30 de novembro de 2009

Valerá a pena recomeçar?

vida Olá a todos.

Para ser sincero, manter um blog cada vez me parece mais escrever um livro, deixar no mundo um filho que nos perpetue, enfim, contribuir com um arrogante ainda estou aqui, arrogante e provincianíssimo, é claro. A doença e a morte não prestam para nada. O blog sim. Por isso, acho que posso e devo regressar a ele…

Também a vida me parece cada vez mais feita destas pequenas inconsequências. Ligeirezas de alma, limitações do espírito regressam a uma certa mediocridade falante. E arrogante de novo, na sua mundanidade tão querida…

Apetece-lhes regressar e ser de novo voz.

A doença não levará a melhor. Não pode. Não tem a minha autorização. Quero de novo viver, beber um copo debaixo da tília. Deus, como tudo está tão diferente! Mais belo, mais inteligível, mais simples. Como dizer olá, meu, hoje é hoje, e hoje é que é o dia mais belo das nossas vidas. Amanhã não existe em nenhuma cabeça moderadamente módica…

Um abraço a todos.

(Imagem daqui)

10 de setembro de 2009

tristeza Sabendo que tenho alguns leitores amigos mais ou menos constantes, especialmente no Brasil, (constância e paciência essa que muito lhes agradeço e admiro), cumpre-me informar a todos quantos me têm visitado que o Tralapraki será descontinuado por algum tempo, por motivo de doença do autor. Desejo (oh, se desejo!) regressar em breve. Um grande abraço para todos.

(Imagem daqui)

2 de setembro de 2009

O Ex-primeiro-ministro retracta-se

socrates O Senhor Engenheiro José Sócrates, ex-primeiro-ministro de Portugal, veio hoje, descaradamente, fazer-se aos votos dos 100 mil professores que entupiram as ruas e praças de Lisboa em Novembro do ano passado, na mais gigantesca manifestação de sempre. O ex-primeiro-ministro falou-lhes ao coração, assumindo que o seu governo andou mal na questão do estatuto e da avaliação docente e prometeu fazer tudo o que estiver ao seu alcance para contentar os professores na próxima encarnação, digo, na próxima legislatura.

Será que Sócrates acha que, com o voto daqueles 100 mil, poderia reunir uma nova maioria absoluta? A hipótese não parece despicienda. E, se, com aqueles cem mil, ele recuperar a maioria absoluta, ele tê-la-á de novo, certamente. É que, conhecendo eu os professores como me parece conhecer, e sabendo, portanto, que são desmemoriados, sabujos e acarneirados, bastará mais uns ademanes adocicados como o de ontem e eles olharão de soslaio para a direita e para a esquerda e concluirão que antes assim que pior…

(Imagem daqui)

1 de setembro de 2009

Eleições e andorinhas

eleiçoesChegaram as eleições. Que alegria!

A alegria da chegada das eleições só é comparável à da chegada das férias e das andorinhas. Adoro eleições. Na verdade, só votei uma vez, em 1975, acho eu, era então um jovem incendiado a escrever como ia ser a minha vida. E tinha sobre ela uma irresponsável e sublime expectativa.

Não me lembro que eleições foram essas, mas sei que foram as primeiras a que compareci. E também as únicas. Achei tudo muito divertido. Votei então num impensável partido de extrema-esquerda. Depois, a vida correu, correu, caiu e machucou-se. Nos joelhos e na esperança. Como qualquer criança. E todos os anos havia a chegada das andorinhas. E houve, depois, regularmente, eleições que eu seguia de longe, cada vez mais perplexo. Mas só as andorinhas melhoravam as nossas vidas…

(Ah! Sabem que mais? Nem as andorinhas…)

(Imagem daqui)

28 de agosto de 2009

três

tres dedos Quando entrar o mês de Setembro, o Tralapraki fará três anos de idade. Mais trinta e três posts e perfará os 500. Para uma produção individual não está mal. Quanto à qualidade, as opiniões dividem-se: eu acho-o formidável; todos os outros o acham abominável. Ficam aqui as três velas. Tímidas. Titubeantes. Tortuosas.

 

(Imagem daqui)

18 de agosto de 2009

Um caso quase verídico

Heaven Depois dos sessenta anos, o Sr. Ricardo Santiago, razoavelmente rico e sempiterno solteirão, começou a construir a ideia de que valeria mais investir no céu do que na terra, na alma do que no corpo. O corpo pendia-lhe para o sono e a terra estava ultimamente a presenteá-lo com mais desencantos e arrelias do que júbilos. Foi por isso que, no passado mês de Julho, resolveu deixar toda a sua fortuna a um desconhecido que lhe entrou pela casa dentro e lhe prometeu um lugar cativo no Paraíso, para toda a eternidade. Fez-se a prova do pleno uso das suas faculdades mentais e a escritura de doação, baseada no facto de não haver herdeiros directos e de que o desconhecido lhe salvara a vida. Foi esse profundo sentimento de gratidão que permitira a transferência para a conta do desconhecido de mais de duzentos e cinquenta mil euros.

Por alguma razão, porém, a Polícia veio a saber deste acto cartorial e, desconfiada, investigou e acabou por trancafiar a alma caridosa do burlão (a alma e o corpo ainda jovem) atrás das grades, devolvendo, na íntegra, a fortuna do Sr. Ricardo ao seu legítimo proprietário e aconselhando este a fazer, de preferência, uma transferência para o Estado, facto que certamente lhe daria sentido à vida e lhe devolveria a felicidade perdida, ainda cá neste mundo.

Seja porque não sabia quem era esse tal Estado, seja porque, sabendo-o, este beneficiário não lhe granjeou confiança, o Sr. Ricardo Santiago nada mais fez quanto à sua fortuna, continuando, assim, condenado à riqueza terrena e sem esperança numa cadeira ao lado de São Pedro…

(Imagem daqui)

10 de agosto de 2009

Intimista

Onde estava eu enquanto estes dois emanavam torrentes de sensibilidade, inteligência e talento? Que vida imprestável estaria eu vivendo? Quereria ficar colado a esses dois aí, feito tatuagem. Enfim, eles estão aí, vivos, e eu também. Por isso, não trocaria o meu tempo por nenhum outro…

5 de agosto de 2009

Mais silly season

No Verão, na televisão, aparecem muitas pessoas que dizem “derivado a”. A silly season é a estação dos “derivado a”.

… a morte e a morte… (2)

morrer Morrer não é passar-se (para os crentes), finar-se (para os cépticos), mudar de endereço (para os utópicos). Também não é estar morto. Morrer é ter consciência da morte e vivê-la, pleno dessa consciência.

Para se ser eterno, é preciso ser louco e perder a consciência de si e dos seus bens, alguns minutos antes que a carapaça resolva deixar de viver.

Todos os homens tentam, ao longo da vida, aprender a morrer. Dir-se-ia que a vida inteira é devotada a essa aprendizagem. Mas isso é treta, meus amigos. Tudo o que os homens devem saber sobre a morte é que é uma espécie de nascimento ao contrário. Todos já passámos por essa prova ultimate – o nascimento, essa coisa absurdamente radical. E sofremos por isso? Sentimos isso? Preocupámo-nos com isso? Claro que não. Para todos nós, o acto radical de nascer foi fácil e inconsequente. Porquê? Por que não nos custou nada o acto violento de nascer? Simplesmente porque foi um acto inconsciente.

A Morte, para ser porreiraça como foi o Nascimento, só pode ocorrer num momento de alienação total. Para que não doa, não se sinta, não exista…

Que a minha seja assim…

(Imagem daqui)

1 de agosto de 2009

Olá, Ti’ Asdrúbal…

velho Se está farto da música do Trala, desligue o rádio, ora, mas, por favor, volte e continue a ler o Trala. O rádio está na barra lateral, logo a seguir ao arquivo do site. Se preferir outra música, escolha um dos outros dois rádios que apresento lá ao fundo da barra lateral. É só clicar em ver rádios. Um deles tem uma selecção de música portuguesa, especialmente dedicada ao senhor. Chama-se Lusa Light. É só clicar, et voilà. Ah, parece que agora tem que instalar não sei o quê. Mas lá diz o que é. É só clicar e instala tudo a que o senhor tem direito.

(Se abandonar o meu blogue, nunca mais abro o seu, palavra de blogger!…  :)  )

(Imagem daqui)

29 de julho de 2009

balanço

balanco Os melhores (os menos maus) do mês:

No meu tempo; Aurea mediocritas; Em nenhum lado vi cerejas