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11 de fevereiro de 2012
6 de fevereiro de 2012
Professores quebradiços
Eu? Mandar alunos para a rua? Nada disso! Não estou interessado em levar uma cachaporra de um bando de ciganos. (Ah, desculpem, isto é racismo ou xenofobia ou sarampo ou lá como isso se chama). Nem sequer sei quem bate com mais força, (eu ignorantão de surras, de tareias e de esmurrações) se são os ciganos ou os gadjos…
Sei lá que punhos ou coices são mais demolidores das carcaças dos professores da escola pública nacional! Sei lá disso, eu, que até hoje, em 32 anos de ensino, nunca apanhei a sério. (Quando andei na tropa em Mafra, levei uma vez duas chumbadas no cu, dadas por um sargento miliciano com uma espingarda de pressão de ar. Dois buraquinhos sem importância, ladeando o que, por natureza, já lá estava. Mas essa operação de charme nunca mais se repetiu.)
Mas, se nos meus 32 anos de ensino nunca apanhei, já vi apanhar! Uma vez, foi um doutor de leis que esmurrou um colega meu novato e inexperiente. Outra vez foi um médico muito conceituado que mandou um tremendo estaladão em outro colega (estaladão de médico é demolidor, como devem saber). Há dias foi um de Matemática que foi surrado por ciganos (bolas, lá estou eu de novo todo xenófobo, rácico ou parkinsónico ou lá que diabo de coisa é essa).
Racista e sem razão, porque nem sequer sei quem bateu melhor (quero dizer, pior), se foi o causídico, o sangrador ou a ciganada. O professor de Matemática foi, dos três professores, o que mais maltratado ficou, mas isso não prova que o desancar dos ciganos seja pior ou melhor que o dos doutores brancos. O caso é que os brancos agiram individualmente, por conta própria, cada um com a sua vítima, ao passo que os ciganos eram três, agindo de modo organizado, esmurrando de modo científico, e eram todos muito jovens. Já se sabe que um jovem, por vezes, não tem bem a noção da força com que bate. E a vítima, neste caso, era um velhote da minha idade, frágil e quebradiço como todos os velhotes. E este apresentava ainda uma debilidade maior, por ter passado 34 anos a tentar ensinar Matemática a ciganos! (Caramba, desculpem de novo a minha racicidade, parkinsonidade xenofobia ou sarampo ou lá o que isso possa ser…). Quanto à apregoada diferença de idades entre agressores e agredido, tudo não passa de pura demagogia, visto que quer um quer outros tinham exactamente a mesma idade: O professor tinha 60 anos e os três agressores também (vinte anos cada um).
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5 de fevereiro de 2012
repescando tralices
Cantar ao fado a dois tempos (mas desafinado)
Era o tempo de Sócrates ainda fresco no poleiro, poleiro limpo ainda, penas alisadas, rabo colorido, crista refulgente, soberba. Mas já se vislumbrava, com ele e com Maria de Lurdes, o início imparável do ataque sem precedentes à classe docente.
Este é o segundo texto deste blogue. Foi postado em 30 de Janeiro de 2007. Já lá vão 5 anos. (O tempo, parecendo que não, foge-nos depressa. É cavaleiro andante, sobre cavalo sem rabo, calvo na traseira parte da cabeça. Mas eu pego-o por uma das patas, no blogue…)
Para recordar aqui.
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4 de fevereiro de 2012
Panem et circenses
Sim, mas isso era na Roma antiga, na Roma esclavagista, há perto de três milénios. Aqui, nesta democratíssima sociedade lusitana, nesta barcarola sem rumo, nem panem, nem circenses. O pão já nos foi roubado da boca para dar aos abutres. O circo, acaba de nos ser vedado com o corte do direito ao Carnaval.
Eu acho que o primeiro ministro devia pensar melhor. Roubar-nos a dignidade, o pão, o trabalho, o salário, a casa, encher-nos de impostos, de taxas, de multas, de opróbrios, de angústias, de tristezas e de depressões, enfim, inviabilizar-nos qualquer forma de existência aceitável será perfeitamente suportável por este povo que deixou há muito de sentir. Mas, senhor primeiro ministro, tirar-nos o dia do ano em que podíamos gozar livremente com a sua cara, e a dos outros parvalhões que nos governam, isso é que não pode ser.
(Vá por mim, isso pode fazer ruir o resto do império, homem…)
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26 de janeiro de 2012
sobre presidentes, lugares comuns, simbolismos, tretas, por aí…
O presidente da república disse primeiro e pediu desculpas depois. Faz sentido. É a ordem normal das coisas. Mas eu, o anormal da blogosfera, estou neste momento a pedir desculpas a todos os meus leitores por tudo o que vou dizer a seguir.
Em primeiro lugar tudo aquilo que o Presidente da República disse não passa de abobrinha. Não tem nenhuma relevância política nem, por si só, poderia jamais ensombrar qualquer relação entre um presidente e os seus súbditos. Seria um simples descaso, prontinho para passar despercebido e enfiar na gaveta do esquecimento, não fosse a paranóia colectiva que atacou duro este povo bipolar. E foi então que a blogosfera e as ditas redes associais evidenciaram todo o azebre que lhes cobria os amarelos (trata-se de um sucedâneo da imagem recorrente do estalar de verniz, mas em versão metaloide). E vai daí, inventaram aquele expediente primário, típico da parolografia mais refinada que esta nação pariu ultimamente, expoente máximo do jumentismo mais saloio (estúpido simbolismo que ainda não abandonou de vez a literatura e a ignorância populorum), de ir deixar moedas no palácio de Belém.
Não votei Cavaco, não o defendo, não o entendo. Acho-o, de facto, um pouco irrelevante. Não levo muito a sério quase nada do que ele diz, já que não diz nada de verdadeiramente inesperado, vívido, revolucionário, romântico, criativo, sério, oportuno. Em Cavaco, o lugar-comum é um lugar sentado e eterno…
Mas apareceram na televisão os cretinos que vinham depositar as moedas no chapéu do presidente, cheios do mesmo discurso simbolista do homem necessitado a quem vêm prestar o caritativo auxílio. Meu deus, (que deves estar no céu porque aqui já não dá mais) que nem a fazer piadas estes tipos a têm. Deve ser coisa de humor retrasado de revista decadente que, tal como o ubíquo simbolismo, ainda acha que é coisa fina. Não suporto os simbolistas, não por não os entender (o simbolismo é a mais primária das manifestações de comunicação), mas exactamente pela sua inerente deprimência.
E os polícias, cujas caras não abonam em favor da inteligência (embora não pretenda com isto insinuar qualquer relação de causa e efeito entre aquela e a bobinóide expressão do olhar), não quiseram receber o dinheiro. Já não falo das galinhas e dos ovos, e das nabiças e do casqueiro que os solícitos cidadãos levaram a Sua Ex/a, que o Solar de Belém não é uma cortelha qualquer, porra. Isso não! Mas o dinheirinho Sua Ex/a devia mandar aceitar, providenciando quantos alforges ou chapéus fossem necessários para recolher as dádivas. No fim do dia, poderia aparecer numa das janelas agradecendo ao povo (ambas as mãos içadas em estilo papal) por tão bondoso, patriótico e clemente (e molóide) gesto.
Não preciso pedir desculpas agora. Já o fiz no início.
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8 de janeiro de 2012
Somos inabaláveis, praticamente eternos…
Quando chegarmos ao fim do corrente ano, teremos a certeza total da nossa evidente indestrutibilidade - teremos subsistido à crise económico-financeira. Se não nos ocorrer uma camoeca de facto definitiva (como, por exemplo, a morte), teremos sobrevivido a um ataque que supúnhamos não deixar pedra sobre pedra. Mas sobreviveremos, vocês vão ver. Existem indícios e provas nada despiciendas da nossa invencibilidade. Vocês lembram-se do fascismo? E da democracia parlamentar? Ora bem, até agora, sobrevivemos a ambos. E do disco-sound? Quem imaginaria que poderíamos sair ilesos dele? E da música do João Pedro Pais? E das arengas de Sócrates? E do apanhar de cabelo de Pedro Passos Coelho? E da casa dos segredos? E…? E…? …
Não, nada mais nos pode molestar. Nem mesmo esses gerontófilos, comedores de velhinhos e das suas pelintríssimas reformas, nem os mercados, nem os mercadores e mercantilistas acéfalos que compram, vendem, alugam, trocam e revendem a força de trabalho, lavam dinheiro e se embebedam da infelicidade alheia.
Todos eles sucumbirão, eles e as suas bonifrateiras teorias económicas, o seu medonho servilismo à pata capitalista que tudo arrasa… Eles sucumbirão e nós permaneceremos imutáveis, embora aturdidos, como bois na arena depois de rabejados.
(Quem sabe, alguém desembola de vez os nossos cornos…)
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7 de janeiro de 2012
Ouvido aqui e ali
- Queixo-me dos pulmões, Sr. Dr.
- Bem, vamos fazer uma radiografia.
- O Sr. Dr. quer que eu tire o casaco?
- Não! Deixe ficar o casaco, por favor.
- Mas o Sr. Dr. não quer ver se eu tenho alguma coisa nos pulmões?!
- Primeiro, quero ver se tem alguma coisa na carteira. Se der positivo, veremos então se tem alguma coisa nos pulmões.
- Ah, mas eu não tenho a carteira no bolso do casaco. Tenho-a no bolso das calças.
- Já podia ter dito que afinal o seu problema é nas ancas...
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6 de janeiro de 2012
povo que lavas no rio…
O povo português é neoliberal e neo-estúpido.
Em primeiro lugar, fico obrigado a definir o que é o povo, já que se trata de um conceito muito elástico, Conceito-saco-de-sarapilheira, estica até o infinito, abarca quase tudo, desde o agricultor pobre ao assalariado miserável, do pequeno-burguês proletarizado ao profissional liberal sem crédito nem cliente, do comerciante atrapalhado ao padre-ide-em-paz, do professor-tá-bem-mas à prostituta-trinta-euros. Ecce lusum populum! E foi esse povo que, em todos os patamares votou neoliberalismo, em todas as barracas brandiu alaranjado pendão, em todos os andaimes clamou por Coelho. Tudo na esperança de uma enxerga mais mole, uma ração de aveia ou uma albarda nova.
O povo português é neoliberal e neo-burro. Meu bom povo, já estás de cilha e cabresto, dois grandes alforges te pendem do espinhaço. Já podes ir à bosta…
Post 809
29 de dezembro de 2011
Obsessões do meu ipod (31)
Alguém chamou a isto “accordgasm”. E, de facto, assim parece. É um jovem ucraniano, de nome Alexander Hrustevich, que assim interpreta um trecho do Verão de Vivaldi.O tremelicado é muito mais fácil de fazer com um arco de violino do que com o pesado fole e chave de baixos de um acordeon.
Post 808
27 de dezembro de 2011
Preparando os cursos da primavera
O Tralapraki, num apelo irresistível à cultura do país (e também das pessoas que estão dentro dele), apresenta desde já o seu boletim de primavera relativo aos cursos seguintes:
FILOSOFIA I - Teologia das Conveniências
Sumário: Uma primeira abordagem a Deus (mas de modo que Ele não se aperceba). Explicação sumária do mistério da Santíssima Trindade e do mistério das finanças públicas. Você, por acaso, sabe que diabo se passou com o dinheiro? Eu também não sei, mas o idiota que vai dar este curso deve saber. Saiba ainda por que razão não existe mérito nenhum no facto de Deus escrever direito por linhas tortas. Qualquer aluno faz o mesmo, não só em relação ao Direito, mas em relação a todas as outras disciplinas... Vocês já viram a caligrafia do Nuno? E as Traduções do Inglês que ele faz?
Mecânica e Electricidade II
Sumário: Você sempre quis saber a razão por que não se pode fritar um ovo numa guitarra eléctrica ou enviar uma mensagem curta (sms) com um massajador íntimo? Aliás, você nem sequer sabe o que é um massajador íntimo. Fique sabendo que não se pode enviar uma sms com um destes massajadores, pelo simples facto de que o massajador íntimo já é, em si mesmo, uma bela mensagem. Agora V/ pode aprender tudo isso e muito mais, sem sair de casa e, com um pouco de sorte, sem mesmo sair da cama.
Sexualidade III
Sumário: Procedimentos para conseguir um pénis mais apelativo e, portanto, uma conta bancária maior. Este curso ensina-lhe com quantos paus se faz uma canoa e com quantas varas se faz uma camisa de onze varas, sem esquecer a verdadeira função do pau de virar tripas. Tudo à tripa forra. Você tem a certeza de que sabe usar um preservativo, ou, pelo menos, de que contratou uma parceira que sabe? Modos de pescar preservativos, quando eles ficam lá dentro. Para os mais jovens, o curso apresenta uma interessante introdução ao órgão genital feminino, numa perspectiva cavaleira.
Literatura Medieval IV
Sumário: As Cantigas de Amigo e as Queixas de Marido, de João Ruiz do Castelo do Bode. Os Alunos são encorajados a escrever e enviar uma Cantiga do Bandido à esposa boazona do grandão que mora por cima. Todo o material do curso é gratuito, inclusive a escada de emergência, a manga de bombeiro e uma caixa de primeiros socorros.
Introdução à Biologia e Miudezas II
Sumário: Este curso ensina tudo sobre aqueles órgãos de que ninguém fala porque nunca dão chatices: glândulas vilas molenas (José Afonso em Mandarim), fígado de bacalhau, pé de atleta, mão de vaca, palma de maiorca, espírito de porco, nove e tal, calcanhar de aquiles, corações de atum, tripa forra, língua da sogra, etc. Fique a saber a razão por que temos um baço e não temos um lustroso. e que quanto mais baço é o baço, menos transparentes são as atitudes dos nossos políticos.
Você sabia que há homens que têm umas glândulas mamárias fantásticas, mesmo ao seu lado, e não sabem o que fazer com elas, e até conseguem adormecer? E que, pelo contrário, há outros que não têm nada que preste e que, mesmo assim, ficam em casa todas as noites, e fazem milagres?? Pense nisso e sinta a tranquilidade de saber que o mundo nunca se vai virar. Boas aulas.
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26 de dezembro de 2011
O ano que aí vem
O nosso Primeiro-ministro afirmou que 2012 é o ano de todas as reformas e que tudo ficará pior antes de melhorar. E aquilo pareceu-me um comentário de Ehrman ou um corolário de Murphy. Cá por mim, não tenho expectativas negativas sobre o próximo ano, pois considero que expectativas negativas dão resultados negativos, ao passo que as expectativas positivas também. “Tudo ficará pior antes de melhorar” é um corolário puramente mecanicista, já que não nos são fornecidas dinâmicas e momentos de mudança. Tudo bem, sabemos que há uma tendência para o dia dar em noite e o preto dar em branco (como ficou provado em Michael Jackson) e que ao pé de um alto está sempre um baixo. O problema é saber quanto precisam as coisas de piorar para depois melhorar ou, dizendo de outro modo, quanto precisaremos ainda de empobrecer neste nosso caminho para o enriquecimento. E agora tudo isto me recorda uma banda desenhada de Malpertuis, onde um homem passa dezenas de quadrinhos a descer escadas de modo compulsivo, até que, no último quadrinho, chega finalmente ao topo de uma torre, de onde avista um estonteante horizonte…
Quanto às reformas apregoadas, não poderia estar mais de acordo. É preciso mudar tudo, para que tudo fique igual. Se deixarmos as coisas como estão, elas tenderão a modificar-se sozinhas, embora não necessariamente para pior. Obviamente, há que mudar muita coisa, sobretudo o que já está suficientemente bem. Se todas as coisas que estão bem forem mudadas, não correremos o risco de que elas piorem por si mesmas, antes teremos a certeza de que fomos nós que as piorámos, o que não deixa de evidenciar um ascendente de nós sobre as coisas.
Enfim, acabei agora mesmo de ver na TV que a crise acaba, de facto, no próximo ano. Mas também é no próximo ano que acaba o mundo. Seria de espantar que a crise sobrevivesse ao fim do mundo. Prefiro que o mundo sobreviva ao fim da crise, nem que eu tenha que pagar mais uma multa por isso…
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23 de dezembro de 2011
Será avaria?
Hoje, quando acordei, acendi o candeeiro da mesa de cabeceira e reparei que a luz está mais amarelada…
Post 805
21 de dezembro de 2011
Exame de Português para o 11º ano Profissional
Alvo: Alunos do 11º ANO, FINALISTAS A TENDER PARA O PRE-UNIVERSITÁRIO
Nome _____________Nº____ Turma ____
Notas: 1. É provável que não reconheças a sala onde estás, pois desta vez, como podes ver, há dois gajos na secretária, em vez de um. Não fiques preocupado pelo facto de eles não estarem a fim de falar contigo, nem de te aborrecer com o trabalho de casa. Milagres acontecem.
2. É aconselhável que estejas sentado no lugar certo e à hora certa, sem o que poderás perder definitivamente o ensejo de executar a prova e de chegares a tempo ao almoço. Repara se tens à tua direita o Francisco Pé de Vento, à esquerda o Nuno Alguidares, atrás de ti deve estar a Mónica Lupas e à tua frente a tua vizinha Sarita, aquela das mamas grandes. que uma vez te pediu para ires ao cinema com ela e tu confundiste e foste parar à Baixa da Banheira, ainda hoje não sabes bem como.
3. Coloca em cima da mesa os teus objectos pessoais: telemóvel, skate, gameboy ou nintendo, dois ou três cds com as cascas rachadas, etc, para te sentires mais reconfortado. Se tiveres um bilhete de identidade, podes colocar também. Não te esqueças que aqui tens mesmo que escrever com caneta ou esferográfica e não com corrector. Tenta acertar no papel de prova que está à tua frente. Boa sorte.
I. LÊ O TEXTO QUE SEGUE: (texto é esse amontoado de palavras que vem a seguir. Podes reconhecê-lo facilmente porque te dá náuseas e pode trocar-te os olhos).
TEXTO >>> Olha, Marília, as flautas dos pastores
Que bem que soam, como estão cadentes!
Olha o Tejo a sorrir-se! Olha, não sentes
Os Zéfiros brincar por entre as flores?
(Ufa, pronto, acabou. Agora vem aí uma caixa com vocabulário, ok?)
Caixa com vocabulário:
Flautas = Instrumento parecido com um pau, que se toca soprando numa das pontas.
Pastores = Aqui, não são padres. São uma espécie de zombies que andam sozinhos pelos montes, atrás das cabras e tocando as tais flautas. Seria mais incómodo levarem o piano de cauda da tua tia Gioconda.
Cadentes = afinadas, ao compasso. (é música, portanto)
Tejo = Não, não é o teu cão, embora, por vezes, ele pareça que, de facto, sorri. O Tejo é um rio que fica lá para o sul.
Zéfiros = O teu Professor também não sabe o que são, mas não deve ser nada de macho, pelo jeito com que brincam com as flores.
I. AGORA TENTA RESPONDER A ESTAS PERGUNTAS. BASTA ESCOLHERES A QUE TE PARECE MELHOR, POIS O IDIOTA DO TEU PROFESSOR JÁ RESPONDEU E NEM SEQUER SE APERCEBEU DISSO:
1.1. Gostaste do texto?
A) Gostei muito, embora não tenha compreendido tudo.
B) Acho que sim, porque a Mónica estava contente e ela é boa nisto.
C) Gostei mais ou menos, mas podia ter mais acção.
D) Sim, gostaste. (No caso de optares por esta, repara que a pessoa do verbo poderá estar incorrecta)
1.2. Quem é Marília?
A) É a minha prima de Barrô.
B) É a prima do Camões
C) É a prima do Bocage
D) É uma tipa qualquer que andava por lá atrás das cabras.
1.3. Serias capaz de escrever um poema como este?
A) Não. Nunca teria coragem para tanto.
B) Numa boa. Eu sou muito cencíbel à poisia.
C) Talvez.
D) Nenhuma das anteriores, nem das seguintes, se as houvesse.
COMPOSIÇÃO (Composição é um emaranhado de palavras, mas, desta vez, escritas por ti. Tenta colocá-las umas atrás das outras, hierarquizando o teu texto e usando, se possível, o sujeito, o predicado e os complementos directo, indirecto e circunstanciais, se os houver. No entanto, evita colares-te demasiado à fórmula que te sugiro, escrevendo, por exemplo: "O sujeito predicou um complemento directo ao complemento indirecto, lá no complemento circunstancial de lugar". Esta frase, embora correcta na sua estrutura, não apresenta muita criatividade.)
II. Agora, para terminar, (pois já estás aqui sentado há mais de uma hora e deves estar ansioso por ires relembrar como era o sol), escreve qualquer coisa para o idiota do teu professor se entreter no fim de semana. Não o massacres muito, e tenta entender a mania que o tipo tem de querer ver as palavras todas direitas. Faz-lhe a vontade, com os diabos, um dia não são dias e eu sei que tu és bondoso quando te esforças.
Se não te lembras de nada importante, telefona ao teu pai, à tua prima Marília ou ao teu tio Faustino que sabe histórias à brava. Além disso, há quanto tempo é que não ligas ao teu tio Faustino? Aproveita e pergunta-lhe se está melhor da perna que tu lhe partiste a semana passada com um toquezito sem importância. (Os mais velhos têm tendência para serem quebradiços).Tenho a certeza de que o teu tio vai ficar tão sensibilizado como tu ficaste quando lha partiste...
Lembra-te: deves escrever, pelo menos duas linhas e não podes entregar o cd que trouxeste, em vez do papel da prova.
As provas são anónimas. Escreve o teu nome só no cabeçalho da prova, mas faz um desenho qualquer e depois diz ao teu professor o que fizeste, para que ele possa reconhecer a tua prova e dar um jeito de te passar mais facilmente ainda.
(Boa sorte e, se por acaso estiveres com a tua prima Marília, diz-lhe que o Tomaz Dirceu Gonzaga quer fazer um poema com ela, uma noite destas…)
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19 de dezembro de 2011
… que venham de novo os “paus”
Se por algum motivo, ou mesmo por mais do que um motivo, tivermos que abandonar o euro, isso não fará grande mossa nas nossas vidas. Todos temos melhores recordações do escudo que do euro. O euro nunca foi muito popular na minha aldeia. O que eram 100 escudos? (100$00, lembram-se?) Ora, cem escudos eram cem paus, cem marrecos, cem marreis, etc, enfim, o escudo tinha milhentos apelidos, cada um mais carinhoso que o outro. E 100€? O que são 100€? São só cem aéreos (que metade da nossa população nunca lhe soube sequer dizer o nome, e a outra metade nunca soube quanto realmente valiam).
Que venha o escudo, assim mesmo, o escudo ou o pau, enfim, o luso, o magriço, o tuga, o Zé, qualquer coisa será melhor que o euro. O euro só nos trouxe dores de cabeça. Convenceu-nos de que éramos ricos, pôs uma dúzia de ovos a valer 400 paus e a gente pagou, quando 5 paus chegaria para pagar cada ovo. Que venham, pelo menos, 150 marreis por cada aéreo e seremos felizes. Muito mais do que somos agora… Tenho dito! Post 803
18 de dezembro de 2011
Da (in)disciplina (2)
Post 802 (Imagem daqui)
(Contado por Eleutério Santos)
16 de dezembro de 2011
Da (in)disciplina (1)
As escolas têm vindo a produzir documentos, mais ou menos estóicos, para tentar acabar com a indisciplina no sistema. Chegou ao meu Grupo um desses documentos. Foi analisado, dissecado, verberado, aplaudido, vilipendiado, exaltado. Ninguém se entende lá muito bem neste campo lodoso.
Era todo falinhas mansas, que isto de mexer na espúria requer tacto. E tudo pela positiva, porque os pais das “criancinhas” nunca aprenderam a forma negativa dos verbos. Em vez de simplesmente “não perturbar o andamento da aula”, lia-se “evitar perturbar o andamento da aula”. E assim por diante…
Não pensem que não aplaudi o documento. Ah, como aplaudi! Reconheci nele um texto medricas, nada impositivo, como a pedir perdão por simplesmente existir. Mas era a primeira vez que um normativo mais ou menos sério era produzido. Era o primeiro reconhecimento de que há indisciplina e de que esta é incompatível com qualquer aprendizagem robusta. Saudei o texto porque aconteceu e se mostrou a todos. Desprezei-o, no entanto, por se acanhar e humilhar na forma de dar ordens, como se “cumprir” continuasse a ser apenas uma conveniência e jamais uma obrigatoriedade. Mais uma vez se deixava ao critério dos professores a responsabilidade de agir em conformidade, sendo que “agir em conformidade” significa, ainda e sempre, tratar cordialmente potenciais malfeitores, como se de criancinhas inocentes, indefesas e desorientadas se tratasse.
O texto, embora finalmente coeso e atlético à defesa, continuava a tropeçar nas pedagogices e a borrar-se todo no ataque. E quando um texto baixinho se borra, inevitavelmente nos caga os calcanhares… (continua)
(Imagem daqui) Post 801
8 de dezembro de 2011
repescando tralices
Continuo a defender a escola pública una e vertical, avessa a fragmentarismos e competições bestas. O momento é, de novo, propício para relembrar isto, já que as escolas, feitas pequenas e médias empresas, refregam por melhores rankings, melhor nome na praça e melhores mercados. O mercantilismo na escola estatal alcança hoje uma taxa de defensores deveras preocupante…
(Imagem daqui) Post 800
5 de dezembro de 2011
Correcção ao post anterior
Afinal, foram apresentadas as gradações. Os cortes nos subsídios vão ser gradativos a partir dos seiscentos euros. O governo reconhece que seiscentos euros já é um bom salário (afinal são cento e vinte contos, que não é para qualquer um) e já vai prescrevendo um corte, ainda que ligeiro, aos intrigantes e obsoletos subsídios.
A partir de mil e cem, ninguém vê o padeiro. Isto alegra-me sobremaneira, visto que o pão engorda e, finalmente, sei, de um saber beatífico e comiserativo, que pertenço ao clube dos ricos e que poderei contribuir para derrotar a crise. E derrotar é sempre bom, nem que seja ao garujo*. Como ganho acima desse salário (e não admito que me venham, com risinhos abéculas, dizer que só ganho mais cinquenta ou cem acima disso, isso não importa, o que importa é que sou, definitivamente, rico) estou eterna e irretornavelmente colocado no clube dos heróis que, com a dádiva de dois subsídios anuais, farão um novo vinte e cinco de abril, cinco de outubro, vinte e cinco de novembro, primeiro de dezembro ou vinte e cinco de dezembro, que é quando um homem quiser…
Não só enaltecerei o egoooooooo, como salvarei o país, com tudo o que tem dentro dele, barcos e charéu e castanhas e azeite e lulas e potas e vinho verde e mafias e digeis** e portagens e ainda criarei um montão de feriados para ir passear aos domingos no supermercado***. A vida é bela e deus sabe o que faz.
*jogo de cartas ao garoto.
**tipos que põem discos nas boîtes.
***às vezes empolgo-me um bocado com a escrita…
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2 de dezembro de 2011
A grande clivagem
A sociedade não está dicotomicamente dividida entre ricos e pobres. Nem entre feios e bonitos, nem entre inteligentes e estúpidos, nem mesmo entre sexualmente bem e mal dotados, embora esta última clivagem seja, entre todas, de longe a mais constrangedora. Não há mais maniqueísmo em nenhum destes tópicos. Todos somos diferentes na igualdade e semelhantes na diferença. Todos nos deixamos penetrar (em todos os sentidos, excluindo o sexual, por enquanto) por amplas gradações dos mesmos descritores sociais, todos partilhamos todos os parâmetros, todos comungamos do mel e do fel pessoal e social e não parece haver mais purezas absolutas, identidades perenes, individualidades monolíticas. Somos uma contaminação colectiva, embora não necessariamente recíproca.
Mas há uma dicotomia que prevalece. Só uma. A que separa os cidadãos que vão receber décimo terceiro e décimo quarto meses dos que nem a cor lhes verão. Ou, por outras palavras, há a fronteira inexpugnável entre as pessoas que recebem 1099 euros e as que recebem 1100. Os primeiros receberão por ano mais dois salários de 1099 euros (um total de 2198 euros) o que perfará 15 386 euros anuais. Os segundos terão auferido, no final do ano, apenas 13 200 euros, apesar de pertencerem ao grupo dos mais favorecidos, ou seja, os que ganham uns fabulosos 1100 euros. Ficou complicado? Maniqueísmo é complicado, senhores…
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28 de novembro de 2011
Um Feliz Meio Natal
O tralapraki deseja a todos os seus leitores, e a todos aqueles a quem o seu atrapalhado autor deve lealdade, reconhecimento, amizade e dinheiro, um feliz Meio Natal, meio cheio de felicidade, alegria e subsídio…
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O Burro de Orwell