26 de julho de 2007

Já estarei atrasado?

Caramba! Tenho quase sessenta anos e ainda não preparei a minha morte.
Preparar a morte deve ser como preparar uma aula de apresentação: há que convencer o Criador de que somos realmente bons e que Ele só tem a ganhar se nos aceitar...
A avaliar pelo tempo que costumo demorar a preparar uma aula de apresentação, a preparação da minha morte vai demorar, pelo menos, um fim-de-semana inteiro…




Imagem tirada daqui

25 de julho de 2007

«A educação moderna cada vez se assemelha mais a uma amnésia institucionalizada. Deixa o espírito da criança vazio do peso das referências vividas. Substitui o saber de cor, que é também um saber do cor(ação), pelo caleidoscópio transitório dos saberes efémeros. Reduz o tempo aos instantes e vai instilando em nós, até enquanto sonhamos, uma amálgama de heterogeneidade e de preguiça.»

George Steiner
Via "A Origem das Espécies".
Direcciono para todo o post de FJV.

Quietinho, Charrua...

A Senhora Dren denunciou e fez muito mal. A Senhora Ministra da Educação decidiu o que decidiu sobre o caso Charrua e fez muito bem. Fez ainda bem ter proferido as palavras sobre direito à liberdade de expressão que proferiu, mas foi excessiva quando manifestou a intenção de demitir a Senhora Dren.
Charrua abusa ao exigir ao estado uma indemnização por perdas e danos. Quanto a mim (que prezo, sobretudo, a dignidade e a moderação), Charrua deve tão-somente exigir a sua reintegração no cargo e o reconhecimento público de que não prevaricou contra o estado, entidade a quem vem agora exigir alvíssaras (que vão acabar, inevitavelmente, por sair do meu pobre e decrépito bolso).
A Senhora Dren deve permanecer no seu cargo, visto que não são públicas quaisquer incompatibilidades para o exercer e não consta que o exerça com alguma espécie inadmissível de incompetência.
Na circunstância de ambos terem que continuar a partilhar o mesmo local de trabalho, será sempre fácil construir um muro de Berlim, uma muralha da China ou um simples tabique pessoal comunicacional, como todos fazemos, de modo razoável, nos nossos locais de trabalho.
Quando é que as nossas figuras mediáticas e os nossos interventores sociais e políticos deixam de ser desmedidos nas atitudes e nos discursos? Ou será que esta tensão emocional em que vivemos está a privar-nos da sobriedade na acção e da competência na aceitação, no entendimento e no perdão?!

24 de julho de 2007

Corrigidos novos erros, entretanto detectados, nos posts situados entre 13 07 07 e 19 07 07. Um obrigado a Eleutério Santos que teve a amabilidade de mos comunicar.

19 de julho de 2007

O "Tralapraki" feito pelos seus leitores

Coitada da banca…

Li há dias uma notícia que dava conta do facto de a banca ter pago em 2006 o dobro dos impostos relativamente ao ano anterior. Que pena que tenho dos nossos banqueiros… Deviam era pagar mais! Não é por acaso que a banca no nosso país é um dos sectores de actividade que mais lucros gera, pudera, num país de tesos… Só sei que pago as comissões, os spreads, os diversos, e tudo o mais que me exigem sem poder respingar. Talvez queiram transformar este país numa nova Suiça: as vacas não faltam, muitas da espécie brasilis, o chocolate também não, muito dele vem de Marrocos e põe os nossos jovens a viajar em 1ª classe, e se acrescentarmos uns bons metros à Torre da Serra da Estrela teremos os Alpes ibéricos.

Henrique Melo

O "Tralapraki" feito pelos seus leitores

Professor em dissonância cognitiva

Que mais poderá acontecer ao intelecto andragonista deste dito professor, quando se vê, como pedagogo, perante um bando de aprendizes, cujos níveis de inteligência, de educação e de interesse são bastante contraditórios mas muito baixos?
A motivação deste pedagogo é muito desconfortável. Daí tentar recorrer a outros métodos ou atitudes, passando a ser um professor em dissonância.

Mas, se a sua dissonância lhe dá para ser reparista, pode encontrar métodos inadequados perante as correntes actuais e espetar um chapadão e um abanão na educação do receptor.
E que acontece? Terá sobre si toda a atenção da “sociedade civil” e escolar e será crucificado e julgado como energúmeno. Felizmente, este docente está a entrar na vertente funcionalista e muda de métodos para atingir os resultados desejados. Certamente deixa que tudo corra, aplica com veemência todas as grelhas (inclusive a da Autonomia, conforme informação do Rogério, só o gato mia, pois auto não mia).
É claro que, no percurso deste Professor, as diferentes fases (andragonista, pedagogo, funcionalista) lhe dão o gabarito e o nível de catedrático…
É preciso muito esforço e paciência para ser… um deles, ou aceite por ela.



Zé Coimbra
"Gajos de Bolsa", para ler aqui.
Um humor... ... diferente (?)

18 de julho de 2007

Procedeu-se, nesta data, a nova correcção de gralhas e erros nos posts mais recentes.

Portomar, 1942 – um post descabido (1ª parte)

Portomar, 1942.
Guerra e depressão, candonga e fome. Manhã de Março, invernia das antigas, com vento sibilante e caramelo nas fontes. Na sacristia do largo, o padre enfia os paramentos de linho, protocolarmente, sem nenhuma convicção. Na nave da pequena capela, mulheres de preto, com lenços atados e chapéu gandarês* afinam os primeiros acordes à Senhora do Carmo.
“Imaculada, rainha dos céus,
Com o teu manto tecido de luz,
Faz com que a guerra se acabe na Terra,
E dá aos Homens a paz de Jesus”.
Só as mulheres cantam, com as suas vozes ganidas. Homem que cantasse, mesmo que fosse para tecer loas às divindades, era logo alcunhado de mariconço.
“Esta parte cantam os homens”- pedia o padre.
“Cantar, senhor Prior? Com o coração danado?”


[Bom, menti. Havia um homem que cantava. E bem alto. Era o mariconço do Ti Malino da loja. Mas cantava uma letra diferente: “Faz com que a guerra se alastre na terra…”, de cujo verbo ninguém parecia conhecer o sentido, pensando tratar-se de uma forma bizarra de dizer “acabar”, que os novos-ricos tivessem inventado.
Ele, porém, conhecia-lho. É que aquela abençoada guerra estava a encher-lhe o armazém de açúcar proibido (que vinha ninguém sabia de onde) e as algibeiras de contos de réis, tantos que as suas poucas letras já não explicavam e as suas poucas contas já não podiam calcular.]

(Fonte: o meu pai)

*Não encontrei na www nenhum chapéu gandarês. Tive, portanto, que o desenhar.

O mais próximo é o chapéu jamaicano que também vos mostro aqui.





chapéu jamaicano


Educação das Teorias

Preciso urgentemente de me tornar um teórico de Educação. E pelo que sei não faltam escolas nem teorias. Ora ouçam:
Teoria Heurística, Andragogia, Teoria da Dissonância Cognitiva, Teoria da Flexibilidade Cognitiva, Teoria Construtivista, Teoria da Contiguidade, Teoria da Conversação, Teoria da Redução de Direcção, Teoria do Código Duplo, Teoria da Elaboração, Teoria do Contexto Funcional, Epistemologia Genética, Teoria da Percepção por meio da Informação, Teoria do Processamento de Informações, Teoria do Pensamento Lateral, Teoria Matemática do Aprendizado, Teoria do Minimalismo, Estilos ou Modos de Aprendizagem, Teoria das Inteligências Múltiplas, Teoria do Condicionamento Operante, Teoria da Originalidade, Fenomenografia, Teoria do Reparo, Teoria do Roteiro, Teoria dos Signos, Teoria do Aprendizado Situado, Teoria do Aprendizado Social, Teoria de Experimentação de Estímulos, Teoria Estruturalista da Aprendizagem, Teoria da Inclusão, Estrutura do Intelecto, Teoria Triarca, etc. etc.

Não inventei nada. Juro. Há gente que tem escrito milhares de coisas destas. Querem saber quem? Cross, Landa, Knowles, Festinger, Spiro, Gagne, Bruner, Guthrie, Hull, Paivio, Sticht, Piaget, Gibson, De Bono, Atkinson, Carroll, Gardner, Maltzman, Marton, Entwistle, Shank, Bandura, Sternberg, entre dezenas ou centenas de outros… São mais que as mães.
Quando eu me tornar um heurístico, um andragonista, um dissonante cognitivo, um construtivista, um contíguo, um elaborativo, um funcionalista, um estruturalista, um epistemologista genético, um percepcionista, um lateralista, um minimalista, um multiplista, um originalista, um fenomenografista, um reparista, um roteirista, um experimentalista, um inclusivista, um triarquista ou outro paneleirotista qualquer, tenho certeza de que deixam de me chatear lá na escola e ainda me farão subir de escalão. Agora, um indivíduo que só dá aulas (rapando aqueles noventa minutos que nem um recruta e nem sequer sabe em que teoria as dá) não tem pedigree nenhum e, de acordo com Peter, já atingiu o seu nível de incompetência.
Só quero ver a cara dos Doutores Educativos quando eu for uma merda daquelas…

16 de julho de 2007

União Ibérica SARL

A Fundação foi uma debandada da grande fábrica galega do operariado lusitano que se quis estabelecer por conta própria nesta nova PME conhecida por Portugal. E conseguiu-o por 440 anos.
Aljubarrota (1385, 240 anos depois) foi uma sublevação de arruaceiros da PME Portugal, na sequência da OPA hostil lançada por Espanha contra aquela empresa de baixíssima estatura.
1580, outra OPA.
A Restauração (1640) foi uma resposta atrevida do proletariado lusitano à longa anexação (60 anos) da filial Portugal pela empresa-mãe com sede no centro da Península Ibérica.
27 de Setembro de 1801, outra OPA hostil que termina com o tratado de Badajoz e a perda da nossa praça de Olivença.

As relações históricas entre Espanha e Portugal têm sido uma sucessão de OPAs hostis lançadas pela empresa mais forte à empresa mais débil, sempre com uma cadência média de, aproximadamente, 220 anos. Portugal tem resistido, dando até algumas bengaladas no costado do agressor. Mas, até quando?

Há alguns anos, porém, exportámos para Espanha um ponta-de-lança da literatura. Instalámo-lo em Lanzarote, para que ele lá escrevesse, sossegadamente, os seus livros, enaltecendo o nosso país.
Ficámos, de longe, a ver o que ele fazia…
Ora, não fez nada. Em vez do trabalho de publicidade gratuita que dele se esperava, por ser dos nossos, acabou por promover mais uma OPA hostil, ao afirmar que Portugal será inevitavelmente anexado um dia destes. O magano do escritor…
(Fazendo fé na teoria dos 220 anos, essa nova OPA ocorrerá em 2021, ou seja, dentro de 14 anos. Assumindo que esta última OPA alcançará, finalmente, o tão desejado sucesso para os intentos espanhóis, este vosso criado terá, então, 70 anos, idade mais que adequada para bater as botas...
Ao menos, morro com a Pátria, foda-se.)