14 de setembro de 2007

Tomas Vasques (Hoje Há Conquilhas…) aflora aqui, de modo simples e certeiro, a causa do “milagre” económico chinês. Gostei de ler e aconselho.
E se o caso Madeleine fosse apenas uma estratégia promocional ao filme Gone Baby Gone de Ben Affleck? É que a realidade tem cada vez mais dificuldade em viver por si só. Ela tem que ser enquadrada por uma objectiva e/ou ficcionada por um realizador para poder existir de um modo mais consistente. Por outro lado, nada como um facto real para promover um filme que o aborda. Como se faz um filme? Como se fabrica um facto? Qual dos dois vem primeiro? Como poderemos nós distingui-los?

11 de setembro de 2007

Prateleira anacrónica

Possuo religiosamente um exemplar de uma edição rara de “Os Fidalgos da Casa Mourisca”, de Júlio Dinis.
Digitalizei duas folhas que se desprenderam mal lhes toquei: uma delas é o intróito e a outra é a última das 15 ou 20 gravuras legendadas que vão pontuando a acção.
Muito poucos livros me deram tanto prazer como este: uma luta de classes (nada que não se resolva com amor e algumas alianças) depois da guerra civil opõe velhos fidalgos legitimistas a jovens burgueses, proprietários liberais de pequenas herdades tornadas florescentes à custa de muito suor e de algum crédito bancário.
“Os Fidalgos da Casa Mourisca” é, em minha opinião, a mais conseguida incursão pelo formato da literatura silvestre em Portugal.




Em cima, da esquerda para a direita: Gabriella (Baroneza de Souto-Real), D. Luiz, Bertha da Póvoa, Jorge, Maurício, Thomé da Herdade.




Concluída correcção de todos os posts publicados entre 09 08 07 e 10 09 07.

10 de setembro de 2007

Mensagem de um Radioamador em Reunião de Departamento

Aqui reunião de departamento. Escuto. Primeira reunião de departamento. Feita sob a égide de uma espécie desconhecida de idiotia generalizada e da parvoeira mais decrépita. Pura e ilustríssima perda de tempo...
Enviar urgentemente bom senso, tino e prudência.
Como foi a tua, macanudo? Escuto. Terminado.

8 de setembro de 2007

Faço o quê?

Noventa por cento dos jovens da minha idade (sessenta anos) com quem me cruzo sofrem de filhodependência. Em noventa por cento das conversas que com eles entabulo há, pelo menos, dez ou vinte referências beatíficas aos filhotes. Estes parecem, de facto, viver num mundo de alegrias e oportunidades: já tiraram os seus cursos com distinção; chegaram ontem de um périplo diplomaticoturístico pelas ilhas do mundo; casaram muito bem; possuem piscinas e jardins a perder de vista. Na área intelectual e cultural são todos o supra-sumo do que de melhor se fabricou até hoje: clarividência, rapidez no raciocínio, lucidez. Para desenfastiar (e tornar a composição mais crível aos meus ouvidos), tentam inventar-lhes um ou dois defeitos (que para mim continuam a ser virtudes encapotadas) mas são traídos pela momice ditosíssima que ostentam. Noventa por cento dos jovens da minha idade (sessenta anos) vivem as suas vidas em absoluta dependência da progénie.
Eu, que só me drogo de pão-de-ló, que não entendo nada de crianças nem de adolescentes nem de jovens adultos, que não imagino o que passa pelas suas cabeças, que, na verdade, já desisti de compreender o que dizem e sentem, acabei por me restringir ao diálogo com os velhos da minha idade, na esperança de, com eles, poder ter uma conversa de jeito, ao fim da tarde, diante de um copo de cerveja.
Mas, nestas condições, eu, que só me drogo de escrita, que só sou dependente das ideias, faço o quê?

5 de setembro de 2007

Abandono escolar é questão de sobrevivência?

O abandono escolar em Portugal é, segundo os media oficiais, o mais alto da Europa (cifra-se pelos 40%) e, ainda segundo as mesmas fontes, ocorre em jovens até aos 16 anos que não concluem os seus estudos básicos. Entidades governamentais asseguram, no entanto, que este número não é exacto e que, ao contrário, já se notou uma maior afluência ao estudo (ou, se quisermos, um menor abandono) no ano lectivo transacto. Não sei quem tem razão, nem isso deverá ser, na minha óptica, matéria de discussão. Sabe-se que há abandono escolar e isso parece ser um dado incontestável. Todos os professores contam sempre com uma ou duas baixas nos seus contingentes ao longo do ano lectivo, processo esse que começa logo depois da primeira interrupção. Sobre as causas ninguém precisa fazer estudos profundos e dispendiosos: os alunos vão-se embora porque não gostam da escola. Na verdade ainda são muitos os professores que teimam em obrigá-los a estudar, função que se transformou numa actividade odiosa, incomportável para as suas capacidades cada vez mais limitadas e para os seus estilos de vida, cada vez mais sedutores. Os pais acompanham-nos na compreensão dessa atitude. Também eles já foram alunos demitidos das suas funções e nunca entenderam para que fim serve realmente a escola: a montante dela já se sofrem calores e suores frios, na iminência de ter que a frequentar; durante ela, arrasta-se penosamente uma entediante realidade; a jusante dela, nada parece ter ficado melhor pelo facto de se ter lá passado. Somando a isto tudo a decrépita imagem social que a escola hoje ostenta, vê-se de imediato que ela não é, de facto, o melhor lugar para se passar toda a infância e adolescência.
Há, fora dela, lugares muito mais divertidos e tão ou mais embrutecedores que ela…

Imagem descaradamente roubada do "Portugal dos Pequeninos" de 16 05 06

4 de setembro de 2007

It's so tiny, Jo...

How it is going Buu?
many men around the world have successfully increased their Penis Size
Ange Kobayakawa

Wazzup joao?
If you dont gain at least 1/2 inch within the first month, send them back for a full refund.
Rocky Fadaifar

How it is going Garnett?
Did you know.. 88% of ladies want a man that is big, they say it’s more fulfilling
Stan Hueper

Yo kok?
my wife has never been happier
Nedim Cowart

Pois bem, admito que, enfim, posso precisar… Mas devo informar à cabeça de que esta incompetência não é inata. Foi, de facto, (se ela realmente existe, do que ainda duvido, apesar de, graças a Deus, não possuir um único termo de comparação) penosa e paulatinamente adquirida, durante o mandato da Ministra Maria de Lurdes Rodrigues e, de um modo mais generalizado, de todo o elenco governativo do Primeiro-ministro José Sócrates, bem como do rol imenso de "audaciosos" que, entretanto, brotaram como felga em terra mole...
Ange, Rocky, Stan e Nedim! Em vez de me aliciarem com um produto natural, por que não fazem algo para resolver este meu inibidor litígio com o sistema de ensino? Por que não demitem todos os intriguistas, bazófias, traidores, perturbadores, insensatos, burocratas, prepotentes, sabichões, vulgares, egoístas, umbiguistas, lapardas, espertalhões e trapaceiros, que pululam por aí, às golfadas, dentro e fora do sistema educativo? Se fizessem isso, garanto-vos que o meu amigo, agora tão deprimido, retomaria a boa forma e as copiosas medidas que ostentava em tempos mais felizes...

24 de agosto de 2007

Férias - 30º dia :////////

Ponto final.
Terminaram as férias que quase não chegaram a ser. Para suavizar esta dor, o Chico Anysio...

23 de agosto de 2007

Terra quanta avistes...

Estou cada vez mais rural. Já passo dois terços do meu tempo a ver crescer as árvores, a relva, as hortas. Sem nenhuma poesia. Nem a febre telúrica de Torga, para quem a terra tinha sempre a vontade indómita e o sofrimento genuíno de homens, nem o olhar contemplativo e comodamente inebriado dos bucólicos. Só terra, e a ruralidade que não exige mais nada de mim: nem inteligência, nem cultura, nem sabedoria, nem engenho, nem arte, nem competências, nem depressões. Sou da terra, todo dela, mas epidérmico. Temo nela o abismo da víscera. Acobardo-me diante dos seus fragores tectónicos. Mas à superfície dela, alongado sobre a sua pele, gostaria de permanecer para sempre, desfrutando da sua penugem ondulante sob as brisas das tardes mornas, sob a minha mão de campónio compassivo, multiplicando bosques e jardins.
Mais que isto em relação à terra é ser doentiamente ganancioso.
Menos que isto é ser distraído.

22 de agosto de 2007

Férias - 28º dia :((((((((((((((((((((((((((((((((((((((

Foi um tal vê-los correr. Esvaeceram-se os dias de férias, como a água dessa fonte...

[No próximo ano vou ver se me dão as férias em Junho, que os dias são maiores. E mais quentes. Já há uns dias que muito boa gente treme o queixo neste mês de Agosto, assim transformado em motivo de chacota por todos os humoristas portugueses: "o Verão que veio do frio", "a bandeira verde que foi de férias", "à janela a gente congela", "o tempo não aquece, o deficit esmorece" etc.
Enfim, o tempo escorreu, o tempo era meu, e apenas queria haver de volta cada minuto que passou sem mim.
Regressar ao trabalho? Como se faz isso, sem ficar atordoado?
Bom, para o ano há mais tempo (que voa)].