O “Amirgã” tinha lá isto. Fui ver e gostei. Acrescentei na minha coluna à direita. Se ela considera isto bom é porque é bom. E não é que é mesmo?
9 de fevereiro de 2009
a palavra dos outros
7 de fevereiro de 2009
Uma empresa privada chamada Escola Pública?
Abri o browser e li assim, num jornal local:
“No dia em que é oficialmente lançada a primeira pedra da nova Escola Secundária Letras e Tretas), 9 de Dezembro de 2008 - prenunciando um marco de viragem, que se espera, em direcção ao progresso e inovação, de acordo com as necessidades económicas da comunidade -, é anunciado o nascimento, naquela escola, da empresa ICC2 “Ideias Criativas como o Caraças”, Publicidade e Marketing, Lda.
In “Jornal da Comandita”
(Os bolds são meus. Meus também os nomes falsos da Empresa e da Escola em causa)
Ah, só agora descobri que deve ter sido nessa pedra (ou no tal marco) que tropecei e me estatelei ao comprido no dia 9 de Dezembro passado. Foi de tal monta o estatelanço que fiquei burro, ao ponto de não entender isto que as escolas andam a fazer, ou isto que andam a fazer às escolas. Não, não vale a pena gastar tempo a explicar. O meu estatelanço foi definitivo e irrevogável.
(E porque não uma Fundação? É o que está a dar…)
(Imagem daqui)
a palavra dos outros
Hoje não queria chamar a atenção para nenhum post, mas sim para todo este blogue. No entanto, se preferirem que vos dê um post da minha preferência, leiam, por exemplo, este. Depois digam qualquer coisa, se ainda tiverem palavras.
Abaixo o saber, viva o jogo…
Os professores teimam em acreditar que ainda têm alguma coisa para dizer aos jovens. Essa é a sua esperançosa perspectiva, mas não é esse, definitivamente, o entendimento dos alunos. Não se vislumbra grande coincidência entre os objectivos dos professores e os anseios dos jovens. Se queremos ter a atenção dos nossos alunos, devemos partir do saudável princípio de que nunca seremos capazes de o conseguir. Temos, é claro, a adorável muleta de podermos recorrer a cretinices chamadas warm ups permanentes, à parvoíce do lúdico transversal, às tolas estratégias construtivistas. Mas mesmo estas sandices têm os seus pobres dias contados, graças aos céus…
Se o professor traz consigo um projecto sério e racional de ensinar as ciências e as línguas, um projecto honesto de tornar claros os saberes fundamentais, sem, contudo, os desvirtuar, não terá mais que uma cabeça por turma a olhar na sua direcção. Na verdade, se o professor realmente anseia pela atenção dos seus alunos, deverá anular-se. Retire-se, delicadamente, do spotlight da sala de aula e coloque lá, em seu lugar, um futebolista, um roqueiro famoso ou um drogado. Verá então, beatificamente, a atenção dos seus alunos recrudescer sem paralelo e as suas expectativas de aprendizagem subirem exponencialmente…
(Pena que esta fauna roqueirofutebolística nada tenha para dizer a quem tanto anseia ouvi-la… Se tivesse, teríamos encontrado o binómio ideal para um novíssimo projecto educacional…)
(Imagem daqui)
6 de fevereiro de 2009
Uns são uns e outros são outros
Apesar da onda de avassaladora cretinice, de estupidez insana, que submergiu a escola pública até ao esterco abissal que hoje é, muitos professores continuam a lutar, denodadamente, pela verdadeira qualidade do ensino. Bem os vi. E como estão eles a lutar? Muito simplesmente: ensinando. Ou alguém algum dia imaginou que seria suposto que um professor lutasse de maneira diferente?
Vi-os e ouvi-os. Estavam lá, nos seus postos obscuros, low profile de todo, tentando fazer-se ouvir por cima da buliçosa agitação de alunos cada vez mais boçais. Estavam lá, maltratando as suas vozes e gargantas, alguns tiritando de febre e cambaleando de cansaço, amparando-se, doentes, no quadro, para cumprirem de pé a sua função, o seu sonho, a sua ambição. Estavam lá, inteirando-se, tanto quanto lhes é permitido, das dificuldades dos seus alunos. Lá estavam, nas aulas, nos apoios, nos intervalos, no correio electrónico, tentando penosamente cumprir o seu dever de elevar os jovens a um plano superior de dignidade.
Outros, porém, nem tanto. Mestres na arte da dissimulação, que aprenderam depressa com os seus donos, organizam dossiers de evidências para ficarem bem na fotografia final da avaliação e poderem aumentar os salários, embora diminuindo os horizontes. São os pobres filistinos do sistema, miseráveis anedotas de um equívoco chamado educação.
(Imagem daqui)
31 de janeiro de 2009
E agora, Ary?
O voto é a arma do povo? (Se votas, ficas, portanto, desarmado?) A arma é o voto do povo? Armamo-nos em parvos e votamos? Desarmamo-nos, idiotas, e não votamos? Mudamos? Não mudamos? Fugimos? Vamos? Rimos? Ai o mal deste sal, ai o fel deste mel…
A sério: votamos em quem? (Haja Deus… e videntes das estrelas.)
(Imagem daqui)
Minudências minhas (4)
O Figo que me perdoe, mas este é muito melhor. Na casa da minha infância havia uma figueira pingo de mel. Quando desapareceu, nunca mais encontrei essa delícia em lugar nenhum. Ninguém mais tinha, não se vendia. Só sucedâneos. Comprei uma figueira que me foi apresentada como sendo pingo de mel. Não era. Era uma coisa remotamente parecida. E ficou uma saudade pungente de uma exultação irremediavelmente perdida. Finalmente, encontrei na Web esta foto saborosa. Depois de tantos anos, achei alguma coisa que me reconstruiu a esperança: parece que o figo pingo de mel ainda é vivo. A alegria pode ser um figo pingo de mel. Vários, num cabaz, a felicidade suprema…
(Imagem daqui)
26 de janeiro de 2009
ouvido aqui e ali
“Quero felicitá-la, Senhora Ministra, por tudo o que conseguiu, e dizer-lhe que foi um gosto trabalhar consigo.”
Foi exactamente isto que disse o Primeiro Ministro, agora mesmo, na RTP 1, dirigindo-se a Maria de Lurdes Rodrigues.
Essa agora! FOI?! No passado?! Então é mesmo verdade? Sócrates demitiu a Ministra da Educação? Ou demitiu-se ele próprio? Se assim não fosse, ele teria usado “tem sido um gosto trabalhar consigo”, a menos que não saiba construir o Presente Perfeito (o Pretérito Perfeito Composto).
(Imagem daqui)
a palavra dos outros
“O mal destas reformas tem a ver com a falta de ideias de obra e a ausência de manifestações de comunhão, só mobilizáveis pela gestão motivacional do bem comum. E a crise espiritual resulta da invasão dos tecnocratas, dos tais educacionólogos e avaliólogos, uma fauna ornitológica que está a destruir tanto a educação nacional como a própria instrução pública, em nome de uma nebulosa reforma pela reforma que não passa de mera tradução em calão de reformas estranhas à nossa índole e à nossa experimentação. Umas traduções em calão que nem sequer são dignas daqueles antigos estrangeirados do verdadeiro método de estudar, ou da "ratio studiorum" dos jesuítas, dos que souberam nacionalizar tendências importadas.” (Sublinhados meus)
José Adelino Maltez in Sobre o tempo que passa
(Imagem daqui)
Curso-me, mestro-me e doutoro-me em…
Estive a ler uns curricula de professores que são deputados socialistas e que, na passada sexta-feira, se submeteram, obviamente, à disciplina de voto socratina. Digo “obviamente”, porque ninguém é néscio o suficiente para deitar tachos a perder de modo tão gratuito…
Um deles é licenciado em Física. Muito bem. Tiraria o chapéu se, por acaso usasse um. Mas depois acrescenta logo “ramo de ensino”. Aí piorou exponencialmente. Finalmente, o mesmo professor acrescenta ainda uma pós-graduação em Supervisão e Orientação da Prática Profissional. Aí fodeu tudo! Soa-me ao típico curso de quem aspira a capataz e pretende aprender a lixar os outros, convencendo-os sempre de que os quer ajudar. Este deputado socialista é professor do 3º ciclo e do ensino superior! Maravilha! Pasmo! Nem mais! É do terceiro ciclo e do superior, tudo junto e ao mesmo tempo. Na boa…
Outra é licenciada em marketing. E esta? Para que camandro servirá uma licenciatura destas? E onde se tiram estas coisas? Não haverá por aí uma licenciatura em caixeiro-viajante? Ai há? Bem me queria parecer…
Um terceiro professor deputado é licenciado em Educação e Animação Comunitária. Juro, é isso mesmo que lá está. Em meu entender, uma licenciatura em Animação Comunitária aproxima-se vertiginosamente de uma licenciatura em Sexo Grupal. Ah, é a mesma coisa? Não? Ah, existem ambas! Entendi.
(Pena que aquele que se doutorou há dias em Cabra do Gerês não seja deputado socialista.)
(Imagem daqui)
25 de janeiro de 2009
a palavra dos outros
Só para vos mostrar mais uma vez os golpes de génio e de ternura que se vão publicando no Brasil. Encontrei este poema de Ferreira Gullar, no Poetas do Tietê.
meu pai foi
ao Rio se tratar de
um câncer (que
o mataria) mas
perdeu os óculos
na viagem
quando lhe levei
os óculos novos
comprados na Ótica
Fluminense ele
examinou o estojo com
o nome da loja dobrou
a nota de compra guardou-a
no bolso e falou:
quero ver
agora qual é o
sacana que vai dizer
que eu nunca estive
no Rio de Janeiro (Imagem do blog)