8 de maio de 2008

Ele há cada emprego...

executive Finalmente entendi a razão por que Durão Barroso concorreu àquele emprego em Bruxelas.

Entendi isso hoje, no telejornal da 3: Barroso aproxima-se da sua cadeira, ladrão de galinha, ar delicodoce, andar macio de malandro panamá, dançando no toró de sapato branco glorioso. A sua assistente, uma inefável mulher, cabelos Berlaymont coiffeurs, decote auspicioso, interrompido por leve tailleur executivo, postada por detrás da cadeira de Durão, leva as delicadas mãos ao elaborado espaldar, e aconchega Durão à enorme távola florescente.

Não me lembro de ter visto Prodi ou Santer ou Delors serem assim mimados! Qual seria o homem, em seu perfeito juízo, que recusaria um emprego destes? (Eu aceitá-lo-ia por dois salários mínimos e um salvo-conduto no Genesia ou no Golden Gate). Claro está, José Manuel declarou que o futuro a Deus pertence, mas que gosta muito do emprego e que adquiriu, entretanto, uma experiência valiosíssima (pelo que não correrá o risco de ser considerado inapto para o lugar).

Disso não sei. Mas o lugar da sua sedutora assistente está, por certo, assegurado. Assim haja justiça neste mundo!

 

(Imagem tirada daqui)

7 de maio de 2008

Teresa, 17 anos, deficiente profunda

loucura Teresa apaixonou-se pelo professor de Ginástica. Segue-o por todo o lado com o seu irrequieto e fascinado olhar de girassol. Procura-o nos espaldares, no campo de ténis, dentro dos fatos de treino adidas, nos balneários dos rapazes. Encontra-se com ele, amorosamente, ao lusco-fusco da sua adolescência perturbada. Louca de desejo, contou a toda a escola que o professor a tinha beijado desvairadamente, atrás do pavilhão oficinal, no refúgio dos amantes, onde o sol nunca alcança. Sofreu uns dias o ginasta. Demorámos algum tempo para provar que aquele beijo arrebatado não tinha acontecido no fosso abissal da escola mas no do cérebro de Teresa, alucinado pela demência crua. Demorámos algum tempo para entender que Teresa é limitada na cabeça, mas excessiva no coração.

 

(Imagem tirada daqui)

27 de abril de 2008

Haverá só um partido?

pastel Quando atento na actual conjuntura político-partidária, o que mais me preocupa não é o facto de todos os actuais partidos serem maus, mas antes o facto de todos eles serem bons. Não há, no actual espectro partidário, um partido que uma pessoa possa, sossegadamente, odiar. Não há, de facto, nenhum partido que apeteça roer, esganar, arranhar, vergastar, meter dentro de um pote de vinhos de alhos. Enfim, nenhum partido a quem valha a pena rosnar, alçar a perna ou eleger como saco de pancada privilegiado. Todos têm comportamentos asseados, açucarados, higiénicos. Todos se maquilham daquela cor neutra dos andares modelo. Deve, aliás, ter sido essa super ideologia pastel da construção civil que inspirou o actual leque partidário a ser o que é hoje, não necessariamente cinzento, mas bege, branco sujo, creme ou champanhe. E isso é muito irritante. Irritante e tristemente redutor.

(Imagem tirada daqui)

23 de abril de 2008

"Agora façamos o ponto...

... e mudemos de assunto, sim?"

derrota

Chegaram hoje mais acórdãos a rejeitar providências cautelares interpostas pelos sindicatos de professores contra o processo de avaliação em curso. Chegaram aos cachos e vieram, com força da lei, contrariar outras tantas que, em tempos e em relação ao mesmo assunto, terão tido, nos tribunais, acolhimento favorável.

Visto que não acredito na circunstância de erro judiciário, só me restam duas hipóteses: ou os tempos mudaram de repente ou as anteriores providências cautelares, alegadamente resolvidas a favor da plataforma sindical, nunca existiram.

Se analisar serenamente a primeira hipótese, concluirei que os tempos terão, então, mudado demasiado depressa para que eu possa assimilar a mudança. Se examinar friamente a segunda, terei que reconhecer aqui, diante de todos vós, que esta minha guerra educacional assentou, como tantas outras, num lastimável equívoco.

Só a verdade me faz mexer. Se suspeito da sua ausência, ainda que parcial, esmoreço, capitulo. Declaro-me, pois, terminantemente quieto.

Aplauso a todos os meus adversários. Honra aos vencidos.   :)

(Imagem tirada daqui)

21 de abril de 2008

gramática anamórfica

gramatica(Construções perifrásquicas)

-"Isso deve ser tido em consideração."   - "E foi?"  - "Deve ter sido tido, acho eu."   - "Tens a certeza?"   - "Não, só acho que pode ter devido ter sido tido em consideração…"   - "Então, terá sido devido ser tido."   - "Se não tiver sido, será tido."   - "Sim, terá de ser tido, mas terá sido tido?…"

 

(Imagem tirada daqui)

Ainda sobre o acordo pornográfico...

acordo ... entre Maria de Lurdes e a Plataforma

 

- Eles disseram-me que houve acordo, que é para eu pensar que não houve acordo nenhum. Mas a mim não me enganam: houve acordo, sim senhor!

19 de abril de 2008

O "Abrupto" também sabe...

Sindicalismo “O PCP e os seus Sindicatos sabem, melhor do que ninguém, que precisavam como pão para a boca de um acordo e sabiam que o Ministério também precisava do mesmo. Um precisava de parecer que ganhava e o outro de parecer que cedia.”

In “Abrupto”, 19 04 08.  Para ler integralmente aqui!

... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...

Ou seja: Não será a última vez na história das lutas populares que os sindicatos revisionistas refreiam o ímpeto das massas, amaciando-o e oferecendo-o, já inerte, em bandeja de prata, aos poderes instituídos. E sempre de modo que as mais ignóbeis cedências pareçam vitórias aos olhos daqueles que dizem representar. De modo a poderem perpetuar a sua dúbia permanência na praça.

Ou seja ainda: “Se não sabes jogar, não vale a pena pedir a alguém que jogue por ti”.

In “Tralapraki”, 12 04 08 (uma semana antes do artigo de Pacheco Pereira).  Para reler aqui!

 

(Imagem tirada daqui)

O lado de lá da questão…

ignorancia … para se poder entender o de cá.

Embora dar ouvidos à ignorância não deva nunca representar uma premência na construção da nossa vida e do nosso carácter, é aconselhável, muitas vezes, descer até esse porão do analfabetismo mais arrogante, para que não se quebre, definitivamente, a nossa ligação ao mundo real que, muitas vezes,  é apenas isto e nada mais do que isto.  Assim, recomendo hoje que leiam Fenprof: vergonha nacional, Ensino da Matemática, Elogio dos maus professores e outros textos aqui à mão, em “De Cara ao Vento”.

(Imagem tirada daqui)

Terceiro assalto de um duelo de florete entre dois virtuosos cavalheiros sobre relvado a perder de vista junto à piscina azul da controvérsia educacional

florete Caro Dr. Luís Grave Rodrigues,

O senhor é um conceituado advogado da nossa praça, possui uma retórica brilhante, sabe o que é, sabe o que representa, enfim, tem consciência de si mesmo. Os professores não. Os professores não têm identidade. Não existe uma consciência colectiva entre os professores. Dificilmente encontramos um deles igual ao outro. Não existe unidade entre eles, nem ao nível das suas substâncias, nem ao nível dos seus anseios, nem ao nível dos seus sistemas valorativos, nem das suas formações iniciais ou contínuas, nem das suas práticas pedagógicas, nem das suas áreas disciplinares. Poderíamos, quando muito, afirmar que existe alguma semelhança entre dois professores da mesma idade, possuidores de uma mesma licenciatura, pela mesma universidade, situados no mesmíssimo escalão, leccionando os mesmos curricula aos mesmos níveis de ensino e em turmas semelhantes em idade e indisciplina. Para lá desta presumível equiparação, os professores são todos irremediavelmente diferentes. Irremediavelmente desunidos.

Como pode então o Dr. Luís Grave querer que os professores produzam um (e só um) sistema de avaliação para opor ao que ora se lhes oferece? Impossível. Os professores podem apresentar centenas de sistemas de avaliação diferentes, cada um deles merecendo apoio apenas de porções ínfimas de todo o corpo docente nacional. Um professor de Educação Física ou de Moral ou de TIC não subscreverá, certamente, a mesma paramétrica avaliativa que um professor de Matemática, Física ou Línguas Estrangeiras, a menos que essa paramétrica seja generalista, só de natureza administrativa e relacional e, por conseguinte, imprestável. Há, na verdade, pouco em comum nas práticas pedagógicas das disciplinas que acima confrontei. Nunca será possível construir um sistema, qualquer que ele seja, que se possa, em rigor e honestidade, aplicar a todos. A menos que um qualquer sindicato, de entre os inúmeros existentes na carreira docente (facto que só atesta a insolúvel dispersão e desunião dos seus associados), se sente junto do Ministério e apresente uma proposta alternativa, de natureza e autoria absolutamente individuais. Mas isso foi o que acabou de acontecer e já metade dos professores veio, de imediato, contestá-la.

É todavia possível detectar, entre os professores, um anseio comum que, no entanto, de pouco servirá: os professores querem ser avaliados do mesmo modo que todos os restantes grupos profissionais. Se o método de avaliação da Ministra da Educação é assim tão bom, aceitaria o Dr Luís Grave Rodrigues aplicá-lo aos médicos, aos advogados, aos juízes, aos engenheiros, aos padres, aos jornalistas, aos escritores ...? Experimente. Facilmente se depararia com a sociedade paranóica que tal avaliação engendraria.

Só os professores, pelos vistos, é que merecem uma sociedade assim. E brevemente irão inaugurá-la...

Poucas profissões foram alguma vez tão "avaliadas" como a de professor. Há já vários anos que todo o professor está, sistematicamente, sob reparo social e sob o impacto de enraivecidas suspeitas: suspeitas dos alunos, suspeitas professordos pais, suspeitas dos colegas, suspeitas dos seus naturais enquadradores (Coordenadores de Departamento, Conselhos Pedagógicos, Directores de Turma, Conselhos Executivos e até Pessoal Auxiliar da Acção Educativa). Ah, pois, não sabia?

Com todo o respeito e consideração.

 

(Imagens tiradas daqui e daqui, respectivamente)

14 de abril de 2008

esteto2 "Só se for esta semana. Na próxima semana entro em formação e não quero que me chateiem para coisa nenhuma. Vou fazer o mínimo possível para a escola."

(Isto foi realmente dito . Não fui eu que inventei.)

12 de abril de 2008

Esse acordo é um empate a zero bolas, bolas!

futebolNão vi em lado nenhum a alardeada vitória da plataforma.

Presumo mesmo que o jogo se tenha realizado noutro campo, sem eu saber! Talvez eu tenha assistido a um outro desafio, sem que disso me tenha apercebido. Também não cheguei a entender em que campeonato ou taça se inscreveu o encontro. Cá para mim, não se realizou mesmo. Uma das partes (ainda não sei qual) deve ter “vencido” por falta de comparência da outra…

Aprendi uma coisa: se não sei jogar, não vale a pena pedir a alguém que jogue por mim. Mas quem jogou por mim afirma ter aprendido outra coisa, e assegura-me que dei uma retumbante goleada.

Só podemos estar a falar de dois encontros diferentes...

(Imagem tirada daqui)