A propósito da ressurreição de Marx
“Comecemos pela escolha do próprio Marx como aquele a que se "regressa" sempre que há uma crise da economia capitalista, acompanhada por um sentimento popular de sempre, que já existia na Roma antiga, contra o dinheiro e os ricos, e que agora se intitula "anticapitalismo popular"”. (Abrupto, 22 12 08)
Pacheco Pereira, lúcido como sempre, aborda aqui a questão do medo de Marx, ou da esperança em Marx, ou da hipotética alternativa do Marxismo ao Liberalismo mundial. Também eu, na minha ignorância, tenho vindo a reanimar Marx, Engels, Rosa Luxemburgo, Proudhon e tantos outros, mal rebentou esta sintomática crise financeira. Mas é óbvio que não comungo do optimismo absurdo de que o capitalismo vai cair por si um dia destes. E não me lembro de ter ouvido nenhum daqueles autores ostentar, alguma vez, tamanha confiança…
(Imagem daqui)
António Manuel Pina escreveu algures que o processo de avaliação dos professores é uma sopa de pedra ao contrário. A ministra foi subtraindo ingredientes até ficar só com a pedra. De facto, o símile está notável, como quase tudo o que sai da pena do escritor jornalista. Não li o artigo, mas se Pina não tira também a pedra, correremos o risco de ainda sobrar coisa demais do modelo de avaliação inicial. Quem me diz a mim que a pedra não engendrará, por si só, outro modelo semelhante? Há pedras parideiras e esta, ensopada que ficou de tanta malevolência e de tanto acinte, pode muito bem contaminar qualquer novo ingrediente que se ponha numa qualquer novíssima panela que, em breve e fatalmente, se derramará sobre nós.