14 de setembro de 2008

O país da cambada

corderosa O tralapraki já tem estatuto suficiente para tratar do social light, da imprensa dos desocupados, enfim, de todos os palhaços famosos que diariamente desfilam emproados diante dos nossos olhos boquiabertos (uma vez vi uma foto que tinha bocas no lugar dos olhos). “O país da cambada” é a nova rubrica que poderá passar por aqui com alguma regularidade, muito mais que aquela que todos desejariam, inclusive eu.

Caso para hoje: Uma tal de Zulmira Ferreira, que eu nunca tinha visto e que ao princípio confundi com Manuela Ferreira Leite, diz na “Fronhas” o seguinte: “A mala está sempre pronta e onde o meu marido for, eu vou…”

Não sei a que marido esta senhora pertence, mas prezei descobrir que os há ainda mais azarados do que eu…

(Imagem tiradad daqui)

11 de setembro de 2008

Coisas giras por email

Palavra aos outros

tristeza "Fui professor durante 37 anos na Escola P. Francisco Soares de Torres Vedras e reformei-me em Janeiro passado. Hoje, dia 1 de Setembro, senti necessidade de voltar à escola para dar um abraço solidário aos meus colegas.

Num expositor da Sala de Professores deixei este texto, que partilho agora com o grupo mais alargado dos leitores deste blogue, cujo mérito tenho divulgado sempre que posso.

CARTA ABERTA AOS MEUS COLEGAS PROFESSORES

Pela primeira vez em muitos anos não retomo a actividade docente no início do ano lectivo. Mas não o lamento e é isso que me dói. Sempre disse que queria ficar na escola mais alguns anos para além do tempo da reforma, desde que tivesse condições de saúde para tal. Contudo, vi-me 'obrigado' a sair mais cedo, inclusivé aceitando uma penalização de 4,5% sobre o vencimento.

Não sou protagonista de nada: o meu caso é apenas mais um no meio de milhares de professores a quem este Governo afrontou. Só quem não conhece as escolas e tem uma ideia errada da função docente é que não entende isto.

É doloroso ouvir pessoas que sempre deram o máximo pela sua profissão, que amam o ensino e têm uma ligação profunda com os alunos, a dizerem que estão exaustas e que lamentam não serem mais velhas para poderem reformar-se já. Vejo com enorme tristeza estes colegas a entrarem no ano lectivo como quem vai para um exílio. Compreendo-os bem…

Este estado de coisas tem responsáveis: são a equipa do Ministério da Educação e o Primeiro-ministro. A eles se deve a criação de um enorme factor de desestabilização e conflito nas escolas que é a divisão artificial da carreira docente entre 'professores titulares' e os outros que o não são. Todos fazem o mesmo, a todos são pedidas as mesmas responsabilidades, mas estão em patamares diferentes, definidos segundo critérios arbitrários. A eles se deve um sistema de avaliação de desempenho que não é mais do que a extensão administrativa daquele erro colossal. A eles se deve a legislação que não reforça a autoridade dos professores na escola, antes os transforma em burocratas ao serviço de encarregados de educação a quem não se pedem responsabilidades e de alunos a quem não se exige que estudem e tenham sucesso por mérito próprio.

No ano passado 100 000 professores na rua mostraram que não se conformavam com este estado de coisas. O Governo tremeu. Mas os Sindicatos de professores não souberam gerir esta revolta legítima.

Ocupados por gente que não dá aulas, funcionalizados e alienados pelo sistema, apressaram-se a assinar um acordo que nada resolveu, antes adiou um problema que vai inquinar o ano lectivo que hoje começa. Todos os que podem estão a vir-se embora das escolas, é a debandada geral. Gente com a experiência e a formação profissional de muitos anos, que ainda podiam dar tanto ao ensino, retiram-se desgostosos, desiludidos, magoados. Deixaram de acreditar que a sua presença era importante e bateram com a porta. O Governo não se importa, nada faz para os segurar: eram gente que tinha espírito crítico e resistia.

«Que se vão embora, não fazem cá falta nenhuma!»

Não, não tenho pena de não voltar à escola. Pelo contrário: entro em Setembro com um enorme alívio. Mas não me sinto bem. Estou profundamente solidário com os meus colegas de profissão e tenho a estranha sensação de que os abandonei, embora saiba quanto isso é pretensioso da minha parte. Vejo com apreensão e desgosto que, trinta e sete anos depois de começar a ser professor, a escola não está melhor.

Sim, regressarei hoje à escola. Mas só para dar um imenso abraço àqueles que, corajosamente, como professores no activo, enfrentam um novo ano lectivo."

                                             Torres Vedras, 1 de Setembro de 2008

                                                             Joaquim Moedas Duarte

(Enviado por Paula Leitão)

(Imagem tirada daqui)

9 de setembro de 2008

O que pretende fazer este ano para melhorar a escola?

logotipoPUBLICO O Público lançou o repto. Quer saber a opinião de 100 professores sobre a pergunta que coloquei como título. Não me fiz rogado e respondi logo, assim:

Nada! Este ano não vou poder fazer nada para melhorar a escola. Devo esclarecer que isso não me orgulha. É, pelo contrário, muito decepcionante. Gostaria imenso de poder contribuir para a melhorar, mas a verdade é que ela, depois da corajosa reforma educativa por que passou recentemente, está absolutamente perfeita e, portanto, teoricamente impermeável a qualquer melhoria…

6 de setembro de 2008

4 de setembro de 2008

Coitado do homicida...

dar aulas Hoje cedo, na revista da imprensa, RTP1:

“Condenado por homicídio foi libertado da prisão e colocado para dar aulas...”

Coitado do homicida! Já sabemos que um homicídio é uma coisa muito feia, mas a pena é, de facto, excessiva. Até concordo com a pena de prisão perpétua para um homicida, mas pô-lo a dar aulas é desumano.     

(Imagem tirada daqui)

30 de agosto de 2008

Crónicas do Olho Esquerdo

olho2 O senhor Presidente da Câmara convidou o meu dono para uma sessão de esclarecimento:

- “… E vamos em breve inaugurar mais um pavilhão gimnodesportivo, um campo de futebol e um clube da canoagem, para que a nossa juventude tenha outras alternativas de ocupação salutar de tempos livres. Na mesma ordem de ideias, pretendemos também alargar o nosso sistema de segurança a toda a rede de bares e discotecas do nosso concelho.”

- “E os mais velhos, senhor Presidente?”

- “Também vemos essa questão com bons olhos. Já temos um projecto para duplicar os bancos de jardim.”

(Os bancos vão custar os olhos da cara, mas são a menina dos olhos do presidente…)

Assinado: Olho Esquerdo

(Imagem tirada daqui)

28 de agosto de 2008

Quem sabe sabe…

44aaf9ee3 Ah, mas agora que o conceituadíssimo relatório Eurydice terá, segundo um articulista do DN, elogiado sem reservas a política educativa portuguesa nestes últimos anos, calam-se, cordatamente, as vozes discordantes e tudo no sistema educativo vai finalmente entrar nos eixos. Pois, se Portugal foi um dos três países (ao lado da Holanda e do Reino Unido) que levaram a cabo uma reforma consistente e profunda do seu sistema educativo, que razão têm aqueles cem mil professores de terceira para se oporem a tão esclarecido documento europeu?...

Só me restam duas perguntas pre-socráticas: 1- Essa consistente reforma lusa consiste, propriamente, em quê? 2- Essa profunda reforma lusa aprofunda, concretamente, o quê?

Ah, só mais duas, desta vez mais cartesianas: Uma reforma consistente e profunda será uma reforma boa? Será bom pertencermos a um grupo tão minoritário de países que fizeram uma reforma tão excelente?

(Imagem tirada daqui)

24 de agosto de 2008

Crónicas do Olho Esquerdo

olho "Hoje, mal levantei a pálpebra, saltou-me logo à vista uma cebola jovem e bonita. Sempre tive com as cebolas uma relação tortuosa. Gosto de as ver já cortadas fininhas, deitadas sobre uma alface, ou bronzeadas em azeite quente, todas escachadas sobre bifes ou iscas. Mas odeio vê-las cortar.

- Isto é um assalto! – gritou-me a cebola – passa para cá os binóculos e os óculos escuros!

Dei-lhe logo tudo. Como não tinha dinheiro, a cebola, enraivecida, levou-me também as pestanas, as pálpebras e as sobrancelhas. Deixou-me, por assim dizer, a olho nu…"

Assinado: Olho Esquerdo

(Inspirado no conto "O olho esquerdo" de Mário Rezende)

(Imagem tirada daqui)

21 de agosto de 2008

Férias e incompetências…

ferias Afinal está explicado o fenómeno. Já todos tínhamos intuído que os nossos estudantes regressam de férias substancialmente diferentes de quando foram. Eles regressam maiores e elas mais bronzeadas. Todos regressam mais barulhentos, autoritários e arrogantes. Estudos recentes, levados a cabo nos EU e em outros países, estabelecem uma inequívoca relação de causa-efeito entre as férias escolares e o aumento da delinquência juvenil. No melhor dos cenário, as férias escolares provocam uma notória perda de saberes e competências adquiridos no decurso do ano lectivo. Ignorância e burrice estão, assim, na razão directa do comprimento das férias.

Este novo facto vem estabelecer dois argumentos inalienáveis: 1- A escola ainda serve para alguma coisa; 2- Não é legítimo culpar o professor do ano passado pelo insucesso deste ano, ou, em alternativa, fica sem efeito qualquer tentativa de avaliação do trabalho do professor que tenha por base uma comparação entre o ano anterior e o presente, visto que o produto desse trabalho se mistificou com as férias escolares. Et voila...

(Imagem tirada daqui)

17 de agosto de 2008

uma memória...

capela E S T A   C A P E L A   F O I   F U

N D A D A  A C U S T A   D A S  C

O M P A N H A S   C A S O E S  N

OVOS  IVELHOS NO ANO D1458

 

Texto da lápide que encimava a porta da capela velha de Portomar. A capela foi demolida na década de 70, por ser demasiado pequena, dando lugar ao mamarracho que ainda hoje se ergue no local. Não conheço o paradeiro da lápide nem da talha dourada do século XVIII, que ornamentava o altar. Pelo que guardo na memória, a capela velha de Portomar era muito parecida com esta que vos mostro, mas com portal rectangular e a torre sineira do lado esquerdo.

Por que falo nisto agora? Simplesmente porque não há na web nenhum registo sobre este caso. Simplesmente para que conste…

(Imagem tirada daqui)