31 de janeiro de 2008

Boa noite

boa noiteE se eu viesse aqui agora só para dizer “boa noite”? Se eu viesse aqui, pesada e arrastadamente, dizer apenas boa noite, todos veriam que a minha criatividade já dormia, mas que, mesmo assim, eu teria vindo aqui sem ela, desacompanhado e ermo, dizer apenas boa noite.

Na letargia do cansaço, ser-me-ia desculpada a trivialidade de apenas dizer boa noite, mas todos intuiriam que a minha criatividade se dissolvera, exígua, morta.

(E, contudo, não há no mundo nada mais criativo que vir aqui, de cérebro vazio e coração cheio, desejar-vos boa noite…)

 

(Imagem tirada daqui)

30 de janeiro de 2008

promocaonovo2 "O Presidente da minha Escola, Um Engenheiro de Têxteis, Presidente do Conselho de Administração de Uma Empresa de Atoalhados, sediada em Pequim, convocou para uma reunião de emergência todos os docentes reformados, a partir de 1980 até à presente data, para tratar de assuntos de interesse mútuo."

Imperdível. Leia-o integralmente aqui!

O Capote da Razoabilidade

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Por vezes acontece-me vestir o capote da razoabilidade.

É fantástico. A gente enfia aquela indumentária ridícula e perece outra. Dizemos trivialidades iguais às de toda a gente, somos previsíveis como calhaus, rimos de imbecilidades, aceitamos as nossas lorpices e compreendemos as de toda a gente.

Apertamos as mãos e falamos do tempo, esperançados na chuva, no sol e no vento e parecemos estar de bem com a natureza e com as nossas vidinhas medíocres e desprezíveis.

Saudamos cordialmente cada novo dia, ouvimos as notícias com recato, rimos alarvemente das piadas do Markl e do Malato. Enfim, integramo-nos no bando imbecil dos acomodados.

É fantástico como este capote da razoabilidade, assente sobre o colete da moderação, nos simplifica a vida e o relacionamento com os outros! Tornamo-nos, de repente, cidadãos respeitáveis. Depois, é só apagar do domínio público o tipo pestilento que éramos antes de o vestir.

Tudo está agora em paz e a vida pode voltar a sorrir…

Assim vestidos, até conseguimos aplaudir a minúscula remodelação ministerial.

E acreditamos, devotamente, que o facto de o governo não se ter remodelado em bloco se deveu apenas à incúria do porteiro que o deixou trancado lá dentro e perdeu a chave…

(Juro que não era minha intenção dirigir o post para este lado. Mas, abafando de torpor e lassidão dentro do capote, despi-o compulsivamente.)

Razoabilidade? Delicadeza? Mediocridade? Sujeição? NÃO. Antes pão seco que tal conduto...

Remodelei-me, pois então.

(Imagem tirada daqui)

27 de janeiro de 2008

Democracia de trela...

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Tenho três cachorros. Felizes! Boas camas, comida saudável, perfeitamente ASAEada (novo termo para “asseada”) e uma veterinária estonteante, tão boa que faz fechar todo o comércio da aldeia (mesmo sem qualquer intervenção daquele organismo exterminador de comércios pequenos).

Felizes!

Mas o que mais invejo naquelas vidas de cachorro é o facto de nem sequer suspeitarem da existência de tantos filhinhos da mãe que nos aporrinham, quotidianamente, as existências…

Quando lhes abro o portão (aos cães, e não aos filhos da mãe), mordiscam, displicentemente, os calcanhares dos pobres labregos que passam a caminho das jeiras.

“Mal feito” - digo-lhes eu.

Mas tenho certeza de que eles mordiscariam, democraticamente e com idêntico despudor, os calcanhares de todos os filhos da mãe, cuja existência, para sua ventura, desconhecem.

Nada mau, para cães educados em pleno regime democrático!

(Mas penso que, ainda assim, devo reorientar-lhes um pouco o seu sábio conceito de democracia pluralista.)

(Imagem tirada daqui)

promocaonovo2“A casa está silenciosa. Num extremo estou eu, no computador; no outro, os miúdos, no computador e na play station. De repente, uma seta de culpa acerta-me no peito: deveríamos estar a interagir como as famílias nas crónicas do Daniel Sampaio, penso.”

Para ler integralmente aqui, no Corta-fitas.

26 de janeiro de 2008

Maria João Ruela x Marinho Pinto

maria_joao_ruela

marinho pinto

 

 

 

 

 

 

 

- Mas esse aí é quem?

- Não digo nomes.

- Mas é deste Governo?

- Já lhe disse que não digo nomes.

- Mas está-se a referir a Fulano de Tal?

- Você sabe quem é? Então diga você.

Está certíssimo. São tantos os corruptos que, se alguém tivesse que os nomear a todos, certamente passaria o serão a fazê-lo e o resto da vida nos tribunais a levar com processos por difamação.

Message in a bottle

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Nenhum outro documento escrito sabe estabelecer tão bem uma perfeita diacronia individual ou social.

O blog, como um diário público e participado, em permanente edição, e escrito sempre “on the edge of the moment”, vai registando todos os matizes por que passa o seu autor e, se este não for totalmente autista em relação à coisa social, será certamente um repositório muito vivo das vibrações de uma sociedade ou de uma determinada ordem política.

É isto que se sente quando, nos blogs mais antigos, se recua no tempo (coisa que num blog é tarefa simples e intuitiva) e se lê o pulsar de um autor quando interveio sobre um determinado momento. Está ali uma cápsula de História, uma garrafa cheia do ar do tempo que se pode respirar de novo se nos der prazer ou, enfim, rolhar definitivamente, se nos for penoso respirá-lo…

(Reparei agora que não disse nada de novo desta vez. Mas sinto que há muita gente que não sabia...)

(Imagem tirada daqui)

25 de janeiro de 2008

balancoBalanço semanal

Os melhores do Trala esta semana:

1º Solidariedade Columbófila
2º The Orange Tree
3º Honny soit qui mal y pense...

(Imagem tirada daqui)

começo a panicar...

mulher chataAcabo de ler parte de um estudo que desmonta completamente a convicção generalizada de que os professores portugueses são os que menos tempo passam nas escolas. De acordo com o referido estudo, estamos em décimo quarto lugar, num total de vinte e oito países. Passamos, pois, tempo mais que suficiente dentro dos nossos antros pedagógicos.

Tudo bem! Particularmente, o facto de passar muito tempo na escola nunca me atormentou, visto que sou casado. O que começa a atormentar-me nesta situação é o facto de as mulheres que lá trabalham estarem a ficar quase tão chatas como a minha.

Nesse sentido, já não vislumbro grande vantagem em permanecer tanto tempo na escola. E isso faz fechar, abruptamente, o leque das minhas alternativas: em casa não, porque está lá uma tipa impertinente; na escola não, porque estão lá cento e cinquenta.

Com mil euros mensais, onde me refugio?

(Imagem tirada daqui)

24 de janeiro de 2008








- O teu carro passou na inspecção?
- Sim, claro! O problema é que tenho que ir agora à oficina devolver as peças que lá aluguei, para me recolocarem as velhas. É cá uma seca…!

20 de janeiro de 2008

o meu bêcêpê

Não consigo entender que espécie de repulsa contém o caso BCP, que, apesar de tanto ouvir falar dele, ainda não me apeteceu abordá-lo. Não é, certamente, o facto de não entender peva do que nele se passa. Acontece-me isso com quase todos os temas que aqui abordo e nem por isso deixo de os abordar sem qualquer tipo de embaraço.
Estará, porventura, o meu alter-ego a recusar-se a entender este imbróglio por o considerar monstruoso demais para que eu pudesse sobreviver à sua simples compreensão? Se for esta a situação, sinto-me feliz por este caso do BCP ter passado sorrateiramente à minha porta sem ter batido.
(Ora aí está: falei sobre o caso BCP. Quebrei o enguiço. Nada como enfrentar fobias corajosamente. Corajosamente e com o conhecimento do assunto que acabo de demonstrar.)