26 de fevereiro de 2011

Repisar, sem querer, o repisado

be_originalAinda agora aconteceu de novo. A propósito de Margarida Fonseca Santos. Parece que a autora da peça “A Filha Rebelde”, levada à cena no Teatro D. Maria II, terá sido processada por sobrinhos de Silva Pais, director da PIDE DGS. O enquadramento judicial da autora terá sido motivado pelo facto de esta ter sugerido, na referida peça, que o General Sem Medo teria sido assassinado por aquele esplendoroso esbirro, director de tão prestigiada instituição.

Essa notícia, obviamente, sugeriu-me logo um manancial de posts. Optei, de imediato, por um comentário à própria notícia do Sol, mais ou menos nestes termos: “Curioso. Eu também estava convencido de que a PIDE é que tinha assassinado o General Sem Medo. Mas, claro, a PIDE é a PIDE e Silva Pais é apenas o seu Director, praticamente, não tem nada a ver com a prestimosa instituição. Mas que diabo, Humberto Delgado era apenas um perigoso esquerdista, segundo também ouvi dizer. Sendo assim, e se os meninos quiserem apenas reabilitar a memória do titio, talvez lhes baste esperar mais um pouco e ele será certamente bajulado e laureado pelo seu feito. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. Para quê gastar dinheiro em tribunais? Tenham paciência, vá lá, é só esperar mais um pouco…”

Escrevi aquilo de rajada. Só depois fui ler os outros comentários.

Para meu espanto, quase todos apresentavam opiniões unânimes, quase todos adoptaram a mesma postura irónico-sarcástica.

Acontece-me vezes sem conta. E isso faz-me infeliz. Fico lastimoso porque não fui capaz de simplesmente descolar da opinião colectiva. E aquilo que me deveria deixar feliz, a comunhão de sentimentos e opiniões sobre os factos e as coisas, também me entristece, devido ao péssimo aproveitamento que, como sociedade, fazemos do acto de estarmos assim, quase todos, providencialmente unidos.

Para que me servirá integrar-me num rebanho tão coeso e homógrafo, tão irmanado na atitude, se isso não nos leva a mudar o mundo?

Post 708   (Imagem daqui)

Êxodo

exodoSim, os professores estão em êxodo total, sobretudo os melhores. Eles não se entendem com a nova escola e a nova escola já não precisa deles. Na verdade, nem os suporta mais, na sua rabugice aguda, na sua competência crónica. Eles não entenderam que a escola agora é treta, barulho e festa, computadores, convívio e sexo, namoro, bocas e amassos, telemóveis, ignorância e bullying. E é também coutada de psicólogos faz-de-conta, didactas lúdicos, pegajosos pedagogos, politiqueiros parvos, presidentes de posto e juntas, professorinhas de futilidade doméstica, doutos doutrinadores da imbecilidade douta, burocratas da grelha e check list, forças vivas, mortas e moribundas do concelho.

Por isso, os que não possuem colunas de contorcionista, os que se dotaram, ao longo do tempo, de honradez e verticalidade, os que se imbuíram do verdadeiro e único sentido de ensinar aceitam, derrotados, que já não há o que fazer aqui e vão-se embora, de salário escasso, de reforma curta.

Mas há os que ficam. Não porque gostem, mas porque desistem. Ficando, desistem de sair. Desistem de pensar em sair. Desistem de pensar…

Post 707   (Imagem daqui)

23 de fevereiro de 2011

revoluções

revolução Um dos meus maiores pesares é não ter tomado parte em nenhuma revolução. É certo que estive no 25 de Abril, apanhei toda a cacimba dessa noite, formado a três, em posição de descansar (curiosas as expressões militares! “Descansar” significa ficar de pé mais de seis horas seguidas, de espingarda ao colo, sob chuva civil que, como sabemos, sendo civil não molha militares), tentando dormitar de pé, absolutamente indiferente ao que se passava a cem metros de mim, onde um capitão ainda desconhecido vociferava ordens.

Mas nem o 25 de Abril foi uma revolução a sério, nem eu era sério dentro dela. É óbvio que tinha então 24 anos e total obrigação de militar num partido de esquerda. E militava. Mas o meu partido era tão de esquerda que relativizou completamente o tal 25 de Abril, onde eu estava metido sem grande convicção, por achar que aquilo era muito pouco, face ao que deveria ter sido. Pouca revolução para tanto alarido!

Porém, na terceira fila havia três tipos que achavam ser aquilo revolução demais para o que eles esperavam que tivesse sido, ou seja, absolutamente nada. Era para eles revolução demais, sobretudo para as pequenas mordomias de que gozavam nas suas vidinhas pequeno-burguesas, plenas de conforto e de tranquilidade.

Não foi, pois, para mim, uma revolução a sério, embora, depois dela, muitos lho tivessem chamado. Para os da terceira fila, foi. Foi uma noite de frio (Abril foi frio nesse ano), alguma morrinha e o desabar das suas convicções e dos seus baluartes salazarentos. Pelo menos nessa noite. Depois, terá sido o seu regresso à tranquilidade mais cómoda, à mais apaziguada atitude. Nunca mais vi esses três espécimes pequeno-burgueses que caíram desamparados no meu pelotão, em plena revolução de Abril, como se se tivessem enganado na estrada.

Mas revoluções a sério nunca passaram pela minha mão. Na verdade, nem sei onde diabo elas andam. Parece que no mundo árabe está a haver uma. Até agora também não me pareceu a sério. Só fumaça.

(E como pode ser séria uma revolução onde eu não estou? As revoluções dos outros, ainda que feitas para mim, nunca serão à minha medida…)

(Imagem daqui)

20 de fevereiro de 2011

mas é a minha geração, chiça (2)

minha geraçaoA minha primeira abordagem à geração de 60 pareceu-me agora, ao relê-la, bastante desencantada. De facto, apesar de ela nos ter dado, por exemplo, Jean-Luc Godard e tantos outros combatentes por sociedades perfeitas, não passámos além dos nossos pais. Possivelmente nem os alcançámos sequer. Godard e muitos outros sonharam, no cinema e nas outras artes, uma ética da estética, uma sociedade sem arte, por desnecessária, já que o real era para já e suplantaria o sonho mais ousado. Esta sociedade pacificada, sem anseios, desassossegos e inquietações, feita só de felicidade e de realização, seguiria, em nossos dias, um rumo indelével e incontornável. Esta sociedade, ainda sem nome nem baptismo, dispensaria a arte, na medida em que o belo era a ética e a ética o belo, e ambos estariam presentes, em acto sublime e acabado.

Não aconteceu assim. Essa sociedade arrepiante de tão bela não passou de quimera. E não passámos nunca além dos nossos pais. E precisámos da arte e a fizemos evoluir e crescer na razão inversa do nosso descontentamento. Só a arte nos pode devolver o paradigma do éden, irremediavelmente perdido pelos jovens da minha geração…

Post 705   (Imagem daqui)

19 de fevereiro de 2011

mais politiquice de tasca às seis da tarde…

assembleia_republica_2Temos tendência para olhar os partidos políticos sob uma perspectiva antropomórfica. Vemos neles todas as idiossincrasias atribuíveis a seres humanos individuais, interagindo segundo padrões de socialização observáveis em homens reais. É por esta razão que julgamos os partidos pelas suas atitudes e humores, como se eles fossem indivíduos e não colectivos complexos. Foi assim que nos caiu muito mal a traição de Louçã para com Jerónimo, ao avançar com a moção, depois de lhe ter afiançado não o desejar fazer. É, portanto, do mesmo modo, que entenderemos a reacção de despeito que Jerónimo venha a ter, não subscrevendo aquela moção. É também por isso que aceitaremos uma resposta semelhante vinda do PSD, para mostrar a todos que não subscreve moções provenientes de falsidades dolosas e que, sendo um partido em alta nas sondagens, não deve aproveitar os restos de outros, mas sim produzir a sua própria contestação, ainda que ela pretenda obter exactamente o mesmo resultado que a de Louçã. Mais! Revestindo a sua própria moção de indumentária mais sedosa e delicada, o PSD acredita, obviamente, no apoio vindo do CDS. Mas a sua moção não passará, já que aquele apoio se mostrará insuficiente. Amuados assim, feridos nas respectivas susceptibilidades, os partidos acabarão por chumbar-se mutuamente em todas as moções que venham a apresentar-se a concurso. E tudo permanecerá como está, isto é, mal. Por seu lado, o PS, indignado com a ausência de amigos e seguidores na assembleia, pode pedir-lhe uma moção de confiança que, obviamente, lhe será negada por todos, à excepção, talvez, do próprio Partido Comunista que, de facto, reconhece algumas virtudes na governação socrática, quando a compara com a iminentíssima governação do PSD. Assim sendo, não passa a moção de confiança proveniente do governo e não passará nenhuma moção de rejeição proveniente dos outros partidos… Ou seja, permanecerá estagnada esta água turva, na qual o próprio PS, seu criador, já tem dificuldade em flutuar.

Post 704       (Imagem daqui)

18 de fevereiro de 2011

a palavra dos outros

geração 60Odete Ferreira (Amirgã) leu este meu artigo e acrescentou-lhe a sábia e deliciosa sobremesa que ora vos sirvo:

“À minha geração doía o camuflado das fardas, na despedida. À minha geração quase morreram os olhos com as letras miúdas dos aerogramas. Na minha geração, mães, irmãs, mulheres, souberam de cor a África estropiada, moribunda. Na minha geração, muitas mulheres amadrinharam afilhados que explodiram na picada. Na minha geração, muitas mulheres foram o barco em que os seus homens regressaram.” (Amirgã, na caixa de comentários do post)

Post 703        (Imagem daqui)

Quadros hiperactivos

quadro hiperactivoA certa altura estava mesmo convencido de que aquelas coisas que penduraram na parede fronteira das nossas salas de aula se chamavam quadros hiperactivos. Não são. São quadros interactivos. Não são quadros que saiam da parede sem pedir licença e vão até à janela espreitar a chuva, e daí até à porta e não conseguem estar quietos e fogem para o fundo da sala quando lobrigam o giz. Nada disso. São, afinal, uma espécie de quadros, a meio caminho entre a lousa e o futuro, que interagem connosco, com uma inteligência binária, uma cara lavada e uma cabeça de ET fosforescente. Esticam aquele pescoço dromedário e mostram-nos tudo o que já fizeram e o muito que sabem fazer. E parecem querer transformar em si próprios, plasmar na sua proteína, todo o conhecimento do mundo, tão opressivos e dominadores se instalaram na escola. São os quadros interactivos e nada mais existe para além dos seus domínios: nem Matemática, nem Física, nem Línguas, nem Geografia, nem História, nem Filosofia. Tudo isso vive na sua dependência e para os servir foi desenhado.

Sem quadros interactivos já não há professor. O professor é tão-só um maquinista de quadros interactivos. A sua competência reside na destreza com que os saiba pilotar.

Os interactivos prometem uma aprendizagem sem esforço, uma festa quotidiana e um sucesso educativo sem precedentes e nunca sonhado nos tempos da obscura e vil ardósia.

(Entretanto vão, de modo pouco interactivo para mim, metendo uns trocados nos bolsos dos novos quadros pedotecnodirigentes, esses que tão bem interagem com os novos quadros pedotecnointeractivos. Hiperactivamente.)

Post 702   (Imagem daqui)

14 de fevereiro de 2011

…temos solução, meu caro Lúcio?…

democraciaOra, meu caro Lúcio, quando eu falo de mudança de partido estou a falar de mudança de regime. Porque é suposto que os vários partidos prescrevam vários regimes, cada um tentando servir o melhor possível as infra-estruturas produtivas de que se reclamam. Se permanecermos dentro das relações de produção capitalistas, disporemos de duas superstruturas fundamentais: a que defende o mercado livre e o enaltece, afirmando a sua sábia auto-regulação e vociferando que toda a sociedade moderna assenta nesse pilar. Chamemos-lhe, por preguiça, liberalismo; e a outra que entende dever intervir nas manifestações mais ou menos desbragadas dos mercados, regulando-os a partir do exterior, por meio de uma estrutura dotada de algumas normas socializantes, de dar a cada um segundo as suas necessidades, exigindo de cada um segundo as suas capacidades, a que chamaremos, por hipótese, social-democracia. A confusão que se engendrou nas sociedades do pós-guerra não passa de poeira lunar, como é o caso dos partidos sociais-democráticos ou mesmo liberais que resolveram, ao sabor de conjunturas várias, adoptar as designações de socialistas. Exageros publicitários e, obviamente, populistas.

São, pois, só estes, meu caro Lúcio. Não existe outra superstrutura conhecida que protagonize o sistema capitalista, apenas graus mais ou menos audazes se podem estabelecer de permeio. Não há superstruturas socialistas em que votar para a mudança, partindo do pressuposto que se pretende mudar para uma sociedade socialista. Socialismo é uma infra-estrutura, opõe-se terminantemente às leis selváticas do mercado e aos jogos de sedução e lucro capitalistas. Socialismo não se consegue pelo método de Hondt. Pode-se, sim, votar no liberalismo primário, destituído de estado social, se pretendermos radicalizar o capitalismo no seu melhor, equilibrando a balança e aumentando a produção e o PIB, mas à custa, obviamente, de um contingente de desempregados, de uma população frustrada, miserável e viciosa. Temos solução, meu caro Lúcio?

Regressando à mais comezinha politiquice, essa que inunda as folhas dos nossos jornais e as ondas etéreas das nossas rádios e televisões, não se vislumbra, de facto, nenhuma brecha ou postigo através do qual se veja paisagem outra que não o lodaçal onde patinhamos. Apeando o Partido dito Socialista, poremos lá o partido dito Social-democrata. Apeando os dois, poderíamos lá colocar o reaccionário Partido dito Popular, o PC dito Comunista ou o Bloco dito de Esquerda. E, se empossássemos algum destes últimos, garantiríamos seguramente um mundo muito melhor que o péssimo e muito pior que o óptimo. Tanto faz fez, como fez faz.

Resta-nos, pois, empossar a Virtude e a Justiça Absolutas, venham elas de onde vierem, militem elas onde militarem. Mas onde encontraremos tais coisas, caro Lúcio?

Post 701    (Imagem daqui)

mudar o discurso oficial do facebook

facebookA fim de o tornar mais consentâneo com a sua realidade, proponho que quem de direito proceda a algumas alterações ao discurso do facebook. Por exemplo: em vez de “tu gostas disto”, deveria ficar: “tu gostas disto, meu tarado/minha maluca”. Em vez de “adiciona a tua informação de trabalho actual” deveria ficar “adiciona o nome do teu centro de emprego”. Em vez de “Amigos” ficaria “Outros papalvos”. Em vez de “em que estás a pensar?” ficaria “se, por acaso, pensas, podes tentar escreve-lo aqui”. Em vez de “Mural” seria “Muro das lamentações”. Em vez de “editar perfil” devia ler-se “meter mais umas patacoadas na lista”. Em vez de “Gosto”, devia ficar “Cliquei por engano, desculpem”. Em vez de “comentar” ficaria “diz qualquer coisa, estúpido”. Em vez de “denunciar” devia ficar “que é esta merda, meu?”. Em vez de “partilhar” deveria dizer-se “vá lá, todos têm direito à burrice”. São apenas sugestões. Aceito correcções ou acrescentos no todo ou em parte…

Post 700    (Imagem daqui)

13 de fevereiro de 2011

Receita infantil para a construção do texto literário

humorTexto que é texto tem que ser humorístico. Não existe literatura que passe ao lado do humor. Literatura que dispensa o humor não é literatura, é chatice. É certo que o humor não se aprende na universidade (aliás, na universidade, hoje em dia, não se aprende grande coisa. Nem na universidade, nem em nenhum outro lugar, valha a verdade). Também não se nasce humorista. É por isso que é gema tão preciosa isto (perdão, isso) de fazer humor com as filhas da mãe das palavras.

Se quiseres ficar orgulhoso de um texto que consideraste bom (isto é, humorístico qb) deves publicá-lo de imediato. Escritores profissionais guardam-no em banho-maria para o relerem, reanalisarem, reconstruírem, revirgularem, reatapetarem, re-semiologiarem, repararem, reparirem no dia seguinte. Mas o que acabaste de escrever, e que te mereceu um íntimo sentimento de prazer, terá azedado no dia seguinte. Nada como o dia seguinte para estragar uma sobremesa deliciosa. Ou mesmo uma vida deliciosa. 

Vá. Se escreveste uma coisa com piada, mesmo que sejas só tu a ver-lha, ou que essa coisa já tenha sido escrita por alguém em 1458, publica sem delongas ou remorsos. Marimba-te no plágio não doloso. Escreve. Não estás farto de ver textos massivamente aclamados que não passam de borrões de escrita analfabética? Se amanhã não achares piada nenhuma, ou se mesmo hoje ninguém te leu, ou compreendeu, ou sentiu, ou sorriu, não importa. Tu sorriste, gostaste, sentiste, compreendeste, admiraste, e é tudo. É teu. Só pode ser teu. E o texto passa a existir. E tu também, que diabo.

Mas olha, nunca escrevas nada que tenha absoluto bom senso. Livra-te dos lugares comuns. Nunca caias na esparrela de ser consensual, não passes a tua curta vida literária a concordar com todos. Não te esforces por parecer sóbrio, sobretudo se o não estiveres. Muito melhor é estar sóbrio fingindo de bêbado do que estar bêbado fingindo de sóbrio. Nunca percas grande tempo a ler quem escreve com demasiado juízo. Evita, despreza mesmo, os textos politicamente correctos. Os textos e as atitudes. E, já agora, as pessoas. Sê toleirão, obtuso, descarado, estranho, oblíquo, marginal, puto, quanto puderes. Pronto, produziste um texto belíssimo. (Ainda que só tu e eu o saibamos…)

Post 702      (Imagem daqui)

Desculpem, esqueci-me de explicar o post anterior…

Velho - Tânger - Marrocos - Fevereiro 2001

portuguesAtenção: contém léxico eventualmente ofensivo

As pessoas que não sabem árabe (que, presumo, ainda serão uma boa parte) viram-se relegadas para a mais cruel ignorância, visto que não conseguiram entender quase nada do referido artigo. Por essa razão, e também porque há em mim, ainda que disfarçado, um permanente intuito de explicar coisas, é imperioso que proceda a uma simples  elucidação sobre a intencionalidade que presidiu à sua feitura. Ora o que o texto nos diz é: se quisermos realmente unir a humanidade, construir pontes civilizacionais entre cristãos e árabes, entre oriente e ocidente, temos que esquecer o que nos separa e enfatizar o que realmente nos une: comer, cagar e obedecer às mulheres.

Post 699   (Origem das imagens já referida no post anterior)