17 de julho de 2009

Dicas para reconstruir a avaliação de desempenho

avaliacao De acordo com o pretendido, o ministério (o velho ou o novo) terá de seguir uma (ou várias) destas hipóteses: Para uma avaliação generosa, amigos verdadeiros.  Para uma avaliação facilitada, colegas baldas.  Para uma avaliação a nosso desejo, autoavaliação.  Para uma avaliação desastrosa e suicida, colegas inimigos.  Para uma avaliação rigorosa, juízes de fora.  Para uma avaliação verdadeiramente formativa… … esquece.

 

 

(Imagem daqui)

15 de julho de 2009

Em nenhum lado vi cerejas…

tristeza Hoje encostei de novo na beira da estrada para de novo comprar cerejas. Que não, que já não tinha, que o tempo das cerejas acabou…

Devolvi-me à viatura, tão taciturno e triste como tarde de Outono.

É sempre assim: quando as cerejas acabam é como se, de repente, se apagassem os lumes do desejo. É o começo anunciado da subvida, levada a rojo, prostrada a quase morte. Não haver cerejas é como não haver o alento rubro das palavras.

Sem cerejas, como encadearemos as conversas?

(Imagem daqui)

10 de julho de 2009

O Ti’ Asdrúbal

blog O Ti’ Asdrúbal tem 85 anos. É um lenitivo para todos, porque nos empossa da esperança de que se pode chegar à sua idade com o seu vigor e a sua sanidade mental. A semana passada, ajudei-o a instalar o seu acer novinho de 400 euros. Liguei-o à rede global por meio de um serviço adsl que eu próprio decidi pagar-lhe. Melómano, ouve cotonetes clássicas. Devora toda a blogosfera nacional (até este blogue ele lê, imagine) e passa horas a analisar as notícias e os comentários dos jornais online. Hoje pediu-me que lhe ensinasse a criar um blogue. Diz que tem coisas para contar. Não perdi tempo. Cada minuto de demora é uma perda irreparável para o mundo…

(Imagem daqui)

Please, waiter…

waiter Please, waiter, traga-me outro ano lectivo, que este já está morno. Não sei que ano lectivo o senhor me serviu que já está para lá de morto. Olhe, ponha-lhe, por favor, um pouco mais de gás e sirva-mo em copo com asa, para eu saber como lhe pegar. E que tenha um cheiro de dinamismo e de contestação, caramba! Onde já se viu um ano lectivo arrefecer assim, amornar assim, aguar-se assim? …

Ah! O senhor está à espera de mudar de patrão? E o seu novo patrão vai decidir sobre a minha bebida?! Não seja tolo! Conheço muito bem esse seu presumível novo patrão e ele não me suscita mais confiança do que o antigo... Faça o que lhe digo: traga-me a bebida a meu gosto, quer mude de patrão, quer não. Right?

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9 de julho de 2009

Estudos

estudo Um estudo é um conjunto de pesquisas cientificamente orientadas que produzem um determinado número de dados que são depois criteriosamente tratados (por isso se chama um estudo) de acordo com metodologias direccionadas para a obtenção de uma determinada verdade que toda a gente já sabia, muito antes de o estudo ser encetado. A grande vantagem de um estudo está, sobretudo, no facto de nos revelar, de um modo científico, exactamente aquilo que já todos sabíamos de um modo empírico, mas que já havíamos esquecido completamente, devido ao tempo que o estudo normalmente demora para concluir coisas. Daí resulta que um determinado facto é conhecido porque nós o vivenciámos. Seguidamente, esquecemos o facto porque tudo o que está sabido a gente esquece e pronto. Aí, alguém resolve fazer um estudo sobre esse facto, para que possamos concluir que já todos o conheciam abundantemente demais. (O estudo só tem serventia para relembrarmos o que já soubemos e decidíramos, por bem, esquecer.)

O exemplo mais sintomático desta imprestabilidade dos estudos é esse recentíssimo estudo (saiu hoje mesmo das cabeças pensadoras) dirigido por um qualquer especialista na área das ciências ocultas da educação (que Deus nos defenda das Ciências da Educação) segundo o qual se conclui, entre outras fulgurantes concludências, que a divisão dos professores em duas classes (a dos titulados e a dos destituídos) semeou a desordem e o caos no jardim do sistema educativo (poxa, isso é que é novidade!). Conclui também o estudo da eminência que esta divisão é artificial e que os titulados foram simplesmente recrutados ao acaso.

(Meu Deus! Porque é que eu não soube disso antes? O que a gente pode aprender graças aos estudos não está escrito em estudo nenhum…)

(Imagem daqui)

3 de julho de 2009

Afinal, Bernardino, em que ficamos?

bernardino Fazendo jus ao seu subtítulo, o Tralapraki parece ser o único medium que está contra a detonação de Manuel Pinho. Não faz nenhum sentido destituir um ministro pelo facto de ele ter chamado cornudo, ainda para mais em código, ao líder do grupo parlamentar do PC, Bernardino Soares. Toda a imprensa e toda a comandita oposicionista viram nisto um crime de lesa pátria ou de lesa magestade. Em vez de se ter escandalizado tanto, a Imprensa deveria, tão simplesmente, interrogar o ofendido, mais ou menos nestes termos: “Senhor Bernardino, o senhor é realmente cornudo, ou trata-se de mais uma mistificação do senhor Manuel?”  Esta simples Yes/No question aquietaria qualquer ânimo, qualquer que fosse a resposta: “Sim, sou, mas o ministro tem olhos de raia e não vê a mulher vai para três meses” ou “Não, não sou! E se ele quisesse realmente saber onde está a mulher, perguntava-me a mim”.

manuelpinho E é tudo. Encerrava-se aqui o incidente. O ministro ficaria mais uns tempos a fazer rir os portugueses (que é disso que eles precisam), os trabalhos parlamentares seguiriam o seu rumo sem belisco e as (des)honras de todos os parlamentaralhos sairiam intocadas.

Não deixa de ser, no entanto, um pouco ousada (embora, em meu entender, não tanto como outras já conhecidas) a atitude que Manuel Pinho protagonizou. Trata-se de uma “investida” (com toda a propriedade) no campo íntimo de um deputado da nação. Qualquer dia, qualquer membro de um qualquer governo se pode dar ao escândalo de sustentar publicamente que o deputado X usa cuecas de Lycra, o Y adormece agarradinho ao Teddy Bear e o Z ouve os ABBA no carro com os vidros abertos. Isto sim, seria a desmoralização total do parlamento e do país…

(Imagens daqui e daqui)

28 de junho de 2009

Balanço

autoaval Como é, senhores professores? Ainda contestam e estão só calados/cansados, ou já não contestam e estão domados/comprados/vencidos? Concluíram que têm que ser avaliados e que, portanto, antes assim que de outro modo mais sério?

Lembro-me que concluíram da incompetência dos avaliadores. Mudaram de ideias? Conseguiram acreditar nas virtualidades do sistema? Ou o facto de estarem tão calados revelou-se a melhor estratégia para esquecer tudo, e fazer de conta que nada aconteceu?

Ide lá em paz fazer a vossa auto-avaliação, integralmente copiada de um qualquer site ou blogue da Internet, e que o Senhor vos acompanhe. Ele é GRANDE!...

(Imagem daqui)

26 de junho de 2009

Negócios

Isolated red cherries A PT não comprou a Media Capital. Mas eu comprei cerejas.

O meu negócio fez-se sem mediação nem mediatismos, sem ASAE e sem IVA, sob guarda-sol colorido, na beira da estrada da Beira, onde outros negócios (tão ou mais libidinosos que o das cerejas) podem igualmente ser levados a efeito.  O homem que alegremente mas vendeu manteve a sua linha editorial. Tenho a certeza.

(Imagem daqui)

24 de junho de 2009

Resultados inesperados

apoios Uma escola do centro do país apresentou aos seus alunos, no início do ano lectivo, a seguinte proposta: os alunos deveriam frequentar, nas tardes de quarta-feira, um set de aulas de apoio às disciplinas nucleares. Em alternativa a esta proposta, os alunos poderiam optar por manter as tardes de quarta-feira livres.

Os resultados foram absolutamente imprevisíveis: 98 por cento dos alunos optaram pela segunda hipótese. Os professores deitaram as mãos à cabeça, sem entenderem o que tinha acontecido. Eles não conseguiram entender a posição daqueles dois por cento que preferiram as aulas de apoio…

(Imagem daqui)

22 de junho de 2009

Eis que chegaram

cheiro Fresquinhos. Acabaram de chegar por mail a todos os professores as fichas e grelhas de avaliação do desempenho, bem como os documentos que a regulam. Cheirei aquilo tudo ao de leve. Cheirou-me a esturro e fui dormir. Boa noite a todos.

(Imagem daqui)

21 de junho de 2009

O ME sabe da poda

subornoMais melhorias na carreira docente

A abertura de um novo concurso para professor titular, a criação de mais um escalão nesta categoria, a diminuição dos tempos de permanência nos escalões e a atribuição de prémios de desempenho são algumas das propostas do ME.”

In Portal de Educação

A abertura de mais um concurso para titular vai permitir que mais professores ascendam àquele estatuto, comprando-lhes assim as consciências e calando-os definitivamente em relação a todas as injustiças passadas, presentes e futuras do sistema educativo. Todos temos a percepção de que professores inicialmente aguerridos e contestatários da avaliação e do estatuto, se bandearam alegremente para o lado da ministra ao lhes ser atribuído o estatuto de titular. Quando os não-titulares forem uma classe residual, serão, obviamente, isolados e até dispensados sem um esgar de hesitação.

A criação de mais um escalão na categoria dos titulares vai cavar mais fundo ainda o fosso já existente entre uns e outros. De notar que o aprofundamento das diferenças dentro da mesma classe profissional não trará nenhuma melhoria visível ao sistema. Apenas produzirá uma divisão de trabalho desnecessária, inoportuna e inconsistente. A História prová-lo-á.

A diminuição do tempo de permanência em cada escalão só favorecerá os titulares, visto que os outros marcarão passo, por tempo  indefinido, no escalão em que estão, até subirem a titulares, coisa que nunca farão se, por mero acaso, lhes sobrar uma réstia de escrúpulos e de dignidade.

A atribuição de prémios aos professores é a cereja no topo do bolo. O escândalo dos quinhentos paus aos melhores alunos tinha que alastrar aos docentes. Era inevitável. É exactamente o mesmo que colocar no prof, simultaneamente, uma venda e uma mordaça, só que de um modo mais eufemístico e muito mais vantajoso para ele.

Para terminar, pedirei apenas o seguinte: olhem com objectividade e clareza para a escola e respondam:

- Quem trabalha mais, quem mais se esforça para melhorar o rendimento escolar?

A- Os titulares.

B- Os não-titulares.

(Se respondeu A, é porque ainda não abriu os olhos suficientemente, ou já candidamente os fechou...)

(Imagem daqui)