13 de dezembro de 2008

Precipitação? Não, é ódio mesmo…

Professores Não tenho coragem de lhe chamar uma medida idiota. (Tenho família para sustentar e preciso do meu emprego). Também não será uma medida precipitada. Se há medidas que nunca me pareceram precipitadas foram as da Senhora Ministra da Educação. Mas a Senhora em questão, apoiada por um governo também muito pouco precipitado, publicou hoje mesmo a derradeira decisão: os professores têm, a partir de hoje, sábado, cinco dias para decidir sobre um pequeno set de opções, como, por exemplo, se querem aulas assistidas ou não e qual a calendarização para inserir os itens da sua avaliação. Ouviram bem. A Ministra está farta de esperar e, num último fôlego, (espero que seja realmente o último), dá agora cinco dias para os professores decidirem, rápido e em força, sobre as suas vidinhas.

Tudo bem. Mas acontece que eu estou agora, e durante os próximos cinco dias, a trabalhar na avaliação dos alunos, assunto sério que não me deixa tempo nem disponibilidade para pensar sobre a minha própria avaliação. Portanto, a Senhora Ministra da Educação não tem outro remédio senão dar-me outros cinco dias a partir do dia cinco de Janeiro, já que, até lá, para além do meu dever de avaliar bem os meus alunos, não vou fazer nem mais um c_ _ _ _ _ _, como diria qualquer operário fabril das Caldas, às cinco da tarde.

(Imagem daqui)

Feliz Natal

V1glfxmasani24 Desejo a todos os que, por mero acaso, passem por aqui, e aos outros poucos que este local demandem voluntariamente, um Feliz Natal e um Ano Novo cheio de alegrias, saúde e trocos para a bica.

 

(Imagem daqui)

29 de novembro de 2008

Os génios são mesmo malucos...

einstein "Há que conceder aos professores a maior das liberdades no que respeita aos conteúdos a ensinar, assim como aos métodos a utilizar. Pois é verdade que também para estes o prazer na execução do seu trabalho pode ser aniquilado pela força ou pela pressão exterior”. 
       Albert Einstein                       

In Anovis Anophelis  (Imagem daqui)

27 de novembro de 2008

Parar para poder trabalhar…

avaliarprofs Estamos parados. Os professores aproveitaram esta pausa na demência colectiva para trabalhar para os alunos: elaboram testes e fichas formativas, corrigem e avaliam instrumentos, retomam actividades de preparação de aulas, reúnem para coordenação de trabalho lectivo, repensam estratégias e promovem atitudes pedagógicas para combater a indisciplina generalizada nas escolas. Trata-se de um intervalo curto, é certo, na demência institucional. Mas mostra que tudo pode voltar a acontecer, se se suspender o tortuoso abrolho da avaliação.

Perguntarão: qual avaliação, João? A da ministra? A dos sindicatos? A dos restantes teóricos da Educação? A chilena? A americana? A de leste? A do norte? Que me desculpem os mais puros e radicais defensores dessa tonta deformidade, mas respondo-lhes como segue: não é esta ou aquela. É toda a avaliação que, de um modo ou de outro, retire aos professores a concentração no seu trabalho e o desejo de fazerem o melhor que sabem e podem, a bem dos alunos, da sua educação integral e de uma formação técnica, científica e humanística de excelência.

Querem avaliar os professores? Façam-no, ora essa, mas de modo a não os perturbar. De preferência que eles não dêem por isso…

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26 de novembro de 2008

Ouvido aqui e ali...

portugues A ETA Ocidental  (ouvido em Espanha)

 

“Existe um povo que habita uma estreita língua de areia na parte mais ocidental da Espanha, que resiste, agora e sempre, ao invasor. Crêem-se independentes e insistem em chamar-se Portugueses.”

 

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23 de novembro de 2008

22 de novembro de 2008

A Senhora Ministra aparou as pontas…

cortar cabeloA Ministra da Educação disse que aparou as pontas do seu sistema de avaliação de professores. Na gíria barbeiral, terá feito um caldinho. No entanto. eu duvido que tenha sido assim uma intervenção estética de tal ligeireza. Quanto a mim, ela derrubou, com denodo, dois dos quatro grandes pilares de suporte do seu tratado de avaliação docente: 1 deixou cair, ou antes, esboroou a sua sempre tão ditosa teoria de que a avaliação dos docentes se cruzava, inalienavelmente, com os resultados escolares dos alunos; 2 deixou cair a obrigatoriedade das aulas assistidas para os professores que não almejem a mais que um Bom. Os dois pilares que ainda ficaram são as cotas e o abrolho da divisão indecente e artificial dos docentes nas duas categorias artificiais de professores e titulares. Porém se estes dois sustentáculos lhe caem, o seu sistema pulveriza-se…

Seja como for, muito ou pouco, caldinho ou carecada, o que restou do seu sistema já pouco tem a ver com a tonitruante catástrofe que era antes da tonsura...

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16 de novembro de 2008

15 de novembro de 2008

Ordem de serviço número…

ordem serviço Com o fim de não perturbar o normal funcionamento das aulas, pede-se a todos os Alunos que esperem os seus Professores à saída da escola para então lhes poderem arriar. Todos temos consciência de que nem sempre é fácil esperar até ao fim da aula, mas trata-se de um pequeno sacrifício que conduzirá ao cumprimento dos programas e trará aos professores uma nova motivação para dar as suas aulas. Suspeita-se até de que, com esta medida, muitos deles preferirão mesmo ficar na sala, em vez de tentarem dirigir-se às suas viaturas e às suas famílias. Com esta medida esperamos melhorar substancialmente o empenho dos professores e o sentido de auto-controlo dos nossos Alunos.

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Teatro Blogosférico

zegrandao João Honesto e Zé Grandão

Zé Grandão – João, já foste avaliado?

João Honesto – Honestamente, ainda não. Na minha escola, o processo está meio parado… isto é, eu não sei se está parado ou se anda devagarinho, imperceptivelmente, e afinal até anda e a gente nem sabe… O executivo, apesar da nossa posição de recusa do modelo, segundo a qual todos assinámos pela suspensão do dito, continua a enviar-nos materiais relacionados com o processo de avaliação. É claro que eu não sei se aquilo é mesmo a sério ou se é apenas um acto de inércia… Não é fácil pensar com a cabeça nestas circunstâncias e quem comanda estas atitudes nunca é a lógica, mas sim o hábito.

Zé Grandão – Eu cá por mim quero ser avaliado porque mudo de escalão um dia destes, porra! E, se o pessoal pára com esta porcaria da avaliação, quando diabo vou eu mudar de escalão? Em que escalão é que tu estás, João Honesto?

João Honesto – Honestamente, não sei. Só sei que, em vez de subir, desci, mas tudo isso deve ser por causa da crise… Temos todos que nos sacrificar…

Zé Grandão – Eu também não sei em que escalão estou, mas a luz está muito cara e agora rebentou-se-me lá em casa mais um puto… Quem tem filhotes não pode ficar dependente de pruridos sobre sistemas de avaliação, carreiras docentes, ministras, acordos, inflexões, paneleirices, etc…

João Honesto – Pois, eu compreendo, ou seja, honestamente, não compreendo, mas aceito… Eu afinal aceito tudo…

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repescando tralices…

relogio contratempo Faz hoje um ano no tralapraki

Por mais remendos que, desde então, tenham vindo a ser costurados pelos alfaiates do ministério ou por outros mais provincianos, ou por mais tentativas que tenham sido feitas no sentido de amenizar a precária convivência escolar, este texto, bebé de um ano, ainda é absolutamente actual.