

Professores quebradiços

professor indisciplinaEu? Mandar alunos para a rua? Nada disso! Não estou interessado em levar uma cachaporra de um bando de ciganos. (Ah, desculpem, isto é racismo ou xenofobia ou sarampo ou lá como isso se chama). Nem sequer sei quem bate com mais força, (eu ignorantão de surras, de tareias e de esmurrações) se são os ciganos ou os gadjos…

Sei lá que punhos ou coices são mais demolidores das carcaças dos professores da escola pública nacional! Sei lá disso, eu, que até hoje, em 32 anos de ensino, nunca apanhei a sério. (Quando andei na tropa em Mafra, levei uma vez duas chumbadas no cu, dadas por um sargento miliciano com uma espingarda de pressão de ar. Dois buraquinhos sem importância, ladeando o que, por natureza, já lá estava. Mas essa operação de charme nunca mais se repetiu.)

Mas, se nos meus 32 anos de ensino nunca apanhei, já vi apanhar! Uma vez, foi um doutor de leis que esmurrou um colega meu novato e inexperiente. Outra vez foi um médico muito conceituado que mandou um tremendo estaladão em outro colega (estaladão de médico é demolidor, como devem saber). Há dias foi um de Matemática que foi surrado por ciganos (bolas, lá estou eu de novo todo xenófobo, rácico ou parkinsónico ou lá que diabo de coisa é essa).

Racista e sem razão, porque nem sequer sei quem bateu melhor (quero dizer, pior), se foi o causídico, o sangrador ou a ciganada. O professor de Matemática foi, dos três professores, o que mais maltratado ficou, mas isso não prova que o desancar dos ciganos seja pior ou melhor que o dos doutores brancos. O caso é que os brancos agiram individualmente, por conta própria, cada um com a sua vítima, ao passo que os ciganos eram três, agindo de modo organizado, esmurrando de modo científico, e eram todos muito jovens. Já se sabe que um jovem, por vezes, não tem bem a noção da força com que bate. E a vítima, neste caso, era um velhote da minha idade, frágil e quebradiço como todos os velhotes. E este apresentava ainda uma debilidade maior, por ter passado 34 anos a tentar ensinar Matemática a ciganos! (Caramba, desculpem de novo a minha racicidade, parkinsonidade xenofobia ou sarampo ou lá o que isso possa ser…). Quanto à apregoada diferença de idades entre agressores e agredido, tudo não passa de pura demagogia, visto que quer um quer outros tinham exactamente a mesma idade: O professor tinha 60 anos e os três agressores também (vinte anos cada um). 

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5 de fevereiro de 2012

repescando tralices

02-relogio bCantar ao fado a dois tempos (mas desafinado)

Era o tempo de Sócrates ainda fresco no poleiro, poleiro limpo ainda, penas alisadas, rabo colorido, crista refulgente, soberba. Mas já se vislumbrava, com ele e com Maria de Lurdes, o início imparável do ataque sem precedentes à classe docente.

Este é o segundo texto deste blogue. Foi postado em 30 de Janeiro de 2007. Já lá vão 5 anos. (O tempo, parecendo que não, foge-nos depressa. É cavaleiro andante, sobre cavalo sem rabo, calvo na traseira parte da cabeça. Mas eu pego-o por uma das patas, no blogue…) 

Para recordar aqui.

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