19 de abril de 2008

O "Abrupto" também sabe...

Sindicalismo “O PCP e os seus Sindicatos sabem, melhor do que ninguém, que precisavam como pão para a boca de um acordo e sabiam que o Ministério também precisava do mesmo. Um precisava de parecer que ganhava e o outro de parecer que cedia.”

In “Abrupto”, 19 04 08.  Para ler integralmente aqui!

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Ou seja: Não será a última vez na história das lutas populares que os sindicatos revisionistas refreiam o ímpeto das massas, amaciando-o e oferecendo-o, já inerte, em bandeja de prata, aos poderes instituídos. E sempre de modo que as mais ignóbeis cedências pareçam vitórias aos olhos daqueles que dizem representar. De modo a poderem perpetuar a sua dúbia permanência na praça.

Ou seja ainda: “Se não sabes jogar, não vale a pena pedir a alguém que jogue por ti”.

In “Tralapraki”, 12 04 08 (uma semana antes do artigo de Pacheco Pereira).  Para reler aqui!

 

(Imagem tirada daqui)

O lado de lá da questão…

ignorancia … para se poder entender o de cá.

Embora dar ouvidos à ignorância não deva nunca representar uma premência na construção da nossa vida e do nosso carácter, é aconselhável, muitas vezes, descer até esse porão do analfabetismo mais arrogante, para que não se quebre, definitivamente, a nossa ligação ao mundo real que, muitas vezes,  é apenas isto e nada mais do que isto.  Assim, recomendo hoje que leiam Fenprof: vergonha nacional, Ensino da Matemática, Elogio dos maus professores e outros textos aqui à mão, em “De Cara ao Vento”.

(Imagem tirada daqui)

Terceiro assalto de um duelo de florete entre dois virtuosos cavalheiros sobre relvado a perder de vista junto à piscina azul da controvérsia educacional

florete Caro Dr. Luís Grave Rodrigues,

O senhor é um conceituado advogado da nossa praça, possui uma retórica brilhante, sabe o que é, sabe o que representa, enfim, tem consciência de si mesmo. Os professores não. Os professores não têm identidade. Não existe uma consciência colectiva entre os professores. Dificilmente encontramos um deles igual ao outro. Não existe unidade entre eles, nem ao nível das suas substâncias, nem ao nível dos seus anseios, nem ao nível dos seus sistemas valorativos, nem das suas formações iniciais ou contínuas, nem das suas práticas pedagógicas, nem das suas áreas disciplinares. Poderíamos, quando muito, afirmar que existe alguma semelhança entre dois professores da mesma idade, possuidores de uma mesma licenciatura, pela mesma universidade, situados no mesmíssimo escalão, leccionando os mesmos curricula aos mesmos níveis de ensino e em turmas semelhantes em idade e indisciplina. Para lá desta presumível equiparação, os professores são todos irremediavelmente diferentes. Irremediavelmente desunidos.

Como pode então o Dr. Luís Grave querer que os professores produzam um (e só um) sistema de avaliação para opor ao que ora se lhes oferece? Impossível. Os professores podem apresentar centenas de sistemas de avaliação diferentes, cada um deles merecendo apoio apenas de porções ínfimas de todo o corpo docente nacional. Um professor de Educação Física ou de Moral ou de TIC não subscreverá, certamente, a mesma paramétrica avaliativa que um professor de Matemática, Física ou Línguas Estrangeiras, a menos que essa paramétrica seja generalista, só de natureza administrativa e relacional e, por conseguinte, imprestável. Há, na verdade, pouco em comum nas práticas pedagógicas das disciplinas que acima confrontei. Nunca será possível construir um sistema, qualquer que ele seja, que se possa, em rigor e honestidade, aplicar a todos. A menos que um qualquer sindicato, de entre os inúmeros existentes na carreira docente (facto que só atesta a insolúvel dispersão e desunião dos seus associados), se sente junto do Ministério e apresente uma proposta alternativa, de natureza e autoria absolutamente individuais. Mas isso foi o que acabou de acontecer e já metade dos professores veio, de imediato, contestá-la.

É todavia possível detectar, entre os professores, um anseio comum que, no entanto, de pouco servirá: os professores querem ser avaliados do mesmo modo que todos os restantes grupos profissionais. Se o método de avaliação da Ministra da Educação é assim tão bom, aceitaria o Dr Luís Grave Rodrigues aplicá-lo aos médicos, aos advogados, aos juízes, aos engenheiros, aos padres, aos jornalistas, aos escritores ...? Experimente. Facilmente se depararia com a sociedade paranóica que tal avaliação engendraria.

Só os professores, pelos vistos, é que merecem uma sociedade assim. E brevemente irão inaugurá-la...

Poucas profissões foram alguma vez tão "avaliadas" como a de professor. Há já vários anos que todo o professor está, sistematicamente, sob reparo social e sob o impacto de enraivecidas suspeitas: suspeitas dos alunos, suspeitas professordos pais, suspeitas dos colegas, suspeitas dos seus naturais enquadradores (Coordenadores de Departamento, Conselhos Pedagógicos, Directores de Turma, Conselhos Executivos e até Pessoal Auxiliar da Acção Educativa). Ah, pois, não sabia?

Com todo o respeito e consideração.

 

(Imagens tiradas daqui e daqui, respectivamente)

14 de abril de 2008

esteto2 "Só se for esta semana. Na próxima semana entro em formação e não quero que me chateiem para coisa nenhuma. Vou fazer o mínimo possível para a escola."

(Isto foi realmente dito . Não fui eu que inventei.)

12 de abril de 2008

Esse acordo é um empate a zero bolas, bolas!

futebolNão vi em lado nenhum a alardeada vitória da plataforma.

Presumo mesmo que o jogo se tenha realizado noutro campo, sem eu saber! Talvez eu tenha assistido a um outro desafio, sem que disso me tenha apercebido. Também não cheguei a entender em que campeonato ou taça se inscreveu o encontro. Cá para mim, não se realizou mesmo. Uma das partes (ainda não sei qual) deve ter “vencido” por falta de comparência da outra…

Aprendi uma coisa: se não sei jogar, não vale a pena pedir a alguém que jogue por mim. Mas quem jogou por mim afirma ter aprendido outra coisa, e assegura-me que dei uma retumbante goleada.

Só podemos estar a falar de dois encontros diferentes...

(Imagem tirada daqui)

11 de abril de 2008

Alguns textos inquietam-me, confesso!

Comentário ao comentário de Luís Grave Rodrigues, na caixa de "Honestidade Interior ou Abanar de Rabo?"

medo Estimado Luís Grave Rodrigues,

Certamente tem razão no que diz. É medo, sim, medo de se ser avaliado por um conjunto de avaliadores exactamente tão incompetentes como são os avaliados, de cuja competência o senhor tanto desconfia. Medo, sim, de que algum avaliador resolva seguir critérios referenciados pelas Ciências da Educação, as causadoras maiores do caos integral do sistema educativo e da sua actual inutilidade. Medo, sim, medo dos novos donos do sistema (arrebanhados à pressa num “concurso” vergonhoso). Medo, sim, da arrogante limitação que muitos ostentam e do seu eventual desejo de ajustar algumas contas recentes ou antigas. Porque ambos (o senhor e eu) desconfiamos que os possa haver no sistema educativo. O senhor não desconfia?

Por acaso acredita que ser avaliado por pares, e sob as intenções punitivas da actual tutela, pode traduzir, de facto, uma avaliação objectiva, rigorosa, útil e formativa? Acredita realmente que aquela avaliação cumpre os anseios de uma escola melhor, de professores melhores, de alunos melhores, de uma sociedade melhor? Por mim, fiquei pessimista demais para acreditar nessa hipótese.

O seu texto é muito bom, como lhe disse. Toca numa ferida até agora anestesiada. Foi por isso que o considerei perigoso. Um texto eivado de ardilosas falácias que parecem aos mais incautos verdades lógicas e irrepreensíveis pode tornar-se uma arma traiçoeiramente letal para o movimento de contestação ao processo de avaliação em curso.

Li muitos outros textos denegrindo a imagem dos professores, mas muito poucos o fizeram de modo tão astucioso. O seu é bom demais para que eu permaneça sossegado. Foi o medo, decerto, (e a desconfiança, certamente) que me obrigou a rosnar-lhe...

Obrigado por comentar. Desejo-lhe as maiores venturas. Continuarei a ser seu leitor atento e entusiasta.

(Imagem tirada daqui)

Aos dois ou três amigos…

…que me lêem regularmente, e que tenham ficado intrigados com o post de 9.4.08,

informacao ameaço que não vou fechar o blog. Só vou fechar a boca desbocada que Deus me deu e me faz soltar, nas reuniões formais e nas conversas informais, “aleivosias” inconvenientes e suicidas contra as sagradas famílias de intoleráveis filisteus que por aí medram em todas as actividades profissionais e, sobretudo, de todos aqueles que, sabe-se lá por que indómita razão, adquiriram administrativamente o poder de me avaliar o desempenho. É apenas desta minha conduta lorpa e inábil que pretendo definitivamente afastar-me. O aviso da “minha” Delegada (que Deus lhe dê muita saúde) teve o condão de me abrir os olhos e fechar a boca. (Tudo ao saudoso estilo de qualquer pidesco esbirro de antigamente).

Os dedos sobre o teclado, obviamente calados, continuarão a pisar as teclas certas da revolta.

(Imagem tirada daqui)

Honestidade interior ou abanar de rabo?

cachorroEste artigo merece-me, obviamente, o respeito devido a toda a escrita apurada e higiénica, características que nele posso facilmente encontrar. Porém, para além da qualidade da escrita, o texto nada mais contém que me seduza. E não me seduz, sobretudo, ao nível da atitude, ao nível da manifestação de uma pose meio ordinária que o autor vai, paulatinamente, revelando. Não me seduz a intratável ignorância com que aborda uma problemática que possui uma complexidade muito maior que aquela que o texto nos oferece. Espero, no entanto, que esta perspectiva tão singular seja, pelo menos, honesta e franca, baseada numa verdadeira convicção do autor, e não o que, por um direito que me assiste, desconfio que seja: um inteligente abanar de rabo de um pobre rafeiro para ganhar a atenção do dono.

(Imagem tirada daqui)

9 de abril de 2008

Adeus às Armas

Adeus

- Cale-se, João, e não me interrompa. Eu sou a sua Delegada.

- Cala-te, João!

- Cala-te, João!

- Cala-te, burro!

(Há uma nebulosidade no ar, intangível para João, que não lhe deixa respirar a consciência. Há um subliminar processo de estupidificação sob os panos diáfanos, efémeros, fátuos. O João cala-se para sempre. Sem angústias de maior, sem nenhum esplendor, sem suscitar saudade. Adeus.)

 

(Imagem tirada daqui)

4 de abril de 2008

Já ficam avisados...

Deste gostei:

aviso1

(Recebido por email. Origem desconhecida)

Paulo Carvalho de novo...

doenteMais uma vez, Paulo Carvalho indica-nos o caminho a seguir. De certo modo, sinto-me mais acompanhado, visto que já anteriormente eu tinha aflorado esta mesma proposta, neste post que agora vos relembro.

Em boa verdade, aquilo de que a escola pública menos precisa neste momento é dar ouvidos à tutela. Raríssimas vezes ao longo dos anos a tutela educativa serviu para alguma coisa! Mas esta tutela tem sido confrangedoramente eficaz no processo de desagregação do sistema e de instauração do mais exasperante clima de desconfiança e ódio entre os professores que até hoje, em trinta anos, me foi dado observar.

A manutenção desta tutela é, pois, contraproducente e traz inúmeros efeitos colaterais. Ela está a desencadear manifestações de rejeição em todos os órgãos do corpo docente. Intoxicado e enfermo, ele reage mal à menor adversidade e há muito entrou em processo de autodestruição.

O corpo docente está em autofagia progressiva e intravável.

A medicação da tutela não é mais necessária. Podemos aliviar o tratamento. A degradação a que chegámos já é irreparável.

(Imagem tirada daqui)