- Porquê?
- Porque escrevi "a desgraça abateu-se sobre ele" e as professoras adoram isto.
Para além de mulheres e de fruta fresca, as duas coisas seguintes que mais amo na vida são a bica e a sesta. Porém, se, teoricamente, (e só teoricamente, como se explicará mais adiante) posso desfrutar, em simultâneo, das duas primeiras, as duas últimas manifestam-se incompatíveis no meu organismo: a bica anula qualquer hipótese de sesta (ainda que os nossos actuais patrões ma permitissem), e a sesta obriga-me a ter de passar sem bica.
Em 1976 e anos seguintes, foram colocados no sistema de ensino professores sem habilitação própria para a docência. Tinham o que se chamava então "habilitação suficiente". O estado, nesse tempo, resolvera democratizar e massificar o ensino. Esses professores permaneceram no sistema porque eram úteis. Muitos deles, apesar de não terem concluído os seus cursos ( e devo aqui acrescentar que o não fizeram porque, de facto, se entregaram ao ensino de alma e coração) mostraram ser responsáveis e sérios, e a enorme maioria deles criou um rasto de competência ao longo do seu magistério de trinta anos. Até que um dia, o que era suficiente deixou de o ser e o mesmo estado, servido agora por outras pessoas e por outras sensibilidades, resolveu expulsá-los, por imprestáveis.
Enfim...tendências, opções, o barómetro dos tempos.

Passaram ontem vinte anos sobre a morte de José Afonso. Foi tempo de homenagens e voltámos a ouvir as canções do bardo lusitano. No entanto, e no meu ponto de vista, ouviu-se menos o Zeca que os seus sucedâneos. E se, de entre estes sucedâneos, alguns há que não desmerecem muito do original, caso de João Afonso, Dulce Pontes ou Teresa Salgueiro, como alguns exemplos, outros há que parecem estar a gozar com os originais de José Afonso, transformando-os até ao limite do cretino e destituindo-os completamente da ambiência que o autor lhes conferira. Pobre José Afonso, simplesmente o maior autor da música portuguesa popular, incompreendido antes do 25 de Abril, incompreendido depois do 25 de Abril e incompreendido vinte anos depois de morrer. Não há mais pachorra e fica aqui um conselho para esses jovens que andam por aí a cantar mal as canções de José Afonso: Se não entendem, se não sentem, se não têm competência para subir até ele, esqueçam, deixem estar o Zeca onde ele está, que é demasiado alto para vocês, dediquem-se às vossas cantiguinhas parvas e tenham vergonha na cara.
Ana Gomes afirmou na Antena 1 que adora António Variações. Eu já desconfiava que alguma coisa ia mal na personalidade daquela senhora, que considero um pouco impertinente, mas nunca imaginei que ela pudesse ser tão veemente na defesa das (totalmente ausentes) qualidades artísticas daquele cantor. António Variações é, verdadeiramente, um produto requentado de qualidade inferior e não é preciso ser grande especialista para saber isso. Passei desde então a desconfiar da oportunidade da problemática sobre os voos da CIA que a Dra Ana Gomes cisma em perpetuar.
Ah, afinal o referendo não é vinculativo. Gasta-se rio e meio de guito para aplacar consciências e termos um pouco de tranquilidade moral e vamos ficar com esse peguilho pendurado ao pescoço? Um referendo novinho em folha (e caro como o pinto) e já está fora da garantia? E o que é que a DECO tem a dizer de tudo isto?
Caros leitores do “Tralapraki”