9 de novembro de 2008

objectivos individuais

objectindiv Hoje decidi que afinal iria entregar a grelha dos objectivos individuais. O meu medo era que me obrigassem a adivinhar o futuro, num momento em que nem o Zandinga me valeria, dada a distância a que me encontro do final do ano lectivo. Mas não. Afinal já algum outro Zandinga me tinha precedido na adivinhação, e me informou, com clareza e rigor milimétrico, de quais são os meus objectivos individuais. Ainda há gente que trabalha para o bem comum. Antes assim. O meu único e gigantesco esforço foi assistir a uma reunião de duas horas para ser instruído sobre como se faz um documento que já está feito. Parece muito fácil mas, como logo se depreende, trata-se de um verdadeiro embróglio de lógica formal fregiana. Reconheço que não me foi fácil entender. Finalmente, aquietada a indecorosa e impertinente consciência, lá copiei, assinei e guardei o documento para posterior gargalhada.

(Imagem daqui)

8 de novembro de 2008

Manifestação em Lisboa

manifEstou a sair agora mesmo de casa, Senhora Ministra. Em três horas estarei aí, frente a frente com Vª Exª. Levo outros cem mil, talvez mais... Espero mesmo incorporar na manifestação a Dra Manuela Ferreira Leite, seja lá o que isso possa significar para a Senhora, para mim ou para o país.  (Desejo bons sonhos a Vª Exª. As nossas manifs são, certamente, o seu melhor soporífero...)

7 de novembro de 2008

Correspondência privada. Por favor, não viole…

falsidade Tornou-se escandalosamente óbvio o fervilhar dos joguinhos de interesse, o assumir despudorado das novas relações suserano-vassalo, finalmente consolidadas nas nossas escolas secundárias. A princípio muito tímidas, muito contidas em reservada e prudente discrição, eis que, lentamente, estas novas interacções se foram escancarando como putas famintas. A arrogância desmedida e a esquizofrénica empáfia de muitas avaliadoras contrasta, cada vez mais brutalmente, com a torpe submissão, a convenientemente servil auto-humilhação de muitos dos avaliados. Todos os dias se sorri demais onde seria suposto escoicear um pouco. Todos os dias gente ignorante e fátua pule galões que ninguém consegue ver.

PS1. Não houve erro nem mistificação de género. As avaliadoras são elas. Os avaliados são eles. Ou talvez eu esteja a generalizar alguma situação concreta de que tenha um infeliz conhecimento.

PS2. Uma escola de bestas hediondas e de vermes repugnantes. Mas todos ignóbeis lacaios do Medo.

PS3. Se alguém pensa que eu irei a sua casa bater à porta com os pés, está subornadamente enganado…

(Imagem daqui)

30 de outubro de 2008

Teatro blogosférico

A grelha salvadora

grelha avaliaçao - O Senhor Director dá-me licença?

- Entre, mas olhe que só lhe posso conceder alguns minutos. E isto porque estou de dieta e posso roubá-los à minha hora de almoço.

- É rápido, é rápido. O Senhor Presidente, oh desculpe, o Senhor Director já conhece o nosso avaliador digital, o VerySign 2008 Released 2.06.008 XPTO?

- Já comprei. Custou uma pequena fortuna. Mas que remédio, é a unica maneira de me livrar disto da avaliação, antes de ir para a reforma…

- Perdão, não comprou. O que o Senhor Director deve ter comprado foi certamente o Incredible Evaluater 2008 XPTO, da concorrência. Sem Released, está a ver? E já verificou se o seu avaliador é legal?

- Mas legal em que sentido?

- Ora essa, no sentido de ser absolutamente fiel ao articulado e ao espírito do sistema de avaliação de professores envergonhados em fim de carreira, do Ministério da Educação.

- Sssim, acho que sim, pelo menos já anda tudo aí de pau feito, por tudo que é canto, a testar o tal XPTO.

- Mas já verificou se esse seu sistema está dotado de um anexo para avaliar Portfolios Reflexivos? Claro que não, quando muito avalia um dossier digital, ou coisa pior…

- Bem, ainda não me debrucei seriamente sobre o assunto, mas os meus colaboradores mais directos informam-me que o programa é muito bom: dá as cotas certinhas, cinco por cento, dez por cento, vinte por cento e depois os outros, e ainda os dez por cento de imprestáveis…

- Imprestáveis, disse muito bem. Ora aí está. O meu programa de avaliação não contempla imprestáveis, o que se manifesta muito favorável aos professores e lhes sobe desmesuradamente a auto-estima, um bem precioso em tempo de crise, como o Senhor Presidente, desculpe, o Senhor Director bem sabe. E a simplicidade? Qualquer avaliador, por mais burro que seja, sabe usar o nosso sistema.

- Bom, parece uma proposta muito interessante e salvadora. Vou pensar no seu caso. O seu tempo expirou, peço desculpas. Boa tarde. Dieta, mas nem tanto…

(Imagem daqui)

25 de outubro de 2008

da luta que vale...

A verdadeira luta dos professores passa também por uma urgente auto-responsabilização e uma rápida aquisição de inteligência, sabedoria, coragem e verticalidade (coisas que, de momento, lamento dizê-lo, lhes fenecem), de modo a serem dignos daquilo que um verdadeiro Professor e Homem – Santana Castilho - pensa e diz sobre eles:

santana castilho “(…) E a dissolução ideológica dos professores pela via populista tem procurado ainda, com êxito, identificar e premiar uma nova  vaga de servidores menores – tiranetes deslumbrados ou adesivos - que responderam ao apelo e massacram agora os colegas, inflados com os pequenos poderes que o novo modelo de gestão das escolas lhes proporciona.

A experiência mostrou-me que o problema do ensino é demasiado sério e vital para o abandonarmos ao livre arbítrio dos políticos. “Bolonha”, a que este governo aderiu, ou a flexibilização das formações que este governo promoveu através do escândalo das “novas oportunidades” não se afastam, nos objectivos, dos tempos da submissão ao evangelho marxista, ou seja, os interesses das crianças e dos jovens cedem ante a ideologia dominante, e o resto só conta na medida em que seja eleitoralmente gratificante. Assim, contra a instauração de santanaum regime de burocracia e terror, para salvaguardar a sanidade mental e intelectual dos professores, encaro o protesto e a resistência como um exercício a que ninguém tem, actualmente, o direito de se furtar.”                               Santana Castilho (Professor do Ensino Superior)

(Imagem daqui)

Sobremesa intragável aquela…

gato01 Sexta-feira foi o dia de me chatear. O almoço não tinha sido nenhuma maravilha. E depois aquilo… Já deveria saber que a Dra Maria Coisa de Andrade e Bosta me cai sempre mal depois do almoço. Sobremesa de lascar, amigos, de lascar… E lá estava ela, tresandando a uma pontualidade servil, especada na sala de professores, rodeada por velha cutelaria de aço pardo, colher e faca atentas, solícitas, aquiescentes, burras, burras. Lá estava ela, proeminente como um bolo de bolacha. E falava. Falava de como avaliar os colegas, de como ser rigorosa e séria nessa nobilíssima tarefa, e de bolachas...

Tive que a subtrair ao meu enfado, desmantelando-a, embrulhando-a logo ali num guardanapo de pura indiferença.

(Só não a atirei pela sanita porque iria entupir a única verdadeira evasão do lixo que este prédio acolhe…)

(Imagem daqui)

22 de outubro de 2008

ouvido aqui - E o colega? Fez teste diagnóstico?

- Hmmm… creio que não. Mas, se for preciso, fiz.

                  (contado por Rogério Cunha)

cabruuummmm

cabrum cabruuuuuummmm! ops, que foi aquilo? o onze de setembro? o pinto caiu das escadas? a ministra caiu da cadeira? o socras tropeçou no governo? cabruuuummmmm! ah, fui eu. nunca imaginei que pudesse ser tão visível, audível, ostensivo, patente, detonante, acre. mas sou. partes de mim suspensas do tecto, outras escorrendo bueiro afora, outras minudências minhas fabricando suas próprias deflagrações em cadeia. cabruuuum. cabruuuuuum. cabruuuuum. etc. etc.

(Imagem daqui)

18 de outubro de 2008

É um não docente que assim fala…

…e, no entanto, ou por isso mesmo, eu, que sou docente, não me importaria de ser avaliado por este homem. Nele confio. Em muitos dos meus colegas de profissão, nem tanto...

avaliacaodesempenho “(…) Ao contrário da convicção dos responsáveis pela área da Educação, considera-se que não é legítimo subordinar, mesmo que em parte, a avaliação do desempenho dos professores e a sua progressão na carreira, ao sucesso dos alunos e ao abandono escolar (Decreto Regulamentar nº 2/2008, Artigo 8º, ponto 1, alínea b), desprezando-se uma enormidade de variáveis e de condicionantes que escapam ao controlo e à responsabilidade do professor, tendo em conta a dificuldade fáctica em ponderar, objectivamente, a diversidade e a incomparabilidade de casos e situações. Desta forma, criam-se condições desiguais entre professores. (…)”

“(…) É, pois, perante todos estes argumentos que o Conselho Pedagógico toma a decisão de suspender a sua participação em toda e qualquer iniciativa relacionada com a avaliação do desempenho à luz do novo Modelo de Avaliação do Desempenho na defesa da qualidade do ensino e do prestígio da escola” (…)

Extracto de um texto de José Carlos Lopes  (Representante dos Não Docentes no Conselho Pedagógico do Agrupamento de Escolas de Ovar)

imagem para linkar texto

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(Imagem daqui)

No encalço de Dermeval Saviani (2)

motivaçao Não é fácil motivar para a aprendizagem. Aliás, não existe isso de motivação, pelo menos na asserção de uma motivação extrínseca ao aluno, fabricada pelo professor, utilizando um sem número de enviesadíssimas técnicas para a obtenção de uma sedução artificial. Na perspectiva de muitos estudiosos do processo, a construção técnica de uma sedução pela escola e pelo conhecimento simplesmente não existe. A motivação para o saber tem de residir na escola e no aprendente desde o início, precedendo ambos. A escola e o saber ou são definitiva e intemporalmente sedutores ou dificilmente as nossas idiotas manobras de sedução conduzirão a algo que se pareça com o verdadeiro papel da escola e com uma séria, útil, honesta e credenciada intervenção dela na sociedade. E esta intervenção inclui a elevação de um aprendente do nível espontâneo e empírico ao nível elaborado, científico e filosófico capaz de permitir um percurso até ao entendimento…

(Imagem daqui)

repescando tralices

clock3Em vez de PC's, deem-nos bússolas...

26 10 07

Sobre a desorientação provocada pela indefinição de objectivos para o sistema. Hoje, parte dessa desorientação foi mitigada. Depois de muito penarem, os professores parecem ter finalmente entendido o que a equipa educacional deseja para o país. Ou seja, passou-se da meia verdade à verdade insofismável da mentira.