18 de janeiro de 2009

Para que servirão as faculdades?

diploma Está a passar neste momento na TVI um programa sobre profissionais sem canudo. Desde professores a médicos, passando por padres e engenheiros, todos têm em comum o facto de nunca terem andado numa faculdade ou, pelo menos, de nunca terem tirado um canudo, nem mesmo um canudinho. Também têm todos em comum o facto de terem sido competentíssimos nas suas profissões, até serem caçados pelo sistema que os julgou, condenou e proibiu de exercerem as respectivas profissões: o médico, depois de tratar milhares de doentes tão bem quanto o fazem os diplomados, foi suspenso; o professor, considerado excelente por quase todos os estudantes e pelos notórios resultados que obteve, foi obrigado a abandonar o ensino; o padre, orador excelente, camarada excelente e excelente servo de Deus, viu impugnados todos os casamentos que realizou. Só o engenheiro é que teve mais sorte. Conta-se que foi desterrado para um país (zeco) do terceiro mundo, onde se tornou o melhor primeiro-ministro de que há memória. Pelo menos ele acha isso…

(Imagem daqui)

17 de janeiro de 2009

Há um novo embaraço?

A batalha pode estar a mudar de campo, de paradigma. Deixou de ser simplesmente uma batalha entre a Ministra da Educação e a “classe” docente. A luta agora é entre a ética e o oportunismo, entre a dignidade e a baixeza. Temos, portanto, alinhados de um lado do campo os professores que permanecem baluartes indefectíveis da honra e da hbattleombridade, e do outro os vendilhões que aparentam companheirismo mas que, no seu mudo rastejar, entregam objectivos e, à cautela, já requereram aulas assistidas, porque a vida e o futuro, sabem-no eles muito bem, está do lado dos gabirus. O maior inimigo da justa luta dos professores nasce, pois, debaixo dos seus próprios pés, no âmago das suas fileiras. São os que, silentes como bufas, envoltos na poeira dissimuladora, não ousam já erguer os olhos para os que ainda se conservam verticais. Um arremedo de vergonha intimidou-os, mas arrastam-se até onde sabem encontrar os poderes que lhes premiarão a cobardia.

(Imagem daqui)

Já estarei mumificado?!!!

mumia Estou a ouvir o Portas na Antena 1. Tendo eu sido um dos soldados do 25 de Abril, tendo adquirido, nos inícios de 70, uma consciência política anti-fascista e anti-capitalista, tendo, definitivamente, pendido para o lado dos fracos e oprimidos, deveria agora, liminarmente, rejeitar todas as palavras desse esquisito líder do CDS. Mas, caramba! Por mais que me doa, tenho que reconhecer que, até este momento (14H05), não encontrei uma única ideia refutável ou condenável no discurso do centrista da direita. Estarei a ficar velho? Estarei a ficar cansado? Estarei a ficar idiota? Estarei a ficar surdo? Imbecil? Néscio? Mentecapto? Ou estará o CDS muito mais revolucionário que o partido de Sócrates?

Façam-me calar já, por favor. Lancem mão de mordaças e de esbirros, mas não me deixem continuar a escrever. Ainda acabaria por dizer que a minha esquerda não conseguiu falar tão certo… Embrulhem-me em gazes e façam de mim a múmia mais obtusa da civilização…

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16 de janeiro de 2009

Ver o que lá não está?

camisa avalia Os mais velhos, os que acharam que saltariam fora do processo de avaliação, os que sonharam que aquela carroça não era mais sua, enganaram-se outra vez. De facto, o artigo 12º do Decreto Regulamentar nº1-A/2008 de 5 de Janeiro, dispensa-os, claramente, da avaliação do desempenho no corrente ano lectivo. No entanto, alguns conselhos executivos terão recebido instruções (ou recomendações) no sentido de indeferir todos os requerimentos abrigados por aquele documento. Consta-se que o indeferimento se deve a uma interpretação visionária do dito decreto regulamentar, segundo a qual os professores em condições de pedir reforma, ou reforma antecipada, ficariam vinculados à obrigatoriedade de a pedir, de facto, no decurso do ano lectivo de 2010/2011. Ninguém conseguiu ver isso no articulado do 1-A/2008 proveniente dos serviços centrais. Mas alguns conselhos executivos conseguiram. Isso e outras coisas mais.

(Está claro como água: ver de mais não é bom para a saúde. Pelo menos para a minha…)

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12 de janeiro de 2009

Um soldado nunca recua...

asterix ...dá meia volta e avança em frente

Paulo Guinote diz-nos aqui e aqui que não advirão reveses de natureza disciplinar para os professores que não entreguem os seus objectivos individuais. Por maioria de razão, não advirão castigos (para além de não se poder guindar ao Muito Bom ou ao Excelente) a quem não requisitar aulas assistidas. E neste ponto as opiniões dividem-se: uns acham que todos deveríamos requerer esse item da avaliação, pois isso emperraria mais ainda o emperrado e torto processo de avaliação; outros, pelo contrário, sustentam que ninguém deveria requisitá-lo, o que, embora fazendo o jogo do ministério (e indo, portanto, ao encontro de uma das mais queridas expectativas da tutela), injectaria uma nova noção de dignidade e honradez em todo o processo e daria a mais definitiva lição, a “ultimate lesson”, a quem sempre achou estar a dar lições aos professores.

Assim ou assado, mais cru ou menos cozido, a tutela acabou por dispensar da avaliação os professores mais velhos e cansados. E muitos destes estão a voltar as costas à luta que até agora encabeçaram, uma vez que ela deixou, por momentos, de lhes dizer respeito. Quem poderia levar-lhes isso a mal? Do mesmo modo, não se poderá levar a mal o facto de, já há muito, decorrerem nas escolas, por baixo dos panos, indecorosas negociatas para determinar, de um modo mais ou menos apriorístico, quem irá preencher as quotas para Excelente e Muito Bom. São humanos, não são?

(Ils sont fous ces humains...)

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11 de janeiro de 2009

repescando tralices

relogio_contratempo3 Hoje trago-vos este. Chama-se "Não direi isto duas vezes". Na altura em que o escrevi, 15/11/2007, achei que não voltaria a abordar o assunto. Não imaginava então que me enganaria tanto...

7 de janeiro de 2009

Minudências minhas (3)

odio O ódio

Se eu quisesse escrevia coisas como estas. Mas não quero, porque não querer é não poder. Ele escreve assim, espraia-se nos sentimentos e não sabe dizer mal da vida. Está de bem com ela e refinadamente se lhe declara em cada post. Eu não. Eu fui incumbido da parte destrutiva. É-me mais fácil odiar que amar. Olho para as coisas que saltam à vista como despudoradas náuseas e arrefeço vomitando diatribes torpes.

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“Muito além da sala de aula…”

gestao escolar (pois… 750 euros mais além…)

Por que será que um director de uma escola secundária vai receber um suplemento salarial da ordem dos 750 euros mensais? Será que o legislador acha que ser director de uma escola é um cargo mais difícil, ou que dá mais trabalho ou que envolve maiores responsabilidades do que enfrentar diariamente várias turmas de alunos, especialmente dos que hoje se passeiam pelas nossas escolas secundárias, ganindo, bocejando, vociferando e apalpando-se freneticamente pelos cantos? Por que razão o trabalho burocrático de gestão tem que ser mais conceituado e muito mais bem pago que o trabalho lectivo? Será que é porque acham que uma escola não funciona sem um capataz? Será que, finalmente, alguém resolveu exportar também para as escolas a podridão que há muito vem reinando fora delas? Ou será que a atribuição deste suplemento absurdo vai servir para compensar os reveses que os directores vierem a sofrer quando forem enquadrados judicialmente por gestão danosa? Se assim for está tudo explicado, mas o caso, a acontecer, não deixaria de primar pela originalidade…

Claro, a escola secundária não é mais nem é menos que a envolvente sociedade civil. Como raio poderia ficar isenta de tal contaminação?

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Os telefonemas do futuro...

TELEMOvel - É o Senhor Director? Desculpe incomodar mas, como sabe, estamos no início do novo ano lectivo. Deve ser o tempo de fazer as turmas e distribuir o serviço lectivo e essas coisas todas. Seria pedir demais se eu lhe dissesse que gostaria que o meu miúdo este ano tivesse, se possível, professores classificados com Excelente e Muito Bom? … Sim, eu sei que os outros também têm direito à vida, mas eu acho que, se é para ter professores maus, as propinas devem baixar. Uma coisa é pagar propinas para ter professores qualificados de Excelente e Muito Bom. Outra coisa é ter que levar com um professorzeco avaliado com Bom, que deve ser de uma incompetência absoluta. Sabe do que estou a falar, não sabe? O ano passado o meu miúdo só teve dois professores avaliados com Muito bom. O resto era refugo… Nós achamos que devemos ser compensados este ano. Pense com carinho. Saberei agradecer... prazer em ouvi-lo, Senhor Director.

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4 de janeiro de 2009

Blogosfera sempre…

blogosfera Sei que os diálogos de Ana Téjo com o filhote pré-adolescente ultrapassam, de longe, os textos da “Gente de Palmo e Meio” de Augusto Gil. E que os posts do Dragão são muito melhores que os textos de Eça de Queirós. E que Adelino Maltez sabe explicar a história e a política melhor que qualquer Joaquim Pedro de Oliveira Martins. E que entre Odete Ferreira e Sophia de Mello Breyner, prefiro a primeira. É por isso que continuo a pensar que, na blogosfera, estão (e espero continuem) os melhores escritores a que posso aceder. E, virtude das virtudes, completamente à borla. À borla até o dia em que estes e muitos outros bloggers de qualidade se lembrem de reunir uns cobres à custa dos seus talentos, até agora graciosamente distribuídos por todos nós. Nesse dia voltarei aos clássicos e a Humanidade descerá mais um ponto na minha consideração…

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28 de dezembro de 2008

Toca a reunir

macaco Ao longo desta interrupção de aulas, os Conselhos Executivos não estiveram parados. Um deles reuniu por causa de uma pistola de plástico e uma pequena chantagem de alunos sobre uma professora porreiraça. Outros, nomeadamente na região centro, reuniram para discutir a problemática da avaliação dos professores. Muito bem. Parece uma atitude razoável, consuetudinária. Mas por que carga de água eu não me sinto descansado? Por que carga de água estou tão inquieto? Por que carga de água não consigo repousar sereno sobre a notícia? Por que carga de água só me dá para este pessimismo tão irreflectido e vago?

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