17 de fevereiro de 2010

sobre esta nossa coisa íntima…

… de querermos sempre manipular a opinião dos outros

barbatanaO esforço recorrente de tentarmos virar a opinião pública a nosso favor é mais velho que o mundo. Mesmo nós, que do poder só temos a barbatana, gostamos quando alguém diz bem do que fizemos ou enaltece as nossas posições e argumentos. Amigo meu chama-me inteligente e talentoso e di-lo aos outros completamente à borla. Essa história de que os amigos são quem nos fala a verdade é pura léria. Para que quero um verdadeiro amigo que olha de lado para o que faço, que está sempre pronto a aporrinhar-me com moralismos, que só sabe é chamar-me a atenção para as minhas burrices e infracções? Quero é amigos que me lisonjeiem, que acenem cordatos e respeitosos quando falo, que riam alvares das minhas piadas tontas. Quero lá saber do que eles pensam lá por dentro! O que me interessa realmente é que todos acreditem que eles são sinceros, ainda que nunca o tenham sido, nem façam planos para o ser.

E só tento agarrar-me à barbatana do poder… a caudal…

(Imagem daqui)

8 de fevereiro de 2010

a ver se me entendo…

babel Acabei por duplicar o “tralapraki”, com medo de o perder. Meu único filho, sabem…  Bom, mas baptizei-o de “opacidades”, porque sim. Igual até agora mas, a partir daqui, acho que me proponho divergi-los no que for possível. O trala continuaria a ser um repositório de assuntos da área da educação e da sociedade. O babel teria um destino mais triste, mais sombrio, talvez mais aprimorado, sei lá. Já o "ligeiríssimo" ficar-se-ia pelas trivialidades. O ligeiríssimo nasceu para ser o puto irrequieto do trala, enfim, uma tentativa de participar na comunicação mais juvenil. Falhou no intento, é claro. Falharam todos. E afinal, para que serve um blogue senão para falhar, em vez de nós? É isso, façam um blogue e vejam-no aparvalhar-se todo. E vocês seguros e intocados por detrás dele…

(Imagem daqui)

6 de fevereiro de 2010

coisas giras por email

atrapalha Apesar de não ser o que mais atrapalha nas escolas, atrapalha mesmo. E não é o que mais atrapalha, realmente, pois o que, na escola pública, mais atrapalha são todos aqueles que providenciam, defendem e sustentam a existência de todas estas (e muitas outras) atrapalhações. É que as atrapalhações atrapalham, mas não atrapalham sozinhas, não atrapalham sem os atrapalhadores de serviço…  Para eliminar as primeiras, há que apear os segundos. Assim, tout court.

Segue um texto de Ramiro Marques, enviado por Ana Bela Canotilho

A tralha que atrapalha

Por que será que a opinião pública tem sido pouco alertada para a tralha que atrapalha? Por que será que o processo negocial, que se arrasta há quase dois meses, não inclui a questão da tralha que atrapalha?

Não há um único professor no país que não saiba qual é a tralha que atrapalha.

Até os inspectores - guardiões da tralha que atrapalha - sabem qual é a tralha que atrapalha.

Até os burocratas que trocaram a sala de aula pelas equipas de "apoio" às escolas sabem qual é a tralha que atrapalha.

E até mesmos os aposentados que integram o CCAP sabem qual é a tralha que atrapalha. Não porque conheçam a realidade das escolas - já que fugiram delas em bom tempo - mas porque ouviram falar da tralha que atrapalha.

Mas, admitindo que haja algumas almas bem intencionadas, embora ignorantes, nas equipas de avaliação externa das escolas, no CCAP, nas equipas de "apoio" às escolas, na DGRHE ou nas DRE, deixo aqui a lista da tralha que atrapalha:

Os projectos curriculares de escola. Não servem para nada: só atrapalham sobretudo porque há quem os altere todos os anos. Já contaram as milhares de horas perdidas pelas equipas e comissões permanentes de revisão dos projectos curriculares de escola e dos projectos educativos de escola?

Os projectos curriculares de turma. Servem para alguma coisa? Sim: para perder tempo.

Os planos de recuperação. Servem para quê? Socializar os prejuízos e privatizar os benefícios. Desculpabilizar e construir sucesso educativo de forma fraudulenta.

Os planos de acompanhamento. Idem.

Os planos de "melhoramento". Idem.

Os relatórios sobre os planos de recuperação e de "melhoramento" (sic). Idem. Monumentos à novilíngua e à trafulhice pedagógica.

Acabem com a tralha que atrapalha. A opinião pública compreenderá que a tralha que atrapalha é nociva ao ensino.

Gostava de ouvir os responsáveis do ME a falar na redução ou eliminação da tralha que atrapalha. Não ouço. A tralha que atrapalha obedece ao plano.

Ramiro Marques

(Enviado por Ana Bela Canotilho)

(Imagem daqui)

obsessões do meu ipod (5)

chico_buarque

O samba em Chico Buarque – “Ela faz cinema”.

(Desligue o rádio do blogue à direita e ouça, clicando no play acima.)

Quando ela chora
Não sei se é dos olhos para fora
Não sei do que ri
Eu não sei se ela agora
Está fora de si
Ou se é o estilo de uma grande dama
Quando me encara e desata os cabelos
Não sei se ela está mesmo aqui
Quando se joga na minha cama
Ela faz cinema
Ela faz cinema
Ela é a tal
Sei que ela pode ser mil
Mas não existe outra igual
Quando ela mente
Não sei se ela deveras sente
O que mente para mim
Serei eu meramente
Mais um personagem efêmero
Da sua trama
Quando vestida de preto
Dá-me um beijo seco
Prevejo meu fim

E a cada vez que o perdão
Me clama

Ela faz cinema
Ela faz cinema
Ela é demais
Talvez nem me queira bem
Porém faz um bem que ninguém
Me faz
Eu não sei
Se ela sabe o que fez
Quando fez o meu peito
Cantar outra vez
Quando ela jura
Não sei por que Deus ela jura
Que tem coração
e quando o meu coração
Se inflama
Ela faz cinema
Ela faz cinema
Ela é assim
Nunca será de ninguém
Porém eu não sei viver sem
E fim.

(Imagem daqui)

Nota: Nesta rubrica. tenho vindo a publicar alguns ficheiros de audio. Assumo como legal esta actividade, mais por razões de natureza consuetudinária do que por verdadeiro conhecimento da lei de autores. Qualquer entidade que vislumbre um quadro de ilegalidade neste acto deverá fazer-me saber e a rubrica será de imediato cancelada.

5 de fevereiro de 2010

A mais genial solidão

solidao Alguns de nós sofremos de profundidade crónica. A velhice afundou-nos o pensamento a níveis onde os jovens já não alcançam. Qual poço de engenho nos estios mais longos, as nossas águas caem, como a nossa força, num vislumbre mais real que desejado da nossa inquietante e irremediável solidão. No fundo do poço, ébrios das nossas soberbas inteligências que ninguém mais pressente ou deseja, vegetamos por dentro de nós, mexendo e remexendo memórias magras, no estertor do entendimento universal, no paroxismo de todas as dores…

(E, silentes, arrefecemos.)

(Imagem daqui)

Não sei se vá se fique, não sei se fique se vá.

indecisao “Está decidido. Vou pedir a reforma antecipada”

“Mas, se pedes agora, vais ter um corte maior que o corte inglês”.

“Está decidido. Não peço”.

“E quando pedes?”

“Mais tarde”

“Mais tarde, com o aumento do tempo da reforma, o desconto tenderá a ser maior”.

“Está decidido, vou pedir a reforma antecipada.”

“Com apenas 31 anos de serviço, dão-te à volta de 50 por cento. A menos que ganhes muito bem…”

“Está decidido. Não peço.”

“O FMI diz que o país está à beira da bancarrota, como a Grécia. Se cairmos mesmo na tal bancarrota…”

“Está decidido. Vou pedir a reforma antecipada.”

“Em qualquer caso, serão sempre os reformados e os pensionistas a pagar a crise.”

“Está decidido. Decido amanhã.”

a palavra dos outros

viegas Aqui, Cavaleiros do Norte, de Viegas, um repositório pitoresco de histórias de guerra em Angola, nos idos de 74.

não leiam isto

vampiro Fui maltratado hoje. Como ontem e anteontem. É como se de repente a vida fosse só o lado mau da vida, o gémeo travesso dela, um menino que fere com a inocência, um garoto da rua que mata distraído.

Há tempos que é assim. Dificilmente atravesso ileso as multidões do quotidiano. Não me exponho um dia sequer sem, pelo menos, um bom arranhão. Mas hoje fui mais zurzido. Voraz, a vampirina vida mordiscou a minha tranquilidade. Na jugular.

(Calma. Eu disse só “mordiscou”. Ainda me terão amanhã para me queixar de novo…)

(Imagem daqui)

31 de janeiro de 2010

ouvindo o pedro…

blogosfera Pedro Rolo Duarte, numa entrevista ao Biography Channel, aflora a questão de uma certa desorientação que diz notar na imprensa escrita em geral. Esta desorientação, esta perda de paradigma não é mais que uma pssageira crise de crescimento, digo eu. A blogosfera que, no dizer do jornalista, representa um pouco do que ele gostaria que fosse a imprensa, não a substitui nem se lhe assemelha, volto a dizer eu. De jornalismo nada sei, como nada sei de um sem número de outras coisas, incluindo a própria blogosfera, sobre a qual escrevi, sobre a qual me empolguei um dia, prescrevendo-lhe normativos e augurando-lhe  um lugar de destaque na tribuna mundial da opinião e da irreverência polemizada. E ela é hoje tudo isso. Mas o seu problema consiste em não ser mais do que isso. Ser uma tribuna de opinião política e sociológica, um speaker’s corner das oposições, um muro de lamentações da crise económica, é muito pouco para a blogosfera. Quereria que ela fosse também a expressão de um individualismo sério e autorizado, a manifestação de um estado de alma ecoante, de uma constante poética, de um esboço de novos rumos para a escrita criativa universal. Ecce blogosfera…

Pedro Rolo Duarte no Biography Channel

(Imagem daqui)

the eportfolio explained to digital natives

The English eportfolio represents nowadays one of the most efficient English learning tools. Apart from this process it helps learners recognize their difficulties as well as have a full panorama of their evolution. The eportfolio brings consciousness to the learning process…

30 de janeiro de 2010

obsessões do meu ipod (4)

fausto papetti 

Fausto Papetti é, obviamente, uma pequena concessão que faço ao purismo jazzístico. Papetti não é, definitivamente, um homem do jazz, nem é definitivamente jazz a peça que vos mostro hoje. Porém, ela é encantatória na sua contenção e maturidade extremas. E muito pouco do que nos encanta pode ser totalmente alheio ao jazz. Digamos que se trata de música ligeira, no melhor easy-listening que se pode ter. Ah, pode até ser música do baile dos bombeiros, mas que nos traz uma arrepiante nostalgia, um lampejo da inocência perdida, lá isso traz…

(Imagem daqui)