18 de janeiro de 2008

Solidariedade columbófila

pombos

Dois reformados estão sentados num banco de jardim. À sua frente, um bando de pombos atira-lhes migalhas de pão...

 

 

(Imagem retirada daqui)

O ditado

(Imagem retirada daqui)
Uma sala de uma escola secundária, com uma turma do sétimo ano, isto é, uma gaiola ordinária pejada de passaredo tolo. Poupas à frente, meneando as cabeças no ar, cucos ao fundo, tentando escapar à aula. Todos chilreando e tagarelando as últimas novidades dos Morangos. O professor trouxe uma resma de ditados em língua estrangeira, feitos na aula anterior. Dois segundos de apreensão nos poleiros. O professor, deprimido e alquebrado pela derrocada monstruosa dos resultados, escancarou a estatística no quadro:

Muito Bom (0 a 10 erros) - 0 alunos
Bom (11 a 20 erros) - 0 alunos
Suf. (21 a 30 erros) - 0 alunos
Insuf. (31 a 40 erros) - 0 alunos
Mau (41 ou mais erros) - 26 alunos

E logo o guincho de uma ave rara, chamada Pedro, soando estrepitante do fundo da sala:
- Ganhámos!

17 de janeiro de 2008

na minha aldeia...

- Quem é aquele rapazote?
- É o filho do João do Zé da Paula. O Toino.
- Ah, é o Toino do João do Zé da Paula?
- É.
- Bem que me queria parecer. É a tromba do pai implangadinha!

16 de janeiro de 2008

canhoto até mais não...

bússola Sou, declaradamente, um aprendente oficioso.

Presto culto ao informal e ao desorganizado. Abomino os aprenderes hierarquizados, oficiais, metodizados, sistémicos.

É nas conversas avulso que me encontro e que respiro. É na atenção que presto a quem sabe que me valorizo. Foi na leitura de livres-pensadores que me realizei. 

Aprendi sempre alguma coisa relevante e bela com os autores não programáticos, com os filmes underground, com os livros proibidos, com os programas de televisão massivamente desacreditados.

Raramente sabichões enfatuados e fariseus regulamentares se dignaram ter comigo a paciência e a clareza necessárias para que com eles aprendesse alguma coisa de absolutamente estimável. 

(Não deixa de ser curioso e creio dever retomar esta matéria num momento ulterior...)

(Imagem retirada daqui)

12 de janeiro de 2008

I'm so sorry, I am.

sorryA Internet, através da facilidade com que o Google nos oferece as imagens de que precisamos para ilustrar os nossos posts, induz-nos frequentemente a utilizar imagens sem referir as suas origens. O "tralapraki" não está isento deste pecadilho, tendo vindo a incluir, alegre e descontraidamente, fotos que encontrou à mão de semear naquele motor de busca.

Sendo assim, e embora tardiamente, fica aqui o pedido de desculpas a todos aqueles que eventualmente se tenham sentido prejudicados por este abuso. Prometo, de ora avante, utilizar materiais exclusivamente meus, ou, nos casos em que isso se manifeste inteiramente impossível ou incómodo, mencionar, pelo menos, a proveniência dos mesmos.

(Foto retirada daqui)

promocaonovo2mariaflores2

 

 

 

 

 

 

Ele sorriu sem uma palavra quando me encarou mas cortei a direito o silêncio que não era hora para longos planos à Manoel de Oliveira e confessei que me sentia como a REN, já que a bem da saúde de todos era urgente enterrar as linhas de alta tensão e nem lhe facturava isso.”

Literatura erótica com humor, para ler aqui, no Chez 0.3...

11 de janeiro de 2008

fico chateado, pois claro que fico chateado...

gatos2Acabei agora de ouvir na rádio que  um publictário de nome António Moreira registou a marca "Alcochete Jamé". Que cara de pau! Será que esse gajo não sabe que a ideia foi dos Gatos Fedorentos?

Honny soit qui mal y pense...

"Com apreensão, verificam que as medidas do governo se concentram na organização do trabalho das escolas e nos professores, fazendo crer que os resultados do sistema podem melhorar por simples alterações à organização do trabalho ou do sistema de avaliação dos professores. E cada pequeno facto da vida escolar ganha uma importância extraordinária."
Arsélio Martins "O Lado Esquerdo"

Quem assim fala é o professor que ganhou o primeiro prémio (instituído pelo Governo vigente e a sua Ponta-de-lança para a Educação nacional) que se destina a galardoar o mérito e a competência dos professores portugueses.
Segundo algumas más línguas (más línguas, com certeza) este professor acabou por recusar o ditoso prémio! Se isto for verdade, como se diz por aí à boca cheia, o Governo terá dado mais um passo em falso nas suas opções. Se isto for verdade, o Governo terá arrecadado uma das mais desoladoras derrotas que a tutela da educação jamais colheu em terras lusitanas.
Se, no entanto, a tão alardeada decisão da renúncia ao prémio, por parte do professor seleccionado, for apenas uma mentira descabelada e o nosso galardoado tiver, inteligentemente, arrecadado na sua conta bancária aquela singela homenagem, o resultado não deixa de ser, do mesmo modo, um tristonho desconsolo para a inteligência que engendrou um prémio como este.
Seria caso para se colocar esta questão pertinente: não terá o Governo escolhido mal o seu galardoado? Não estará já arrependido, ao ler aquelas linhas (e outras escritas pelo agraciado), de ter premiado um "jovem" tão irreverente? Quem sabe? (Ouvi também dizer que há um indivíduo no Governo cuja função é ler o que se vai escrevendo na blogosfera nacional).
Claro que nos restam sempre outras hipóteses para possibilitar ao Governo a fácil digestão de tudo isto, sendo uma delas (e em minha opinião a mais inteligente e, portanto, a que mais eleva a imagem dos nossos governantes) a de que, apesar de ter percebido que este professor não seria uma pêra doce para a sobremesa da Senhora Ministra, e muito menos o esperado toque da cereja a coroar as presentes reformas educativas, o Governo da Nação concedeu, ainda assim, aquela láurea ao professor, com o fim de alardear ao mundo que não se demove com eventuais rebeldias e pequenas oposições infantis de acariciados seus, e que aquilo que, candidamente, lhe fala ao coração é o tal mérito e a tal competência. Assim, o governo mostra ao mundo a sua boa-fé, a sua justiça inabalável e também a sua pujante democraticidade.
Ao mundo sim, mas a mim ainda não. Só se eu for o próximo agraciado! Fica aqui a cunha...
É que eu sou um desconfiado do caraças, mas, com um premiozito, quem sabe eu não acabo entrando nos eixos?

10 de janeiro de 2008

O "tralapraki" feito pelos seus leitores

The Orange Tree

The orange tree was always part of the setting, never the star of the company, never the icing on the cake! She grew below the Big-eared Tent and fed on the Gesture as if it were manure. She shook her leaves and even her premature little oranges waved to Unforgettable Trukitrek, but there are things which are very hard to swallow. That one, for example: to call this panoply of shows and performances Big-eared Gesture. See how she speaks well?! She, a tree with musical navel oranges, juicy and sweet like a baby’s babbling; she, the holder of poem-oranges, would put no reproaches if the Gesture were Orange. But rotten did she get when a Slampanper artist, who, on top of everything, coming from the land of Oranges, dared to sneakily spy her foliages, uncover her and hang on her intimacy. During the rehearsal it was all make-believe, but when it came to the real thing, that is to say, when in the performance itself the artist daringly perched on her hairdo, she finally had enough; she got mad and scolded him with one of her branches. The poor artist was knocked down and landed in the arms of a green chair that fainted of fright and had to be sent to the Emergencies.
And there made the artist his way to the stage, waving the orange-tree branch like a flag, counterfeiting his embarrassment and his humiliation, giving himself airs and disguising the bumpy crush in those corny ankles of his.
And, the following day, in the cultural blogs, the orange tree had all the honours of stardom. Even before the artist himself!

Rogério Cunha, after "A Laranjeira e o Artista" in Amirgã.

8 de janeiro de 2008

O “tralapraki” apreciou deveras o facto de ter sido citado pelo “Jornal da Bairrada” de 2 de Janeiro de 2008, na sua secção cultural “Blogmania”.