12 de outubro de 2008

A palavra dos outros

É à política e não ao estado que devemos regressar            ("Abrupto", hoje)

crise Pacheco Pereira faz aqui uma análise inteligente sobre a questão da recente crise bolseira e as alegrias e eventuais dividendos políticos que esta actual mancada do sistema capitalista irá trazer a Sócrates e ao partido socialista. Em Pacheco, sempre admirei a coerência interna de um raciocínio limpo, embora não possa garantir que a sua clarividência seja capaz de me fabricar um mundo melhor.

O problema no seu raciocínio de hoje parece-me residir no facto de que nem a crise é capitalista, nem Sócrates é socialista, nem o partido socialista é o que quer que seja, nem mesmo o que Pacheco Pereira está convencido de que ele é. Enfim, nem o liberalismo se afundou, nem o socialismo será instaurado. Esta crise não tem, em termos de sistema económico, nem vencedores nem vencidos. Quem a pagará serão os mesmos de sempre, mas isso não representa nenhuma novidade revolucionária.

Quanto aos dividendos de Sócrates, a ubíqua estupidez lhe atribuirá, certamente, alguns, talvez muitos. Mas acredito que possa por aí haver uma pequena multidão semi-escondida que não votará em José Sócrates nem que a vaca tussa, embora não tenha ainda descoberto em quem votar, pelo simples facto de que não há.

(É que, por vezes, do meio de um monturo de camelices bastardas, podem nascer as flores inesperadas de uma vibrante e indómita inteligência…)

(Imagem tirada daqui)

10 de outubro de 2008

Nunca confie plenamente nos animais domésticos

jose gil José Gil, no Radar Ensaio (Visão, 2 de Outubro de 2008), fala assim da domesticação dos professores: “Assim começa a interiorização da obediência (e, um dia, do amor à servidão). (…) São técnicas terríveis de dominação, de castração e de esmagamento e de fabricação de subjectividades obedientes.”

José Gil tem toda a razão. Os professores foram domesticados. (Também o meu burro o foi. Mas foi no exacto momento em que o dei por irredutivelmente manso que levei dele o maior coice da minha vida. Inesperado e demolidor, tanto quanto o pode ser um coice colectivo de 200.000 patas domesticadas.)

9 de outubro de 2008

Aula de Ingreis

may i - Meia cabine?

- Sorry… What is that supposed to mean?

- Num entendo. Meia cabine, ou não?

- Mas o que é isso de “meia cabine”, ra-

  pariga de Deus?

- Estou a pedir para entrar, claro. Daaaa…

                        (Contado por Rogério Cunha)

(Imagem tirada daqui)

6 de outubro de 2008

A palavra dos outros

karla

Angu Dadá Australopitecus 

Quando se descobre uma grande escritora não se pode ficar, placidamente, sem um sobressalto, olhando o umbigo. Por isso vos trago hoje, vindo da outra margem do mar, este arrepio.

3 de outubro de 2008

Uma história verdadeira…

saudade 

- Mas olha lá, tu gostas dele ó não?

- Mas ele é muito criança pra mim.

- Não é rico. Tem terras… e o pai botou-o a estudar. E tu não dás prós estudos e também não tens grande fazenda. Eu acho que ele pode ser alguém.

- Mas é tão pequeno ainda…

- Ele crece

Assim que soube que mãe e filha falavam dele, esgueirou-se sorrateiro e esqueceu o diálogo. Quarenta anos depois lembrou-se disto e sentiu uma inóspita vontade de lhe contar. Mas agora ela era um esqueleto soterrado há trinta anos, desde que guinou o MG do pai ribanceira abaixo. E ele ia morrer em breve sem mesmo conseguir pagar o T0 dos seus estreitos sonhos.

Em que repartição se resolvem estes casos?

(Imagem tirada daqui)

2 de outubro de 2008

A minha cobardia reside nisto

cobardia Ao longo de alguns anos me agastei por aqui contra quem fez o mundo, os homens, o sistema capitalista e todas as demais encanzinações do universo. A minha falta de mira na detecção dos culpados de todo o mal que há no mundo não é só estupidez. É, sobretudo, cobardia. Quase sempre atribuo todas as culpas à Natureza, à potestade suprema, enfim, a Deus, porque sei que Ele não lê blogues, ou, pelo menos, este. (Há, ainda assim, um potencial perigo de eu vir a ser enquadrado judicialmente pelas minhas invectivas contra o Criador. É o facto de alguém mais perto da minha essência comezinha tomar as dores de Deus e disparar, em Seu nome, um anátema fodido contra mim.)

Quando aprenderei a dizer que os culpados da merda desta sociedade putrefacta estão muito mais perto de mim do que Ele, e lêem blogues, e sabem quem eu sou, bem mais do que eu poderia imaginar e, porventura, desejar?

(Imagem tirada daqui)

27 de setembro de 2008

A palavra dos outros

sistema educativo O “Movimento Mobilização e Unidade dos Professores” cristaliza aqui alguns dos argumentos contra muitas das palhaçadas que dia a dia se vêm infiltrando, de modo mais ou menos clandestino, no Sistema Educativo Nacional.

 

 

(Imagem tirada daqui)

Repescando tralices

clock3 José Manuel Pureza dizia ontem de manhã a Eduarda Maio, no “Conselho Superior” da Antena 1, uma coisa tremendamente parecida com a tralice que hoje vos relembro. Foi publicada em 10 03 2007 e está aqui.

Metamorfose do pastor João Efémero

cordeiro Numa única noite, João Efémero passou de pastor a carneiro. Já pela madrugada, o seu cérebro encurtou e ali se aninhou entre dois chifres retorcidos. Perdeu, num ápice, flauta e lancheira. Tufos de lã shetland woolmark benetton cobriram o seu corpito deturpado.

(Como outros carneiros da Tradição, também João Efémero acha agora que veio para tirar os pecados do mundo…)

(Imagem tirada daqui)

21 de setembro de 2008

Still time to repent…(?)

arrependimento_apatia[1] A Ministra da Educação apostou e temo que tenha ganho.

De olhar desconfiado, como muitos outros, me movo agora pelos corredores do que dantes era uma escola. Esta escola de antes mudou de esquina, mudou de hábitos, mudou de paradigma. A Senhora Ministra da Educação, tão periclitante o ano passado (para se estatelar faltou-nos só um golpe de asa e um pouco mais de subversão), reafirmou-se na cadeira do poder e está a convencer metade dos intervenientes do sistema educativo de que as suas políticas sempre foram meritórias. Abana o seu sucesso fictício como se de um sucesso verdadeiro se tratasse. E poucos se levantam já para a contrariar. Muito em breve todos acreditaremos, mesmo os mais cépticos, que fomos mesmo capazes de resolver o problema do insucesso e do descalabro do sistema educativo. Já só falta que um bom grupo de professores passe incólume pelo seu sistema de avaliação para que todos nos esqueçamos, pesarosos e arrependidos, de tudo o que se fez no passado, incluindo aquela passeata festiva pela Avenida da Liberdade. Será que os professores se transformaram na corja que a Senhora Ministra sempre soube que eles, realmente, eram?

(Imagem tirada daqui)

14 de setembro de 2008

O país da cambada

corderosa O tralapraki já tem estatuto suficiente para tratar do social light, da imprensa dos desocupados, enfim, de todos os palhaços famosos que diariamente desfilam emproados diante dos nossos olhos boquiabertos (uma vez vi uma foto que tinha bocas no lugar dos olhos). “O país da cambada” é a nova rubrica que poderá passar por aqui com alguma regularidade, muito mais que aquela que todos desejariam, inclusive eu.

Caso para hoje: Uma tal de Zulmira Ferreira, que eu nunca tinha visto e que ao princípio confundi com Manuela Ferreira Leite, diz na “Fronhas” o seguinte: “A mala está sempre pronta e onde o meu marido for, eu vou…”

Não sei a que marido esta senhora pertence, mas prezei descobrir que os há ainda mais azarados do que eu…

(Imagem tiradad daqui)