8 de abril de 2011

idiotas

idiotaOs nomes seguintes pertencem todos a pessoas que considero uns perfeitos idiotas:

1.* ______________________________________________

2.* ______________________________________________

3. *______________________________________________

4.* ________________________________________________________________

5.* ________________________________________________________________

* A lista, obviamente, não está completa. Prometo completá-la logo que seja bafejado com o Euromilhões. Poderei, então, escrever todos os nomes que, por enquanto, entopem o meu esófago (por dificuldade em os engolir e medo de os vomitar).

  Post 733       (Imagem daqui)

7 de abril de 2011

Os primos e eu…

eleicoes-20081 Vêm aí mais eleições. (Agora é todos os anos). Fica aí essa penetrante análise, para vosso governo (?).

Passos Coelho é muito parecido comigo quando fui Coordenador de Departamento: mandava os meus bitaites todos os dias, mas quem mandava realmente era quem me tinha lá posto. E eu continuava a mandar bitaites, e todos éramos muito felizes só por imaginarmos todos que o éramos.

Sócrates é como o meu primo Valter: é vendedor de sanitas mas também faz fotografia artística e livros de autor com badana e tudo, capa rija e isenção de IVA.

Portas é como eu quando não sou Coordenador de Departamento nem tenho qualquer outro cargo: acho que tudo está mal e que todo o trabalho desses órgãos é absolutamente imprestável.

Jerónimo é um homem honesto, no sentido mais vacilante do termo. É tal e qual o meu primo Zé Tó. Motorista de uma locomotiva há muito parada, olha

pela janela a ver se algum transeunte lhe dá um empurrão. Mas se alguém lho der, ele salta fora da máquina mal ela pegue…

O Francisco é como o meu primo Basílio: açougueiro de profissão, bota faladura requintada sobre as carnes que vende, sem no entanto fazer ideia da sua verdadeira proveniência. Espreita a rua através das fitinhas coloridas da sua porta estreita e, se alguém entra é freguês, ainda que seja um vega que ali entre por engano.

O FMI não sei quem é, apesar de já me ter cruzado com ele uma ou duas vezes. Só sei que faz muito bem ao país e muito mal às pessoas que vivem dentro dele…

Mais coisa menos coisa, temos que escolher entre aqueles líderes, como se estivéssemos, de facto, a escolher entre mim e os meus primos Valter, Basílo e Tó Zé. A diferença não seria colossal. Provavelmente, nem perceptível.  

Post 732    (Imagem daqui

6 de abril de 2011

censo censório?

censusDesobriguei-me do censo no domingo passado. Com toda a boa vontade que consegui mobilizar, lá respondi ao inquérito. Porém, ontem mesmo ouvi dizer que o INE estava a pensar retirar uma pergunta do referido inquérito, aquela em que queriam saber quem é que eu tinha cá em casa a dormir no dia 21 de Março. Não se faz. Não está certo que retirem essa pergunta, por sinal uma das mais interessantes de todo o questionário. Não está certo ainda por outro motivo: que justiça haverá em dispensar de lhe responder todos os que acederem ao censo depois de mim? Onde fica a minha pequena vingança? Não está certo subtrair esse pequeno embaraço aos que responderem a partir de agora, só pelo facto de serem menos pontuais que eu, caramba. Sim, porque eu também quero saber como eles lidam com isso. Quero saber se eles são capazes de dizer a verdade, de nos informar claramente quem foi que dormiu lá em casa na noite de 21 para 22 de Março. Quem foi, heim? Vá, digam lá… 

Cá por mim, respondi que não dormiu ninguém, embora, na minha idade e condição, nunca haja certeza absoluta de nada. (A memória também já não me ajuda muito a preencher inquéritos cuja data de referência ultrapasse algumas horas…). Além de tudo, lembro-me perfeitamente de que a minha mulher estava a preencher o seu inquérito aqui mesmo ao meu lado, no outro computador. E mais vale uma eventual mentirinha no censo que uma noite inteira no sofá…

Post 731   (Imagem daqui)

4 de abril de 2011

ser rico dói?

ricoOs muito pobres que me desculpem, mas riqueza é fundamental.

Um grande poeta brasileiro começou assim um dos seus mais saborosos poemas. Todos sabemos que os muito ricos ficaram assim por uma das três razões seguintes: 1 herdaram; 2 roubaram; 3 tiveram sorte. Em alguns casos juntaram-se as três, numa conjura afortunada e deixaram as vítimas em estado lastimável, sem possibilidade de se poderem livrar da riqueza. O doente contrai então uma espécie de riqueza crónica, incurável, persistente. Nem todos os ladrões do mundo, nem todas as amantes do seu bairro, nem todos os estados gananciosos, nem mesmo a GNR com as suas providenciais multas conseguem tirar-lha.

Ficam assim, inabalavelmente ricos, frustradamente ricos, embora a maioria não apresente sintomas muito desconfortáveis. A riqueza deste tipo produz apenas um pouco de sonolência e, por vezes, alguma burrice, também ela crónica. Os alardeados sintomas de tristeza suicidária ou frustração maníaco-depressiva, febre dos fenos e frieiras interdigitais de que se diz sofrerem os ricos não passam de mito ou superstição. É certo que são ocos e presunçosos e possuem um mau gosto de pasmar, mas isso não faz deles criaturas merecedoras da nossa compaixão…

Um acrescento: a doença parece não ser contagiosa. (Infelizmente).

Post 730 (Imagem daqui)

3 de abril de 2011

Uma reflexão muito provisória (Eyes Wide Shut)

alunos
Há muito tempo que penso um sem- número de coisas sobre o ensino. Radicam quase sempre no mesmo, que se resume ao velho estandarte de que ninguém consegue ensinar nada a quem não quer aprender. Nunca vi claramente que tinha razão, mas também nunca ninguém ma tirou por completo…        jmm
De olhos bem abertos, porém vendo muito pouco, na melhor das hipóteses apenas metade do que seria desejável ver, olhamos para os nossos alunos. Olhamos e esforçamo-nos muito para que eles nos entendam, muito menos para os entendermos a eles. E passamos, seguimos, cumprimos. Depois largamos. Outros professores os apanharão amanhã (e redescobrirão certamente como os nossos alunos permanecem ignorantes e inaptos) e se esforçarão sem limites, olhos amplamente abertos, atentos aos mínimos sinais, refraseando sem parar conceitos mais ou menos ininteligíveis, carpindo as agruras de não serem entendidos, porque eles (os alunos) não os ouvem, não os olham, não os temem, não os acreditam, nãocresceram, não se libertaram do concretismo que os amarra inexoravelmente à mediocridade. De olhos amplamente abertos, porém quase sem ver, (porque já estamos a milhas de distância dos seus problemas e perplexidades, porque sabemos de um saber quotidiano que os nossos alunos não estudam, não se envolvem, não se interessam, não se deixam seduzir pelas nossas eternas técnicas de sedução), de olhos bem abertos porque queremos ver, mas sem ver, ou vendo menos de metade do que seria sensato ver, passamos por eles sem neles deixarmos vincos ou marcas, ou uma impressão de genialidade, ou mesmo uma simples lembrança, grata, reconfortante, saudosa, terna. Triste permanência esta, a do professor que, de olhos bem abertos, mas sem ver, passa pela vida e dela recebe apenas a desconsoladora recompensa de ter sido só medíocre, porque a comunicação que estabeleceu com os seus alunos só em dias muito claros e muito nítidos se aproximou do belo, do audaz, do produtivo, do persistente, do profícuo.

Post 729   (Imagem daqui)

a palavra dos outros

gandaraNo blogue “Sou da Gândara”, de autor anónimo, encontrei um pitoresco relato de vidas consuetudinárias, previsíveis. Apoderei-me dele pelo linguajar das areias, da civilização roubada ao mar e estrumada a moliço que também me percorre veias e memórias. Modifiquei-o à minha maneira, sem contudo lhe beliscar a identidade. Ficou assim:

(...) “O homem tinha ido a salto para a França, logo depois de apanhar as batatas, por alturas do S. João e deixou-a com o filho na primeira classe e com o verão todo por fazer. Mas a necessidade assim os obrigava. Para levantar cabelo, tinham que sofrer e saber fazê-lo! Valeu-lhe alguma coisa o pai com a sua junta que sempre lhe fez uns carregos de milho para casa e lhe gradou uns bocados. Agora havia de bastar-se com a sua vaquita, com o rapaz e com os seus braços, saúde e graça de Deus.

É certinha a carta do Manel todas as quintas feiras! Diz-lhe que tudo está a correr bem, que arranjou trabalho na construção e que, embora com muito esforço, está a botar uns cobres de lado. Que conta, dentro em pouco, mandar um cheque para ela fazer o seu governo, pô-lo no banco a render. São cartas trocadas que tanto eles como ela escrevem ao domingo à tarde! Ele depois de ir ao mercado comprar sustento para toda a semana e ela, depois de cumpridos os preceitos dominicais: assistir á missa e ao terço. Põe o rapaz a fazer os trabalhos da escola, pega no bloco de papel de carta e na pena de molhar e, maravilha tecnológica, fala com o seu Manel, colocando no papel tudo o que gostava de dizer-lhe pessoalmente, o que lhe vai na alma! Quer lá saber se alguém lhe apanha a carta e a lê! Não diz mentiras nem fala da vida alheia! Fala de si, do filho, do tempo e da novidade, que é um benzodeus. Expressa as suas preocupações, os seus anseios, o porte do filho, o gado, a perca que teve que pagar por morte do bezerro do Laurindo. Começa as cartas sempre da mesma forma, aliás, também ele assim faz: “Cabeças Verdes, 13 de Outubro de 1961. Meu querido Manel, muito estimo que ao receberes estas minhas poucas e mal trilhadas letras te encontres de saúde que eu cá mais o nosso filho ficamos bem Graças a Deus, embora com saudades infinitas. Recebi a tua carta na passada quinta feira e nela li que…” Enchiam-lhe a alma estas palavras aprendidas do coração e davam-lhe a coragem necessária para enfrentar mais uma semana de trabalho. Trabalho duro que a fazia mulher e homem, ao mesmo tempo. Trabalho permanente! Que nunca está feito, nem por fazer! Rotineiro! Mas tinham saúde! Ela, o homem e o filho! E, três meses depois de ter saído, já ele lhe dizia que lhe iria mandar um cheque dentro de pouco tempo, se Deus for servido! Há lá vida mais alegre?”

  Post 728   (Imagem daqui)

28 de março de 2011

repescando tralices

02-relogioA proposta de repescagem incide hoje sobre uma rubrica então recorrente no Tralapraki, a “Prateleira Anacrónica”, neste caso a do dia 28 de Abril de 2007. Folheava então a Crítica do Programa de Gotha, lido pela primeira vez aos 19 anos de idade, num tempo em que ainda nos era fácil acreditar num mundo melhor…

 Post 727   (Imagem do blog)

25 de março de 2011

dos outros não sei…

jovemDos outros não sei. Mas sei de mim. E não assumo nem migalha de culpa na construção da chamada geração à rasca. Não pactuei com esta geração, quando a vi tratar alarvemente os seus pais e professores. Não embarquei no seu frívolo optimismo, na sua espantosa arrogância. Não a iludi com perspectivas douradas sobre o futuro, não lhe alimentei as boçais sobrancerias. Não lhe acariciei o já desmesurado ego.

Ensinei-lhe o sacrifício meritório e o oportuno sentido da renúncia. Reprovei-lhe sempre o hedonismo exacerbado em que se ia paulatinamente construindo (destruindo?). Vociferei sempre contra as teorias da escola lúdica que, necessariamente, desaguariam numa juventude asinina. Lamento que a geração à rasca não me tivesse escutado.

Agora, eis aí os jovens que o sistema educou. O sistema, que não eu. Ei-los aí, prateleiras cheias de diplomas atestando saberes escassos, poucas aptidões e menos princípios.

Mas não os invectivo. Tenho pena deles, que vogam sem barco nem bússola, num sistema que os traiu vergonhosamente. Tenho pena deles que finalmente praguejam cheios de razão e, contudo, poucos parecem dar-lha...

(E tenho também pena de mim que não posso usufruir, na minha velhice, do que me seria de direito: o consolo de ver uma juventude feliz e bem formada, idónea, responsável e meritória, poderosa, activa e complacente.)

Post 726 (Imagem daqui)

20 de março de 2011