- É o Senhor Director? Desculpe incomodar mas, como sabe, estamos no início do novo ano lectivo. Deve ser o tempo de fazer as turmas e distribuir o serviço lectivo e essas coisas todas. Seria pedir demais se eu lhe dissesse que gostaria que o meu miúdo este ano tivesse, se possível, professores classificados com Excelente e Muito Bom? … Sim, eu sei que os outros também têm direito à vida, mas eu acho que, se é para ter professores maus, as propinas devem baixar. Uma coisa é pagar propinas para ter professores qualificados de Excelente e Muito Bom. Outra coisa é ter que levar com um professorzeco avaliado com Bom, que deve ser de uma incompetência absoluta. Sabe do que estou a falar, não sabe? O ano passado o meu miúdo só teve dois professores avaliados com Muito bom. O resto era refugo… Nós achamos que devemos ser compensados este ano. Pense com carinho. Saberei agradecer... prazer em ouvi-lo, Senhor Director.
(Imagem daqui)
António Manuel Pina escreveu algures que o processo de avaliação dos professores é uma sopa de pedra ao contrário. A ministra foi subtraindo ingredientes até ficar só com a pedra. De facto, o símile está notável, como quase tudo o que sai da pena do escritor jornalista. Não li o artigo, mas se Pina não tira também a pedra, correremos o risco de ainda sobrar coisa demais do modelo de avaliação inicial. Quem me diz a mim que a pedra não engendrará, por si só, outro modelo semelhante? Há pedras parideiras e esta, ensopada que ficou de tanta malevolência e de tanto acinte, pode muito bem contaminar qualquer novo ingrediente que se ponha numa qualquer novíssima panela que, em breve e fatalmente, se derramará sobre nós.