23 de maio de 2007

Um professor conta uma anedota sobre o Primeiro (ou, leia-se, insulta despudoradamente o Primeiro) e é suspenso de funções, (embora não liminarmente fired, tout court). É, sim, recambiado (por quem e com que legitimidade?) para a sua antiga profissão, onde supostamente sempre pertenceu, visto que nem a DRE nem a deputaria são, em rigor, profissões. O homem, coitado, estava, como tantos outros, a passar uma bela estada no bem-bom na DREN.
Temos que nos entender: Ser funcionário das DRE não é bem o mesmo que ser funcionário de organizações de base, de campo, (periféricas, digamos), como são as escolas. Não se deve insultar o patrão quando ele mora assim tão perto de nós. É muita burrice. No entanto, um ror de vozes se levantou logo contra essa medida. E a minha também se uniu à desses, mas com algumas reservas, visto que acho que insultos realmente insultuosos, (tanto quanto esta democracia souber destrinçar) devem ser remetidos aos tribunais para limpar honras e, muito mais importante nestes tempos, angariar indemnizações.
Quer se trate de um verdadeiro insulto, quer de um imprudente joke, o homem não podia sofrer aquele revés. Na DREN deve estar-se muitíssimo melhor que numa sala de aulas a berrar conteúdos e sempre a levar na tromba com a má educação dos jovens e a desconfiança absoluta dos pais.
Obviamente que há recônditos recortes na história que ninguém ainda sabe. Mas, mesmo assim, logo se levantaram inúmeras vozes em solidária defesa do professor. E até a minha, de costume tão vagarosa, se levantou também.
Mas com reservas.
Moral da história: Só se deve falar mal do patrão quando estamos mortos por perder o emprego, ou quando temos a certeza de que ele é surdo. Mais que isto é imprudência.

19 de maio de 2007

As Desastradas Tretas do "Trala"

"Animal Farm"

O capítulo perdido do triunfo dos porcos

George Orwell teria produzido mais um capítulo que acabou por dispensar, na medida em que não só não acrescentava à fábula nada de novo que fosse particularmente cativante, mas também porque o texto em si parecia sofrer de uma profunda crise de identidade que poderia colocar em risco a unidade da obra. Seja como for, uma vez descoberto o capítulo em falta, torna-se imperioso proceder à sua desocultação (palavra tipicamente eduquesa), a bem da civilização.
Transcreve-se, assim, um trecho avulso do referido capítulo ausente:

(…)
“Mas houve vários dias de relativa paz lá na granja. Todos tratavam das suas vidas, de acordo com o que fora estabelecido pelo grande porco. As vacas pastavam ou escreviam livros, os carneiros seguiam os seus líderes, os cachorros mordiscavam os calcanhares dos larápios, os cucos coscuvilhavam nos jornais sobre o que viam e, sobretudo, sobre o que não entendiam, os porcos pensavam na bolota e fossavam tudo, os burros alombavam e davam aulas de substituição. Alguns animais esqueceram-se mesmo que ainda estavam em pleno PREC. De facto, parecia até que já pouco havia para criticar, comentar, alardear, bufar, maquinar, conjurar, patrocinar, proteger, advogar, reprimir, exultar. Oh vidita desenxabida aquela...
Mas eis que uma barafunda se levanta na capoeira. Todos os pescoços se esticam, as ventas perscrutam o ar, os porcos enfiam o focinho na paliçada. Um jovem garnisé esgueirou-se entre as ripas e veio informar que o galo tinha vindo a roubar a ração de todas as galinhas, dia após dia, mês após mês e que estava em maus lençóis. Logo um bando de gralhas transportou a notícia para toda a quinta. “Há um caso jornalístico no galinheiro. Elas querem mudar de galo, poleiro e ripado novo”
E até quinze de Julho, não se escreveu sobre outra coisa.
Só o mocho, com os seus óculos de ler ao longe, se perguntava apreensivo: Que silêncios ocultará tanto alarido?
(…)


Imagem desalmadamente roubada de “Trocando Figurinhas

18 de maio de 2007

- Odiei o meu pai duas vezes: uma vez aos dezasseis anos, porque ele estava vivo; outra vez aos quarenta, porque ele estava morto.

As Desastradas Tretas do "Trala"

Feridas e Cicatrizes


Friedas

Frieda Hughes, pintora e escritora (“Stonepicker”, “Wooroloo”, etc.)







Frieda Inescort, actriz (Bernard Shaw "You Never Can Tell"; Jane Austen "Pride and Prejudice"; etc.)








SICactrizes







16 de maio de 2007

BE aprende devagar, mas é dos poucos que aprendem

Finalmente o BE apresta-se a tomar uma posição digna, na área da família: defende que o pedido de divórcio passe a poder ser feito apenas por um dos cônjuges, com vista à felicidade do lar. É um começo que peca por tardio. Mas o BE, por esta posição, mostra estar ainda demasiado preso à instituição do casamento. A posição certa seria: Unir e desunir, sem papeladas, de acordo com os desejos dos participantes, em conjunto ou em separado, apenas com a limitação do acautelamento da felicidade dos filhos, se os houver. As questões do património e os burgueses sentimentozinhos da perda do grande amor ou da dor de corno são excrescências incompreensíveis à clara luz da inteligência, que têm servido apenas para produzir literatura barafundística.

Nem tudo está perdido...

O perverso Caso Sócrates já produziu efeitos positivos

"A experiência profissional passa a valer mais que possuir uma determinada formação académica (como uma licenciatura em Engenharia, por exemplo), para aceder a salários até 2500 euros." Bom começo.
Só falta corrigir um pouco para: "Honestidade, carácter, capacidade de trabalho e vontade de bem servir passam a valer mais que qualquer rotundo penacho académico (ou outro)".
Assim ficaria bem melhor, mas enfim...

13 de maio de 2007

Hoje, no Pedro Rolo Duarte, Medeiros Ferreira (Bicho Carpinteiro)

.“Na blogosfera sou um cidadão diversificado”
.”Eventuais compensações financeiras da blogosfera são para mim um fenómeno opaco."
.”A primeira linha da defesa da liberdade de expressão está na blogosfera, pois ainda não há nela paradigmas.”


Para ouvir aqui no podcast da antena 1

Um troço de Estrada (teatro blogosférico)

(Sobe o pano)
- Quero um troço de estrada, faz favor.
- Com certeza. Quanto?
- Uns dez quilómetros. Sem curvas e a descer. Quero ir visitar a minha tia Faustina que mora lá em baixo no vale.
- Deseja sinais de trânsito?
- Não muitos. Uns outdoors e alguns cruzamentos com estrada sem prioridade. Estou com um bocado de pressa.
- Muito bem. Deseja material de qualidade ou pode ter buracos?
- Qual a diferença de preço?
- Bom, assim em bom, custa-lhe 600$00 por quilómetro, sem contar com a sinalização horizontal. Com sinalização horizontal, custa mais três por cento. Se for um troço de segunda, posso fazer-lhe 450
- Está tudo pela hora da morte. Uma pessoa não pode ir a lado nenhum. Dê-me então dessa mais fraca, sem sinalização horizontal e sem polícias de trânsito. Mas ponha uma tasca aí ao quilómetro 6 ou 7.
- Olhe, nem de propósito. Tenho aqui um troço de um IP que alguém construiu e depois não encontrou onde o pôr. Está como novo e tem uma estação de serviço ao quilómetro 5, com duas ucranianas e uma moldava a servir água tónica e cerveja.
- Óptimo, levo esse...
- Temos agora uma promoção: umas garotas seminuas que empunham uns sinais de trânsito com limites de velocidade. São só mais 5 por cento.
- Não, isso vai-me atrasar muito.
- Muito bem. Deseja que embrulhe?
- Não, estou com muita pressa... é para usar já.
- Certíssimo. Onde deseja que o ponha?
- Em frente do pára-brisas, está claro...

"Pão Comanteiga" (adaptado - não resisti à tentação de estragar um pouco o texto original)

12 de maio de 2007

"Dragoscópio" encadernou-se...


Chama-se "À Queima-Roupa" e é o novo livro de César Augusto Dragão. Parabéns.



"Além do mais, se bem estou recordado e a memória não me falha, não contraí matrimónio com a Verdade, em modo ou tempo algum, o que, se por um lado me veda o acesso às ufanias de quem com ela partilha diariamente o tálamo, por outro, isenta-me das ilusões e do peso das rendilhadas armações de hastes fatalmente inerentes a tão fantástica condição."
César Augusto Dragão

11 de maio de 2007

António Costa para a grande autarquia?

António Costa, não, é óbvio. O homem ia achar-se despromovido. Que repercussões, ao nível psicossomático, poderia haver se ele transitasse de número dois para presidente da junta? Há que ter muito cuidado.
A minha sugestão recai sobre Maria de Lurdes Reis Rodrigues. Eu nunca vou a Lisboa…

As Desastradas Tretas do "Trala"

Ecologia e Orgasmo Feminino
Preocupado com o excessivo consumo de água em terras do Tio Sam, um meritório painel americano de ecologia publicava, há dias, algo no género: (a tradução é minha)
“O chuveiro é um instrumento precioso para tomarmos banho. É para isso que as mulheres o devem usar e não como indutor orgásmico. Esta última função, hoje em dia tão disseminada na sociedade americana, tem provado ser um pavoroso esbanjador do precioso líquido que urge combater, sem esmorecimento."
Ora aí está o que é. Elas é que nos gastam a água (e o resto)...