21 de junho de 2007

quase tudo sobre plastiquinho e plástico bolha

Será que é normal deixar ficar aqueles plastiquinhos que protegem os visores dos celulares ou dos ipods? Ou será normal arrancá-los de imediato? Quer uma quer outra atitude podem traduzir graves desregramentos comportamentais. Está quase tudo aqui, e aqui. Assunto sério.

fruta e saqué

Isto que aqui vêem é uma pêra. Tem formato de maçã, sabor de nada e cheiro de coisa nenhuma. Comi uma dessas hoje ao almoço. Eu sei que é preciso viver em um outro plano de transcendência para poder colher o aroma ou o sabor da fruta que não os tem. Mas esta abusou. E, reparando com mais atenção (tanta quanto mo permitiu um Douro tinto, Vinha de Mazouco, 13.5, 2005), fiquei a saber que a pêra com forma de maçã e sabor de coisa nenhuma, era, na verdade, uma pêra asiática, produzida no Chile. Terão sido produzidas, pelo menos, 4408 peras/maçãs destas, a acreditar no número que ostenta (o exemplar que eu devorei era o 4407). Depois do Mazouco, tudo parece possível, mesmo que o Chile seja um país asiático produtor de peras japonesas com o mesmo sabor daquele seu saqué insuportavelmente insípido.

Casualmente tropecei nisto, vindo do outro lado do Atlântico. E gostei. Traz o encanto do Brasil. Há mais textos divertidos. Tomem lá esse endereço.

Chegou hoje...

“Sê bem-vindo, primo. Todos estão à tua espera. Porta-te bem, não queimes muitas matas, não chovas demasiado, não mates muitos velhos. Despede-te decentemente da prima Vera. Boa estada.”

20 de junho de 2007

- Não acho bem que, depois de terem alargado o debate sobre a câmara de Lisboa à escala nacional, não deixem votar, por exemplo, os gandarezes, os minhotos, os tripeiros, os cagaréus, os futricas, etc. Acho que todos deviam votar para a Câmara de Lisboa. Lisboa não é como os Carapelhos ou as Cochadas ou a Mamarrosa, porra. É a capital do Império. De Serapicos a Burgau, de Bufanoa a Monterecos, todos temos um pouco a ver com aquela espelunca (espelunca, no bom sentido, claro está).
Está um tipo já todo vestidinho com o fato de votar e fica a saber que não pode, que a festa é só para os lisboetas.
Ná. Devia ser como o aborto que é só nos hospitais privados, mas toda a gente votou, mesmo os dos públicos…

16 de junho de 2007

Concordo com Carlos Magno ("Exercício do Contraditório" Antena 1, ontem, Sexta-feira) em absoluto. AlcochOta é uma boa opção para o aeroporto. E mesmo o Santuário de Fátima, pensando bem, também é outra boa proposta. Não foi lá que aterrou a nossa Senhora?

15 de junho de 2007

As Desastradas Tretas do "Trala"

Ainda a boca de Charrua

Vou ter que escrever outra vez sobre isto, mas faço-o pela última vez, e não adianta pedir.
Estamos a ser governados por uma cambada de vigaristas e o chefe deles é um filho da puta” - dizem que disse o Dr. Charrua.
Mas isto não é nenhum insulto, bolas!... Uma “cambada” é uma enfiada, um colectivo de indivíduos unidos por uma camba (do Celta “camb”, uma peça de uma roda).
Vigaristas” são seguidores de um vigário ou vicário (um venerável pároco).
E como se pode insultar uma cambada? É como insultar uma manada ou uma récua, ou uma vara. [Nunca percebi por que se chama vara (colectivo de porcos) a uma comarca judicial ou parte dela. Isso sim, é deveras injurioso e nunca ninguém se mexeu].
Verdadeiramente, não é possível insultar um colectivo. Um colectivo não é um corpo indivisível, uma só alma, uma só sensibilidade. A besta A da récua poderá sentir-se enxovalhada, mas isso poderá não acontecer relativamente às bestas B e C. Insulto com valor de afronta tem que ser individual. Se eu disser que os portugueses são uma cáfila, ou uma corja (uma corja são vinte, é claro) ou mesmo uma súcia, não estou a incorrer em crime de injúria, ou vitupério, ou ultraje, ou como raio se venha isso a chamar.
Já a lusíssima expressão “Filho da Puta” pode, eventualmente, indicar um descendente de alguém que não tem bem feitas as suas contas com o fisco. A maioria daquelas profissionais não paga irs ou irc e esses encargos poderão vir a recair sobre os respectivos filhos. Esta situação é deveras insultuosa.
Não importa a profissão da mãe, mas evasão fiscal é crime, caramba.
Logo, o que o Professor Arado disse foi, na verdade, isto:
“Estamos a ser governados por um grupo de seguidores de um vigário e o chefe deles é um descendente de uma profissional que poderá, no limite, estar em falta com os seus deveres fiscais."
E, vendo bem, não disse nada pouco, chiça…

As Desastradas Tretas do "Trala"

Época de Transferências

Com a destruição do sistema educativo, a autonomia das escolas e a previsível promiscuidade entre câmaras municipais e estabelecimentos de ensino, estes deixar-se-ão rapidamente invadir pela filosofia dos clubes de futebol.

Não tarda um fósforo apagado que não assistamos a notícias sobre importantes transferências, negociadas entre directores que quererão, compreensivelmente, dotar as suas escolas das melhores equipas pedagógicas, para enriquecer as respectivas SADs.*
O ponta-de-lança de Matemática, Dr. Cateto F. de X., foi comprado pela B.2/3 de Odemira e a António Arroio vendeu o seu médio de Geometria Descritiva.
Com estas transferências nos respectivos planteis, estas duas escolas acreditam poder conquistar uma boa classificação no próximo campeonato lectivo de 2009/2010.

* Como se sabe, a sigla SAD (de qualquer clube ou escola secundária) significa Seasonal Affective Disorder, ou seja, Desordem Afectiva Sazonal, ou seja ainda, a completa loucura colectiva que ocorre em determinadas épocas do ano, como, por exemplo, a época das transferências... ou os momentos em que o Governo resolve tomar medidas sobre Educação.

12 de junho de 2007

Um sapo no farol (é pó, Ema!)

Dia de sol na praia da barra,
Inúmero o som lancinante do sal,
A pino um farol sedento de vaga,
Para sul um futuro de fel e de mal.

Um sapo pachorra subiu ao farol.
Olhou de soslaio o país turístico,
Perdido na bruma de um mal bemol
E findou o poema compondo este dístico:

Lá vai o poema lá vai o país.
Cá fica o farol, já vi o que quis.

(E desceu aborrecido)

Aperta-se o cinto...

... mas alarga-se a banda.
Cintos apertados e bandas largas para todos. A seguir vêm as bandas gástricas. Mas das largas...

1 de junho de 2007

um thriller pouco virtual

Ambíguo e, sobretudo, arrepiante este texto do "31 da Armada".
O “poder da rua”, definitivamente enfraquecido pelo falhanço da greve geral, vai permitir ao governo socialista, em definitivo, fazer as reformas que se impõem, gozando duma oportunidade que seria imperdoável desperdiçar. Isso mesmo. Agora, com o poder da rua moribundo ou definitivamente morto, será finalmente possível destruir todas as pequenas conquistas das massas trabalhadoras (pequenos empecilhos à modernidade e ao desenvolvimento). Agora será possível, definitivamente e sem reserva mental nenhuma, acariciar a barriga dos capitalistas com reformas a favor do grande capital e do liberalismo mais opressor que o governo dos ricos possa forjar. Arrepiante de mais? Definitivo de mais, pelo menos...