A batalha pode estar a mudar de campo, de paradigma. Deixou de ser simplesmente uma batalha entre a Ministra da Educação e a “classe” docente. A luta agora é entre a ética e o oportunismo, entre a dignidade e a baixeza. Temos, portanto, alinhados de um lado do campo os professores que permanecem baluartes indefectíveis da honra e da h
ombridade, e do outro os vendilhões que aparentam companheirismo mas que, no seu mudo rastejar, entregam objectivos e, à cautela, já requereram aulas assistidas, porque a vida e o futuro, sabem-no eles muito bem, está do lado dos gabirus. O maior inimigo da justa luta dos professores nasce, pois, debaixo dos seus próprios pés, no âmago das suas fileiras. São os que, silentes como bufas, envoltos na poeira dissimuladora, não ousam já erguer os olhos para os que ainda se conservam verticais. Um arremedo de vergonha intimidou-os, mas arrastam-se até onde sabem encontrar os poderes que lhes premiarão a cobardia.
(Imagem daqui)
- É o Senhor Director? Desculpe incomodar mas, como sabe, estamos no início do novo ano lectivo. Deve ser o tempo de fazer as turmas e distribuir o serviço lectivo e essas coisas todas. Seria pedir demais se eu lhe dissesse que gostaria que o meu miúdo este ano tivesse, se possível, professores classificados com Excelente e Muito Bom? … Sim, eu sei que os outros também têm direito à vida, mas eu acho que, se é para ter professores maus, as propinas devem baixar. Uma coisa é pagar propinas para ter professores qualificados de Excelente e Muito Bom. Outra coisa é ter que levar com um professorzeco avaliado com Bom, que deve ser de uma incompetência absoluta. Sabe do que estou a falar, não sabe? O ano passado o meu miúdo só teve dois professores avaliados com Muito bom. O resto era refugo… Nós achamos que devemos ser compensados este ano. Pense com carinho. Saberei agradecer... prazer em ouvi-lo, Senhor Director.