16 de agosto de 2010
15 de agosto de 2010
14 de agosto de 2010
13 de agosto de 2010
O professor desmemoriado
Entre os professores menos jovens (um pouquinho menos jovens, enfim, como é o meu caso) a falta de memória é uma situação constrangedora mas ao mesmo tempo contraditória: se, por um lado, ela representa um atentado bem sucedido à nossa competência profissional (um professor sem memória serve para quê?), por outro lado, ela sabe esconder-se criteriosamente sob o manto diáfano da fantasia que ainda dita que o professor sabe sempre tudo (valha-nos Deus) e que todas as suas limitações aparentes não passam do seu proverbial bluff educacional.
Ser professor de línguas é, notoriamente, uma profissão crítica nesta matéria da desmemorização, como se sabe. Quando um falante esquece um vocábulo, sobretudo no plano do léxico activo, isso compromete em parte (ou no todo, Santo Deus), a eficácia do discurso. Ah, mas tenhamos calma: no meio do discurso, nos momentos cada vez mais frequentes em que a memória nos falha, podemos sempre pedir auxílio aos alunos, implorando-lhes a palavra que falta ou o redireccionamento do discurso em que nos perdemos. Eles vão continuar a achar que estamos a desempenhar o tradicional papel (de pedagogia duvidosa, sabe Deus) do professor que faz perguntas para os avaliar e não pela simples e cruel razão de se ter esquecido da matéria…
Daí a contradição: no professor, a desmemorização tanto se manifesta de modo fulgurante como se esconde de modo providencial.
(Imagem daqui)
12 de agosto de 2010
a palavra dos outros
Henrique Raposo escreve aqui um artigo intitulado Magalhães – uma pequena desgraça. Refere o articulista um estudo de dois economistas americanos que, tendo fundamentalmente a Roménia como objecto do dito estudo, concluíram que a distribuição de computadores pelas crianças romenas não atenuou as diferenças entre pobres e ricos, nem acrescentou sucesso ao sistema educativo, muito pelo contrário. Claro que estratégia tão besta não poderia obter resultados que o não sejam. Será que precisaríamos de longos estudos, feitos por cabeças de QI desmesurado, para chegarmos a uma conclusão tão óbvia? Os Gato Fedorento chegaram lá no dia seguinte e todos os professores portugueses a atingiram ainda antes de os computadores serem efectivamente distribuídos em Portugal. Só as iluminadas cabeças dos governantes é que não.
