9 de maio de 2007

Prateleira Anacrónica

“À Pétrograd, une foule portant des drapeaux rouges prit Trotsky à la descente du train et le porta sur ses épaules. Trotsky se mit aussitôt à haranguer cette foule, il l’appela à faire une nouvelle rèvolution.”
(Últimas linhas deste primeiro volume sobre Trotsky, de Isaac Deutscher)

Não. Não foi com um picador de gelo (opinião sustentada em alguma historiografia burguesa) que Leon Trotsky foi vindimado. Foi com um certeiro golpe de piolet que o profeta armado da quarta internacional foi definitivamente calado, em 20 de Agosto de 1940. Escreveu "A Revolução Permanente", um dos mais relevantes volumes sobre a questão do poder na revolução de 17, livro que muitos acham (de modo irritantemente jocoso) ter sido escrito depois de o autor ter experimentado o golpe mortal do piolet de Stalin.
Eu creio, ainda assim, que foi antes.
Superstições...

6 de maio de 2007

Madeira, ame-a ou deixe-a...

Mais aclamado que Fulgêncio Batista. Mais absoluto que Emílio Médici. Mais veterano que Omar Bongo. Mais divertido que Groucho Marx. Mais entranhado que nódoa de vinho.
Não consigo deixar de simpatizar com ele, mas não sei porque isso me acontece, visto que há muito tempo deixei de beber.
Ganhou de novo e vai ficar na Madeira por mais trinta anos, para animar as nossas áridas existências.
Desejo-lhe longa vida. Todos os cómicos deviam viver para sempre…
Hoje, na rubrica dominical de Pedro Rolo Duarte, Daniel Oliveira (“Arrastão”) pronunciou-se contra todas as tentativas de controle da blogosfera e defendeu alguma profissionalização deste meio, de modo a criar alternativas aos media tradicionais.
Rolo Duarte: "Os blogs da direita parecem-me mais ágeis e interessantes que os da esquerda."
Daniel Oliveira: "Os blogs de esquerda estão mais chatos que os da direita, porque a esquerda sente-se derrotada. A derrota é, de facto, muito pouco sexy". (Quase sic).
Vale a pena ouvir, aqui no podcast da Antena 1

5 de maio de 2007

Carta aberta de Por Enquanto a um ministro virtual

Sabe, Senhor Ministro, eu não queria parecer pessimista, tanto mais que todas as Vossas Excelências têm vindo a alardear que o pessimismo encolhe e embota o desenvolvimento da bolsa e o desenvolvimento da bolsa é que é o grande desarrincanço das economias. Sei disso muito bem e não quero, de modo nenhum, parecer um estorvo ao desenvolvimento do paísito a que Vossas Excelências e eu, por enquanto, pertencemos. Não quero parecer pessimista, e também gostaria de o não ser, esforçando-me todos os dias para contrariar essa tendência, mas olho diariamente para esses destroços ambulantes que são os portuguesitos do seu/nosso (por enquanto) paísito e não posso deixar de ficar assustado.
Sabe, Senhor Ministro, eu não queria parecer assustadiço, tanto mais que as Vossas Excelências Todas têm vindo a alardear que o medo, o temor, o cagaço e o pânico encolhem e desbotam o desenvolvimento da bolsa, etc, etc, etc.
Mas olho diariamente para essas ruínas errantes que são os portuguesitos da sua/nossa (por enquanto) patriazita, e não posso deixar de ficar amargurado.
Sabe, Senhor Ministro, eu não queria parecer amargurado, etc, etc, etc.
De Vossas Excelências Todas,
Inquieto, vulnerável e (cada vez mais) obrigado,
Subscrevo-me atenciosamente,



28 de abril de 2007

no "arrastão"

Batendo, durante sete dias seguidos, em Maria João F., que, no entanto, se aguentou à bronca com muita dignidade. Tudo a propósito de um cartaz com rabo feminino que a CGTP moralistamente criticou.
Está tudo aqui, no "Arrastão" de Daniel Oliveira
(Tratando-se de um conjunto de comments, o texto deve, obviamente, ler-se de baixo para cima)




O cartaz do Crazy Horse
de que tanto se falou
durante a segunda semana
de Abril, de 2007

- Há por aí alguém honesto, que não se deslumbre com o poder? Voto nesse para déspota absoluto.

Prateleira Anacrónica

Que é que terá levado um jovem de dezanove anos a adquirir este livro em 1970? Porque é que, em 1970, escrevi anotações nas margens deste livro, que ainda hoje me parecem sensatas e oportunas? O que me teria levado a registar, no topo da página dezanove, o lugar e o momento em que foi lido (Praia de Mira, em 12 de Agosto daquele ano)?
E por que será que hoje me interesso mais por essa irrelevante informação pessoal do que pela impiedosa severidade do texto cru de Marx e Engels, abordando a ditadura do proletariado, o período de transição entre os sistemas capitalista e comunista, as fases de maturidade da economia socialista, a distribuição dos bens sociais e o internacionalismo proletário?
Qual de nós dois está morto: o livro, ou eu?


27 de abril de 2007

autoheteroelogio

Estou quietinho há dois dias, na moita, na retranca, em período probatório. A ler blogs. Em dois dias li os últimos cinco ou seis posts de mais de 100 blogs nacionais, começando pelos que criteriosamente apresento na minha coluna da direita e depois picando, aleatoriamente, alguns dos links que esses ostentam. A continuar assim, penso chegar, em duas ou três catervas de anos, ao fim da blogosfera nacional.
E aí, sim. Poderei dizer-vos então o que ela realmente é.
Para já, surge-me uma espécie de amofinação, pelo facto de tantos belos textos, tantos curiosos grafismos, tantas ideias radiosas e perspicazes, tantas manifestações do humor mais mordaz, terem de permanecer esquecidos, encobertos ou inatingíveis, pelo simples facto de a maior parte de nós não ter tempo suficiente para os saborear a todos. Impossível acompanhar o ritmo de produção da blogosfera! Mas está a escrever-se bem e com inteligência na blogosfera portuguesa.

25 de abril de 2007

Eduquem-me, palhaços!


O dia 25

Em 1974, um punhado de militares deitou abaixo um regime opressor de 40 anos e proclamou as amplas liberdades. Eu era um desses militares. Anónimo, esperançoso e amedrontado, a minha participação foi irrelevante. Tinha 22 anos, militava então num movimento sem nome que se empenhava na contestação da Guerra Colonial e das profundas injustiças sociais. Manifestávamo-nos ao fim da tarde, no Largo da Portagem, por entre agentes armados. Ordeiramente.
Quando me chamaram para a tropa imaginei de imediato a situação comum de ir bater com os costados em África. Mas não. Naquela madrugada, em Mafra, feito Cadete na véspera, acordei estremunhado com um movimento inaudito. Saímos sem saber para onde. De vez em quando eu espreitava o escuro, içando a lona da Berlier. Estávamos a andar para sul, achava eu. Não parecia o costumeiro caminho da carreira de tiro.
Quase todos os Portugueses souberam, antes de mim, o que estava a acontecer.

O regresso

Depois, voltámos para casa, aliviados e muito confusos. Gerámos os nossos filhos, envoltos numa fé inocente , feita de pradarias verdes, de liberdades matinais, de brisas esperançosas. Quando eles nasceram, decidimos colocá-los nesse mundo novo, asséptico e promissor. Que lindas iam ser as nossas crianças!. E que boas ficariam, respirando com naturalidade essa brisa revigorante da Liberdade e da Autoridade Democrática.

A traição

Porém, todos nos enganámos. A inocência de Abril foi traída. A Liberdade plastificou-se. As verdes pradarias desbotaram e foram conspurcadas. Vândalos, arruaceiros, perigosos cretinos, embarrigados de ignorância arrogante e soberba pulularam pelas cidades. Traficantes instalaram-se impávidos. Governos recostaram-se, discutindo se é bom ou mau ser paneleiro. A anarquia surgiu rodeada de novíssimas teorias pedagógicas. O imbecil politicamente correcto e a morte da veemência são valores supremos nesta sociedade esvaziada. O culto do imediato e do pronto sem dor desembocou, naturalmente, nesta perversão de desejar permanecer idiota para sempre.
A brisa que passa traz maus presságios e cheiro de enxofre, dia após dia, ano após ano.

Filhos da Madrugada

Foi nessa conjuntura que cresceram os nossos filhos delinquentes. Nos seus olhos há como a súplica violenta e muda de serem ajudados. Eles não foram ensinados a ter consciência, a reflectir, a analisar, a raciocinar, a perdoar, a respeitar. Construíram-se sozinhos, cercados de rodriguinhos bestas e de apoio exagerado. Ter tudo acabou por tudo lhes tirar. E eis o fenómeno que nenhum desses espertíssimos pedagogos tinha previsto. Ao empossar as crianças de tantos direitos à arrogância, à má educação, à preguiça, à libertinagem; ao prescrever que os adultos se devem baixar diante da opinião duvidosa desses engraçados déspotas; ao lhes atribuir uma opinião respeitável; ao lhes desobstruir e aplanar todos os caminhos, construíram pequenos monstros capazes de esbofetear os pais, de violar as irmãs, de emporcalhar tudo à sua volta, de assaltar e matar velhos indefesos, sem um estremecimento…
Fomos nós que os fizemos assim. Eles têm olhos de ódio e de desprezo quando atentam na nossa amabilidade e submissão. Os seus olhos estão sempre a dizer-nos: “Eduquem-me, palhaços!”

24 de abril de 2007


O "31 da Armada" esteve muito bem, na reportagem das eleições do CDS-PP. Humor qb. Melhor que a encomenda. Vamos ficar atentos ao próximo desafio, com o BE.

22 de abril de 2007

"Margens de Erro" na Antena 1

Desta vez com Pedro Magalhães e Diana Krall.
"A blogosfera começa a ter um peso enorme na actividade política, especialmente nos Estados Unidos. É a verdadeira consciência crítica da actividade política."
Pedro Magalhães, no programa de Rolo Duarte, aqui no podcast. Vale a pena ouvir.