22 de dezembro de 2008

A palavra dos outros

marx A propósito da ressurreição de Marx

Comecemos pela escolha do próprio Marx como aquele a que se "regressa" sempre que há uma crise da economia capitalista, acompanhada por um sentimento popular de sempre, que já existia na Roma antiga, contra o dinheiro e os ricos, e que agora se intitula "anticapitalismo popular"”.  (Abrupto, 22 12 08)

Pacheco Pereira, lúcido como sempre, aborda aqui a questão do medo de Marx, ou da esperança em Marx, ou da hipotética alternativa do Marxismo ao Liberalismo mundial. Também eu, na minha ignorância, tenho vindo a reanimar Marx, Engels, Rosa Luxemburgo, Proudhon e tantos outros, mal rebentou esta sintomática crise financeira. Mas é óbvio que não comungo do optimismo absurdo de que o capitalismo vai cair por si um dia destes. E não me lembro de ter ouvido nenhum daqueles autores ostentar, alguma vez, tamanha confiança…

(Imagem daqui)

21 de dezembro de 2008

Minudências minhas (2)

CASA GANDAREZA A casa

Moro dentro de uma coisa a que dificilmente se poderia chamar casa. Húmida, velha e fria, todas as condições de habitabilidade lhe passaram ao lado. Com quase duzentos anos e uma construção tosca de amadores, hoje não seria aprovada pela Câmara. E, no entanto, viveram nela até agora quatro compridas gerações, sempre apinhadas à volta da sua característica principal – a enorme lareira.

Quando eu me for, ela ficará aí, abandonada sobre a areia gandaresa, talvez semi-inundada por um mar cada vez mais perto, cada vez mais alto…

A minha casa entrega-se ao destino sem um gemido. E, no entanto, cumpriu denodadamente a sua função: Quando a minha mãe morreu, ficou ela, mitigando dores e afagando tristezas. Depois foi-se o meu pai e ficou ela, preservando memórias e acendendo novos lumes para aquecer restos de vida que me sobraram…

Não tenho dúvidas da identidade absoluta que nos une: eu sou ela e ela é eu. Simbioticamente amparando-nos...

(Imagem daqui)

20 de dezembro de 2008

Pina e a sopa de pedra

sopadepedra António Manuel Pina escreveu algures que o processo de avaliação dos professores é uma sopa de pedra ao contrário. A ministra foi subtraindo ingredientes até ficar só com a pedra. De facto, o símile está notável, como quase tudo o que sai da pena do escritor jornalista. Não li o artigo, mas se Pina não tira também a pedra, correremos o risco de ainda sobrar coisa demais do modelo de avaliação inicial. Quem me diz a mim que a pedra não engendrará, por si só, outro modelo semelhante? Há pedras parideiras e esta, ensopada que ficou de tanta malevolência e de tanto acinte, pode muito bem contaminar qualquer novo ingrediente que se ponha numa qualquer novíssima panela que, em breve e fatalmente, se derramará sobre nós.

(Que venha antes canja. Cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém...)

(Imagem daqui)

18 de dezembro de 2008

Ouvido aqui e ali

alentej Dois Alentejanos à saída da tasca:

- UMKCTI?

- UTQ?

- UMKCTI.

- UTKCTI?!  NAC.

(Sabe traduzir isto? Tente lá...)

(Imagem daqui)

17 de dezembro de 2008

Minudências minhas (1)

minudenciasminhas A pele       

A minha pele inquieta-se todos os dias. Inquieta-me. Não tenho mais idade para isso. Mas ela teima em aflorar-se, florir-me, implorar a flor de outras peles em flor. E eu não tenho mais idade para flores à flor da pele. A minha pele deveria estar quieta, como uma pele razoável, no razoável declínio da saída… Esta pele é parva, ou quê? Que pateta de pele me arranjou a vida…

(Imagem daqui)

13 de dezembro de 2008

Precipitação? Não, é ódio mesmo…

Professores Não tenho coragem de lhe chamar uma medida idiota. (Tenho família para sustentar e preciso do meu emprego). Também não será uma medida precipitada. Se há medidas que nunca me pareceram precipitadas foram as da Senhora Ministra da Educação. Mas a Senhora em questão, apoiada por um governo também muito pouco precipitado, publicou hoje mesmo a derradeira decisão: os professores têm, a partir de hoje, sábado, cinco dias para decidir sobre um pequeno set de opções, como, por exemplo, se querem aulas assistidas ou não e qual a calendarização para inserir os itens da sua avaliação. Ouviram bem. A Ministra está farta de esperar e, num último fôlego, (espero que seja realmente o último), dá agora cinco dias para os professores decidirem, rápido e em força, sobre as suas vidinhas.

Tudo bem. Mas acontece que eu estou agora, e durante os próximos cinco dias, a trabalhar na avaliação dos alunos, assunto sério que não me deixa tempo nem disponibilidade para pensar sobre a minha própria avaliação. Portanto, a Senhora Ministra da Educação não tem outro remédio senão dar-me outros cinco dias a partir do dia cinco de Janeiro, já que, até lá, para além do meu dever de avaliar bem os meus alunos, não vou fazer nem mais um c_ _ _ _ _ _, como diria qualquer operário fabril das Caldas, às cinco da tarde.

(Imagem daqui)

Feliz Natal

V1glfxmasani24 Desejo a todos os que, por mero acaso, passem por aqui, e aos outros poucos que este local demandem voluntariamente, um Feliz Natal e um Ano Novo cheio de alegrias, saúde e trocos para a bica.

 

(Imagem daqui)

29 de novembro de 2008

Os génios são mesmo malucos...

einstein "Há que conceder aos professores a maior das liberdades no que respeita aos conteúdos a ensinar, assim como aos métodos a utilizar. Pois é verdade que também para estes o prazer na execução do seu trabalho pode ser aniquilado pela força ou pela pressão exterior”. 
       Albert Einstein                       

In Anovis Anophelis  (Imagem daqui)

27 de novembro de 2008

Parar para poder trabalhar…

avaliarprofs Estamos parados. Os professores aproveitaram esta pausa na demência colectiva para trabalhar para os alunos: elaboram testes e fichas formativas, corrigem e avaliam instrumentos, retomam actividades de preparação de aulas, reúnem para coordenação de trabalho lectivo, repensam estratégias e promovem atitudes pedagógicas para combater a indisciplina generalizada nas escolas. Trata-se de um intervalo curto, é certo, na demência institucional. Mas mostra que tudo pode voltar a acontecer, se se suspender o tortuoso abrolho da avaliação.

Perguntarão: qual avaliação, João? A da ministra? A dos sindicatos? A dos restantes teóricos da Educação? A chilena? A americana? A de leste? A do norte? Que me desculpem os mais puros e radicais defensores dessa tonta deformidade, mas respondo-lhes como segue: não é esta ou aquela. É toda a avaliação que, de um modo ou de outro, retire aos professores a concentração no seu trabalho e o desejo de fazerem o melhor que sabem e podem, a bem dos alunos, da sua educação integral e de uma formação técnica, científica e humanística de excelência.

Querem avaliar os professores? Façam-no, ora essa, mas de modo a não os perturbar. De preferência que eles não dêem por isso…

(Imagem daqui)

26 de novembro de 2008

Ouvido aqui e ali...

portugues A ETA Ocidental  (ouvido em Espanha)

 

“Existe um povo que habita uma estreita língua de areia na parte mais ocidental da Espanha, que resiste, agora e sempre, ao invasor. Crêem-se independentes e insistem em chamar-se Portugueses.”

 

(Imagem daqui)

23 de novembro de 2008