- Está a chegar um novo serviço, semelhante ao "Perdi a Carteira", porém muito mais útil ainda.
- Boa! E como se chama?
- "Perdi a Pachorra"
R.C.
"O liceu norte-americano Percy Julian instaurou uma regra polémica, especialmente para quem gosta de um «aconchego». A directora Victoria Sharts proibiu que os 860 alunos da escola, situada na periferia de Chicago, se abraçassem dentro das instalações escolares (...)"
(Para ler integralmente aqui no Alcochetadas)
Por mim, nada contra. A falar verdade, sempre que alguém me abraçou, foi com a intenção de me palmar a carteira. E algumas vezes conseguiram: os homens, normalmente num movimento rápido, prestidigitado; as mulheres, de modo mais demorado e lânguido… E embora os meios de que as mulheres se socorreram tenham sempre sido, de longe, muito mais enternecedores que os deles, os fins foram, invariavelmente, os mesmos...
Estou a ouvir o Pedro Burmester na Antena 1. O rapaz é muito bom a tocar piano. Imaginei que ia ouvir falar de música, mas não! O rapaz pôs-se a analisar o sistema educativo e as actuações dos professores e do Ministério da Educação. E nisto ele é muito mau. É caso para dizer: não vá o sapateiro além da chinela…
Ao contrário do que costumo fazer, não vou deixar link para o podcast. Não quero ser responsável pelo mau humor dos meus estimadíssimos leitores. Quem quiser estragar o sábado, que o faça sozinho.
Maria de Lurdes Rodrigues faz rasgados elogios ao trabalho dos professores. Ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah… Afirma ainda que a zanga dos professores não interferiu no seu bom trabalho, como agora mostram os excelentes resultados. Ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah.
O sindicalista afirma que é tudo resultado do esforço dos alunos e dos professores. Ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah. Uma barrigada de rir...
…são, na verdade, quadras soltas.
1. Valter Lemos contrapôs nove acórdãos favoráveis à tutela, contra os seis que Mário Nogueira tinha referido anteriormente. Bom, a ser verdade este caso, verifica-se uma vantagem de três pontos a favor do Ministério. Proponho que se esclareça a verdade total, doa a quem doer.
2. Segundo a Fenprof, os tribunais mandaram suspender todo o processo de avaliação da classe docente. Quanto a este assunto a Ministra Maria de Lurdes não proferiu nenhuma afirmação em sentido contrário. Simplesmente, terá mandado prosseguir as demarches com vista ao cumprimento, dentro dos prazos que estipulara, do processo de avaliação docente.
3. As escolas cumprem, obviamente, as directivas da tutela, e não as ordens dos tribunais, pelo que continuam afadigadas no “trabalho” de produção da instrumentação avaliativa. Não se lhes pode levar isso a mal. Se alguém prevarica é a tutela que, clandestina e ilegalmente, se substitui aos pareceres judiciais.
4. Uma grande maioria de professores nem sabe que coisas se processam nos recônditos gabinetes do sistema. Continuam a dar aulas como sempre fizeram, a corrigir pilhas de testes como sempre fizeram, a preparar conteúdos o melhor que podem e sabem (e, indubitavelmente, fazem-no cada vez melhor), a esforçar-se deveras em nome do sucesso verdadeiro, alheados das suas próprias existências, lutando pela boa meta do seu trabalho - o êxito verdadeiro dos seus alunos.
5. Outros, infelizmente, esqueceram isso tudo, na voragem dos tempos, assoberbados que estão no “trabalho” oficial de construção de instrumentos para avaliação dos seus pares.
6. Contra tudo e contra todos, o trabalho sério na escola há-de continuar, feito pelos que não sabem sequer o que, nos gabinetes vários dos vários poderes, se pode estar a tramar contra eles…
(Imagem tirada daqui)
(Pelo menos, não um agrafo destes).
(Imagem superior tirada daqui)
Não deve ter sido um mero lapsus linguae aquilo que José Sócrates disse há dois ou três dias num noticiário televisivo, mas sim um verdadeiro acto falhado. De facto, até o Primeiro Ministro parece começar a estar farto de tanto protagonismo da Ministra, mais da sua inexorável e intrépida avaliação de docentes. Deve, certamente, estar a formar-se um nó na cabeça dos responsáveis, ao verificarem que a avaliação dos alunos está contaminada pela dos docentes e que a dos docentes está contaminada pela dos alunos…
A nossa sorte é que sempre aparece um engenhoso engenheiro para desenvolver uma inspiradíssima teoria engenharieira, uma miraculosa planilha de números e de processos, que nos reconcilia instantaneamente com o desacerto ignóbil que esta avaliação é. (Private joke).
(Imagem tirada daqui)
Copio para aqui, na íntegra, o texto deste manifesto, tal como me foi recentemente enviado por email:
"Manifesto Escola Pública pela Igualdade e Democracia
A Escola Pública é uma conquista de que a esquerda só se pode orgulhar. Mas esta conquista está hoje esvaziada de quaisquer valores emancipadores. Atacada por todos os lados pela Direita e pela agenda neoliberal, a escola pública está em crise. Falhou na sua promessa de corrigir as assimetrias e diferenças sociais que atravessam o país: hoje, 75% dos filhos de pobres são pobres, a taxa de abandono escolar é de 39%(contra 15% da União Europeia), metade dos alunos reprova no ensino secundário e os últimos dados das comparações internacionais colocam a escola portuguesa na dianteira da reprodução das fronteiras sociais e culturais de partida. A reprodução das desigualdades de origem e a exclusão escolar acompanham, sem variações, as rotas do insucesso: o interior do país, os concelhos mais pobres das áreas metropolitanas, os nichos guetizados dentro das cidades e subúrbios, as classes sociais mais desfavorecidas. As políticas educativas das duas últimas décadas muito contribuíram para a desfiguração da escola pública. Reformas sobre reformas, e nas costas dos parceiros, uma trovoada de medidas legislativas, tantas vezes contraditórias, e orçamentos estrangulados foram marcas de uma constante: a debilidade das políticas públicas para a Educação, demonstrada pela persistência do insucesso e do abandono. Sobre esta debilidade instalou-se o autoritarismo e mantêm-se o laxismo e a irresponsabilidade. Investido na ideologia da rentabilização e da gestão por resultados, que branqueia os verdadeiros problemas e encavalita a urgência dos números do sucesso nas costas dos professores, o PS oferece mais Governo e menos serviço público à educação. E na escola-empresa, que vai triunfando contra a escola-democrática, crescem novas burocracias feitas por decreto, centraliza-se o poder em figuras unipessoais, desenvolve-se a cultura da subordinação e do sacrifício acrítico. Nenhum outro governo foi tão longe na amputação de direitos aos professores e na degradação das suas condições de trabalho, abrindo caminho à desvalorização social da escola pública e do papel dos profissionais de educação, que são o seu rosto . A resposta não se pode ficar pelo protesto. Ela exige o projecto, e há nas escolas experiências e práticas que são património e potencial deste projecto. É urgente relançar a escola pública pela igualdade e pela democracia, contra a privatização e a degradação mercantil do ensino, contra os processos de exclusão e discriminação. Uma escola exigente na valorização do conhecimento, e promotora da autonomia pessoal contra a qualificação profissionalizante subordinada. Somos pela escola pública laica e gratuita e que não desiste de uma forte cultura de motivação e realização, que não pactua com a angústia onde os poderes respiram. Uma escola que não desiste é aquela que combate a fatalidade: pelas equipas multidisciplinares e redes sociais, determinantes na prevenção e intervenção perante dificuldades de aprendizagem; pela valorização das aprendizagens não formais; pelas turmas mais pequenas e heterogéneas como espaço de democracia, potenciador de sucesso; pela discriminação positiva das escolas com mais problemas; pela real aproximação à cultura e à língua dos filhos de imigrantes. Somos pela escola pública que assume os alunos como primeiro compromisso, lugar de democracia, dentro e fora da sala de aula, de aprendizagem intensa, apostada no debate para reflectir e participar no mundo de hoje. Somos por políticas públicas fortes, capazes de criar as condições para que a escolaridade obrigatória seja, de facto, universal e gratuita e de assumir que o direito ao sucesso de todos e de todas é um direito fundador de democracia e é o desafio que se impõe à esquerda. Porque queremos fazer parte da resposta emancipatória, empenhamo-nos na construção de um Movimento que promova a escola pública pela igualdade e pela democracia. Ao subscrever este Manifesto queremos dar corpo a uma corrente que mobilize a cooperação contra a competição, a inclusão contra a exclusão e o preconceito, que dê visibilidade a práticas e projectos apostados numa escola como espaço democrático, de cidadania, de conhecimento e de felicidade, porque uma outra escola pública é possível."
Texto enviado por email. Autor não identificado.
(Imagem tirada daqui)
Visto daqui, a olho nu, o recente movimento de professores que se levanta contra a reforma educativa em curso parece inteligente e corajoso. O movimento escora-se em dois grandes pilares: 1- a incapacidade demonstrada por todos os partidos da oposição em perceber o que está realmente em causa na reforma educativa; 2- a alegada intromissão dos partidos (especialmente os de esquerda) nas organizações sindicais que, alegadamente, lhes fragilizam qualquer tomada de posição. Cada um destes pilares parece conter robustez suficiente para suportar futuras críticas ou acções que o movimento agora emergente possa vir a tecer ou a tomar. Na verdade, na actual conjuntura de profunda fragilidade da democracia portuguesa, tal como a entendemos, um movimento espontâneo, teoricamente apartidário, nascido das bases e protagonizado por quem, definitivamente, não se pode alhear da matéria (os professores), tem tudo para dar certo.
No entanto, o facto incontestado de parecer, a priori, uma causa racional e justa não dispensa um profundo sentido de audaciosa coragem. Por mais razão que lhe assista, o movimento não sai de casa protegido contra todas as intempéries. E, desde despedimentos sumários até processos disciplinares ou cíveis, tudo pode cair sobre as cabeças desprotegidas destes quinhentos professores que assim afrontam, sem o guarda-chuva das organizações oficiais, os poderes instituídos. E, para que castigos sérios, com raios e coriscos, possam chover sobre eles, basta que, por qualquer carga de água, a reforma do Governo venha a coroar-se vitoriosa…
Abandonando agora a invernia a que aludi anteriormente, só posso desejar que o sol finalmente brilhe sobre estes quinhentos bravos e descongele, também, os espíritos gélidos dos seus opositores.
Mandem notícias.
(Imagem tirada daqui)
Na blogosfera também há propriedade intelectual e direitos de autor.
O facto de ser graciosa a grande maioria dos produtos nela publicados não lhes retira nenhum dos direitos devidos aos restantes produtos intelectuais comercializados. Pelo menos ao nível estritamente ético. Use, corte, cole, aproprie-se, mas refira sempre as fontes originais bem como os autores dos produtos, se identificados.
Não dói nada e fica-lhe muito bem. A saúde da blogosfera agradece.
(Imagem tirada daqui)