O sol apagado do Outono lambe a vertical história pátria...
23 de novembro de 2008
22 de novembro de 2008
A Senhora Ministra aparou as pontas…
Seja como for, muito ou pouco, caldinho ou carecada, o que restou do seu sistema já pouco tem a ver com a tonitruante catástrofe que era antes da tonsura...
(Imagem daqui)
16 de novembro de 2008
15 de novembro de 2008
Ordem de serviço número…
Com o fim de não perturbar o normal funcionamento das aulas, pede-se a todos os Alunos que esperem os seus Professores à saída da escola para então lhes poderem arriar. Todos temos consciência de que nem sempre é fácil esperar até ao fim da aula, mas trata-se de um pequeno sacrifício que conduzirá ao cumprimento dos programas e trará aos professores uma nova motivação para dar as suas aulas. Suspeita-se até de que, com esta medida, muitos deles preferirão mesmo ficar na sala, em vez de tentarem dirigir-se às suas viaturas e às suas famílias. Com esta medida esperamos melhorar substancialmente o empenho dos professores e o sentido de auto-controlo dos nossos Alunos.
(Imagem daqui)
Teatro Blogosférico
Zé Grandão – João, já foste avaliado?
João Honesto – Honestamente, ainda não. Na minha escola, o processo está meio parado… isto é, eu não sei se está parado ou se anda devagarinho, imperceptivelmente, e afinal até anda e a gente nem sabe… O executivo, apesar da nossa posição de recusa do modelo, segundo a qual todos assinámos pela suspensão do dito, continua a enviar-nos materiais relacionados com o processo de avaliação. É claro que eu não sei se aquilo é mesmo a sério ou se é apenas um acto de inércia… Não é fácil pensar com a cabeça nestas circunstâncias e quem comanda estas atitudes nunca é a lógica, mas sim o hábito.
Zé Grandão – Eu cá por mim quero ser avaliado porque mudo de escalão um dia destes, porra! E, se o pessoal pára com esta porcaria da avaliação, quando diabo vou eu mudar de escalão? Em que escalão é que tu estás, João Honesto?
João Honesto – Honestamente, não sei. Só sei que, em vez de subir, desci, mas tudo isso deve ser por causa da crise… Temos todos que nos sacrificar…
Zé Grandão – Eu também não sei em que escalão estou, mas a luz está muito cara e agora rebentou-se-me lá em casa mais um puto… Quem tem filhotes não pode ficar dependente de pruridos sobre sistemas de avaliação, carreiras docentes, ministras, acordos, inflexões, paneleirices, etc…
João Honesto – Pois, eu compreendo, ou seja, honestamente, não compreendo, mas aceito… Eu afinal aceito tudo…
(Imagem daqui)
repescando tralices…
Faz hoje um ano no tralapraki
Por mais remendos que, desde então, tenham vindo a ser costurados pelos alfaiates do ministério ou por outros mais provincianos, ou por mais tentativas que tenham sido feitas no sentido de amenizar a precária convivência escolar, este texto, bebé de um ano, ainda é absolutamente actual.
14 de novembro de 2008
Ouvido aqui e ali...
1. É tudo uma questão de gratidão. Sócrates quer fazer pela Educação exactamente o que a Educação fez por ele...
2. A Ministra da Educação veio a lume fazer a sua primeira ameaça. Disse ela que a desobediência nas escolas "não vai ficar assim". Os mais optimistas, no entanto, interpretaram estas palavras como uma afirmação de que a desobediência vai recrudescer.
3. A canalha é levada da breca. Imaginem só que ouvi um aluno afirmar que, no Natal, vai oferecer uma frigideira à Sra Ministra da Educação...
9 de novembro de 2008
a palavra dos outros
Tive que me render, finalmente, à Geração Rasca e a muitos dos seus textos. Este, por exemplo, (tal como o anterior “Era uma vez num país democrático”) fala baixinho e morde. (No princípio achei que se escrevia mal ali. Continuo a achar. Mas o que, eventualmente, se perde em correcção sintáctica ganha-se, com juros, em imaginação e perspicácia…)
objectivos individuais
Hoje decidi que afinal iria entregar a grelha dos objectivos individuais. O meu medo era que me obrigassem a adivinhar o futuro, num momento em que nem o Zandinga me valeria, dada a distância a que me encontro do final do ano lectivo. Mas não. Afinal já algum outro Zandinga me tinha precedido na adivinhação, e me informou, com clareza e rigor milimétrico, de quais são os meus objectivos individuais. Ainda há gente que trabalha para o bem comum. Antes assim. O meu único e gigantesco esforço foi assistir a uma reunião de duas horas para ser instruído sobre como se faz um documento que já está feito. Parece muito fácil mas, como logo se depreende, trata-se de um verdadeiro embróglio de lógica formal fregiana. Reconheço que não me foi fácil entender. Finalmente, aquietada a indecorosa e impertinente consciência, lá copiei, assinei e guardei o documento para posterior gargalhada.
(Imagem daqui)
8 de novembro de 2008
Manifestação em Lisboa
Estou a sair agora mesmo de casa, Senhora Ministra. Em três horas estarei aí, frente a frente com Vª Exª. Levo outros cem mil, talvez mais... Espero mesmo incorporar na manifestação a Dra Manuela Ferreira Leite, seja lá o que isso possa significar para a Senhora, para mim ou para o país. (Desejo bons sonhos a Vª Exª. As nossas manifs são, certamente, o seu melhor soporífero...)
7 de novembro de 2008
Correspondência privada. Por favor, não viole…
Tornou-se escandalosamente óbvio o fervilhar dos joguinhos de interesse, o assumir despudorado das novas relações suserano-vassalo, finalmente consolidadas nas nossas escolas secundárias. A princípio muito tímidas, muito contidas em reservada e prudente discrição, eis que, lentamente, estas novas interacções se foram escancarando como putas famintas. A arrogância desmedida e a esquizofrénica empáfia de muitas avaliadoras contrasta, cada vez mais brutalmente, com a torpe submissão, a convenientemente servil auto-humilhação de muitos dos avaliados. Todos os dias se sorri demais onde seria suposto escoicear um pouco. Todos os dias gente ignorante e fátua pule galões que ninguém consegue ver.
PS1. Não houve erro nem mistificação de género. As avaliadoras são elas. Os avaliados são eles. Ou talvez eu esteja a generalizar alguma situação concreta de que tenha um infeliz conhecimento.
PS2. Uma escola de bestas hediondas e de vermes repugnantes. Mas todos ignóbeis lacaios do Medo.
PS3. Se alguém pensa que eu irei a sua casa bater à porta com os pés, está subornadamente enganado…
(Imagem daqui)