4 de abril de 2008

Já ficam avisados...

Deste gostei:

aviso1

(Recebido por email. Origem desconhecida)

Paulo Carvalho de novo...

doenteMais uma vez, Paulo Carvalho indica-nos o caminho a seguir. De certo modo, sinto-me mais acompanhado, visto que já anteriormente eu tinha aflorado esta mesma proposta, neste post que agora vos relembro.

Em boa verdade, aquilo de que a escola pública menos precisa neste momento é dar ouvidos à tutela. Raríssimas vezes ao longo dos anos a tutela educativa serviu para alguma coisa! Mas esta tutela tem sido confrangedoramente eficaz no processo de desagregação do sistema e de instauração do mais exasperante clima de desconfiança e ódio entre os professores que até hoje, em trinta anos, me foi dado observar.

A manutenção desta tutela é, pois, contraproducente e traz inúmeros efeitos colaterais. Ela está a desencadear manifestações de rejeição em todos os órgãos do corpo docente. Intoxicado e enfermo, ele reage mal à menor adversidade e há muito entrou em processo de autodestruição.

O corpo docente está em autofagia progressiva e intravável.

A medicação da tutela não é mais necessária. Podemos aliviar o tratamento. A degradação a que chegámos já é irreparável.

(Imagem tirada daqui)

29 de março de 2008

A blogosfera quer ser um macaquinho de imitação?

blogosfera Deixemos a informação a quem de direito. A blogosfera não pode, não deve ser uma replicação de conteúdos noticiosos.

Quer ela seja hoje ainda o que já foi, quer ensaie hoje o seu caminho para o que será, quer seja para sempre um fenómeno mutante e indefinível, o que ela não poderá ser é mais um serviço noticioso. Poderá partir dele, aproveitá-lo como fonte factual onde fincar o pé, mas jamais poderá ficar-se por ele, sob pena de se esvaziar como um balão roto. As suas dinâmicas desenvolvem-se, sobretudo, ao nível da produção de textos de opinião discursivamente organizados, privilegiadamente pessoais, apontando, honestamente, à sociedade o barómetro dos seus rumos e contra-rumos…

(Imagem tirada daqui)

paideia “Tendemos então a adoptar a linguagem da psicologia, de uma forma ridiculamente trôpega e carregada de chavões que facilmente deslizam para situações de entropia, em que tão verdadeira é a afirmação como o seu contrário.
A psicologia tem trazido contributos inestimáveis à educação, que esta deve assimilar e integrar na reflexão, nas suas práticas, mas a educação tem uma abordagem singular e única, uma cultura, uma história, uma tradição, um contexto, uma linguagem.”

"Paideia", 26 de Março de 2008

28 de março de 2008

Desperdiçando talentos...

cineasta Gostaria de saber se o anónimo mas genial autor do filme “Jagunçada no Carolina Michaëlis” já recebeu das televisões o cachet que lhe é devido pelo seu trabalho. Afinal, o filme, passado em todos os prime-times televisivos, obteve mais audiência que a telenovela e os concursos, preencheu muitos emocionados minutos em todos os horários nobres, poupou milhares que se teriam gasto em sucedâneos e outros chouriços substitutos e duplicou, instantaneamente, os ganhos publicitários. E estes foram os lucros imediatos, visto que, de modo indirecto, o vídeo alimentou horas e horas de debates e arengas, com opinion-makers de todos os quadrantes que, de modo praticamente gracioso, vieram aos estúdios tagarelar as suas trivialidades.

Depois de tudo isto, fiquei a saber, horrorizado, que não. O autor do vídeo, em vez de simplesmente receber a merecida e justa remuneração pela sua obra de arte, ainda foi castigado, sem ter visto nem um tostão nem o reconhecimento do seu talentoso golpe de génio...

Começou mal, coitado, a sua carreira de cineasta.

(Imagem tirada daqui)

uma das caras do monstro...

brutoO que transcrevo a seguir foi retirado de um fórum brasileiro e apresenta as conceituadas opiniões de alunos universitários que frequentam um curso de Engenharia.

Perante isto, o professor de Geometria aqui enxovalhado, seja ele quem for, fica automaticamente ilibado e justificado da sua conduta, qualquer que ela tivesse sido.

(Obviamente, deve haver diferenças importantes entre estes alunos e os alunos das nossas universidades. Afinal, há um abismo aquoso entre nós.)

(…)   “…meu professor de geometria eh o pior professor q eu ja tive em todos os anos q eu ja estudei... putz ele eh horrivel alem de ser o professor mais antipatico, ter uam voz irritante, deixar o microfone ptua alto e n deixar nm fazer NADA na aula o cara fiak dando umas formulas moh desncessarias e dps fala q n recomenda usar... fika ensinando uams coisa nada ve, aula horrivel dele, faz mais de um mes q eu n vejo uma aula dele ( sao 2 por seman ), todas eu cabulo, n da, a aula dele eh tao ruim q serio... me broxa o resto do dia inteiro... os cigarros pós aula dele são os fumados com mais rapidez hehehe”

“Cara o Rubão da nojo pelo seguinte fato cara... Ele já era pra ter se aposentado, tá dando aula lá porque quer, mas tipow ele é mto pau no cú... Vc vai perguntar alguma dúvida e o cara acha q vc já nasceu fazendo a projeção ortogonal de um dodecaedro no espaço ¬¬'
Vc vai tirar dúvidas ele começa a resmungar e explicar de má vontade... Se acha o fodão, se auto intitula o melhor professor do estado... O cara tb tá surdo, precisa ficar berrando com ele... nossa terríveis as aulas do cara... eu normalmente assino a lista e vou jogar sinuca... Depois pego livros na biblioteca e tento me virar... É até melhor do que assistir aula dele...”

“bem naipe o meu professor, ele le uam kestoa e começa " olha que questao mal escrita que coisa horrivel, tinha q ser de tal facludade" o cara se axa o sabixao, mas ele n eh ngm da pra ve q o q ele sabe de geometria ele aprendeu totalmente na marra q ele n tem moh raciocinio logico avançado,o cara eh um bosta.
teveuma aula q ele falo pra mim q se n tivesse gostando da aula era pra sair, eu falei q tava saindo mas q se fosse pra seguir essa lei a classe inteira era pra sair, dai ele falou " ah eh?" dai eu fuila na frente antes de sair e falei qm ta gostando da aula levanta a mao e fikei naipe
assim e ngm levantou a mao, dai ele fikou puto e eu fui suspenso por isso dps pq ele se axa o rei dos professores e enxeu o saco do diretor.”

(Imagem tirada daqui)

funis de enchidos

funil enchidos Mais uma vez a rara clarividência do Dragão, a propósito da pendência que opõe (ou funde) escola e sociedade!

AQUI, no "Dragoscópio"

 

 

 

Funil de enchidos (Imagem tirada daqui)

27 de março de 2008

Conservadorismo revolucionário...

promocaonovo2 Ainda no rescaldo do caso Carolina Michaëlis, permitam que lhes mostre isto:

“Sou pelo ensino "autoritário", contra as metodologias de infantilização dos adolescentes e de responsabilização de crianças, avesso ao convivialismo e partilha de soberania entre quem ensina e deve mandar e quem aprende e deve obedecer; sou absolutamente adepto da Escola entendida como fonte de apredizagem e não como armazém de díscolos, pela Escola como tarimba de cidadania, respeito e autoridade;”

Para ler integralmente aqui, no Combustões.

26 de março de 2008

Uma Páscoa Feliz...

Embora um pouco tardiamente (os problemas do momento não me permitiram lembrar mais cedo), desejo a todos os meus leitores uma Páscoa muito feliz.

(Imagem tirada daqui)

25 de março de 2008

Vasco Pulido Valente vai fundo na questão

vascopulidovalenteNo meu limitado entender, foi Vasco Pulido Valente quem mais longe, isto é, mais fundo foi (ou mergulhou) na crítica à pseudo-reforma do sistema educativo e à introdução da tenebrosa avaliação dos professores. É, de facto, por aqui que se deve ir, pela abordagem macro, pois nenhum professor pode ser avaliado sem que esteja absolutamente claro aquilo que se pretende dele, ao nível dos fins últimos do sistema. 

Nunca é demais espalhar os bons textos de pessoas inteligentes. Já que dificilmente se lê algo mais lúcido do que isto, tomo a liberdade de ser mais um a divulgá-lo na íntegra.     (Os negritos são meus)

«Como se pode avaliar professores, quando o Estado sistematicamente os "deseducou" durante 30 anos? Como se pode avaliar professores, quando o ethos do "sistema de ensino" foi durante 30 anos conservar e fazer progredir na escola qualquer aluno que lá entrasse? Como se pode avaliar professores, se a ortodoxia pedagógica durante 30 anos lhes tirou pouco a pouco a mais leve sombra de autoridade e prestígio? Como se pode avaliar professores, se a disciplina e a hierarquia se dissolveram? Como se pode avaliar professores, se ninguém se entende sobre o que devem ser os curricula e os programas? Como se pode avaliar professores se a própria sociedade não tem um modelo do "homem" ou da "mulher" que se deve "formar" ou "instruir"?

Sobretudo, como se pode avaliar professores, se o "bom professor" muda necessariamente em cada época e cada cultura? O ensino de Eton ou de Harrow (grego, latim, desporto e obediência) chegou para fundar o Império Britânico e para governar a Inglaterra e o mundo. Em França, o ensino público, universal e obrigatório (grego, latim e o culto patriótico da língua, da literatura e da história) chegou para unificar, republicanizar e secularizar o país. Mas quem é, ao certo, essa criatura democrática, "aberta", tolerante, saudável, "qualificada", competitiva e sexualmente livre que se pretende (ou não se pretende?) agora produzir? E precisamente de que maneira se consegue produzir esse monstro? Por que método? Com que meios? Para que fins? A isso o Estado não responde.

O exercício que em Portugal por estúpida ironia se chama "reformas do ensino" leva sempre ao mesmo resultado: à progressão geométrica da perplexidade e da ignorância. E não custa compreender porquê. Desde os primeiros dias do regime (de facto, desde o "marcelismo") que o Estado proclamou e garantiu uma patente falsidade: que a "educação" era a base e o motor do desenvolvimento e da igualdade (ou, se quiserem, da promoção social). Não é. Como se provou pelo interminável desastre que veio a seguir. Mas nem essa melancólica realidade demoveu cada novo governo de mexer e remexer no "sistema", sem uma ideia clara ou um propósito fixo, imitando isto ou imitando aquilo, como se "aperfeiçoar" a mentira a tornasse verdade. Basta olhar para o "esquema" da avaliação de professores para perceber em que extremos de arbítrio, de injustiça e de intriga irá inevitavelmente acabar, se por pura loucura o aprovarem. Mas loucura não falta. »

Público, 02.03.2008, Vasco Pulido Valente

(Imagem tirada daqui)

24 de março de 2008

Nunca poderíamos ter permitido que a canalha chegasse a isto…

porcohi5

Será mais um reflexo da educação que a escola ministra? Será um espelho da sociedade do século XXI? Trata-se apenas de um nicho marginal e desprestigiado? Será mesmo culpa do Hi5, do YouTube ou do telemóvel? Será mais uma manifestação da imprestabilidade da instituição escolar? Será mais uma excepção para ser desvalorizada por quem governa?
É, certamente, mais um coça-sarna burocrático para a DT…

(Imagem tirada daqui)